Um comercial da plataforma de previsões esportivas Novig, exibido a partir de 11 de junho, mostrou a atriz americana Sydney Sweeney quase nua, vestindo apenas acessórios esportivos. O vídeo, de 58 segundos, gerou forte reação entre atletas que denunciam a sexualização do esporte feminino. A polêmica se espalhou rapidamente nas redes sociais, provocando debates sobre ética publicitária e respeito ao corpo das mulheres no esporte.
Reação das atletas
Várias esportistas de diferentes modalidades se manifestaram publicamente, usando suas contas pessoais para criticar o conteúdo. A nadadora australiana Ariarne Titmus descreveu a campanha como “furiosa” e apontou que a monetização do corpo feminino ainda é prática comum. A triatleta francesa Mathilde Tily classificou o anúncio como “nojento” e afirmou que nenhum valor deveria convencer uma mulher a se expor dessa forma.
A medalhista de ouro no revezamento 4x100m dos Jogos de Tóquio-2021, Brianna Throssell, filmou-se em piscinas olímpicas para demonstrar que o verdadeiro esporte feminino tem outro visual. A velocista americana Gabby Thomas, campeã olímpica dos 200 metros, reforçou a mensagem ao dizer que a imagem de Sweeney não representa as atletas. A britânica Amy Hunt, tetracampeã europeia, também comentou na zona mista em Budapeste que o comercial distorce a realidade do esporte feminino.
- Ariarne Titmus – nadadora, 25 anos, 5 medalhas olímpicas.
- Mathilde Tily – triatleta, 29 anos, campeã nacional.
- Brianna Throssell – nadadora, medalhista olímpica.
- Gabby Thomas – velocista, campeã olímpica.
- Amy Hunt – velocista, tetracampeã europeia.
Contexto da campanha publicitária
A Novig, empresa de apostas esportivas que lançou o comercial, tem investido em celebridades para ampliar sua presença no mercado brasileiro. Sydney Sweeney, atriz conhecida por “Euphoria” e “A Empregada”, também é acionista da plataforma, o que aumenta a visibilidade da parceria. O roteiro do anúncio destaca que as apostas são “não sobre guerra, não sobre morte, não sobre política. Apenas esporte”, tentando dissociar o conteúdo da polêmica.
O vídeo apresenta Sweeney segurando luvas de boxe, bolas de tênis, raquetes e tacos de golfe, enquanto caminha por um estúdio iluminado. Apesar da presença de equipamentos esportivos, a ênfase recai sobre a nudez parcial da atriz, o que, segundo críticos, transforma o esporte em mero pano de fundo para a exploração sexual.
Impacto da sexualização no esporte feminino
Especialistas em sociologia do esporte apontam que a sexualização das atletas tem raízes históricas, mas ganha nova força com a popularização das mídias digitais. A exposição de corpos femininos como objeto de consumo pode desvalorizar o mérito esportivo e reforçar estereótipos de gênero. Estudos recentes mostram que anúncios que objetificam mulheres reduzem a percepção de competência atlética entre o público.
Além do aspecto cultural, há consequências econômicas. Quando patrocinadores escolhem campanhas baseadas em apelo sexual, recursos são desviados de projetos que poderiam melhorar infraestrutura, treinamento e remuneração das atletas. Isso perpetua a desigualdade salarial entre homens e mulheres no esporte.
Para ilustrar a magnitude do problema, veja alguns dados recentes:
- 70% das campanhas publicitárias esportivas ainda apresentam mulheres em papéis secundários.
- Somente 24% das atletas profissionais recebem patrocínios equivalentes aos homens em esportes de mesmo nível.
- Em 2023, 45% das marcas de vestuário esportivo foram criticadas por usar imagens sexualizadas.
Perspectivas e debates futuros
O caso de Sydney Sweeney pode servir como ponto de partida para regulamentações mais rígidas sobre conteúdo publicitário no esporte. Organizações como a Comissão de Direitos das Mulheres no Esporte (CDME) já propõem diretrizes que proíbam a exploração sexual em campanhas de apostas e marcas de vestuário.
Ao mesmo tempo, atletas têm usado suas plataformas para promover narrativas de empoderamento. Campanhas que celebram a força física, a disciplina e a superação têm ganhado espaço, mostrando que é possível unir marketing e respeito ao corpo feminino.
O futuro do debate dependerá da capacidade das federações esportivas, das agências reguladoras e do público em exigir padrões éticos mais elevados. Enquanto isso, as vozes das atletas continuam a ecoar, lembrando que o esporte deve ser celebrado por habilidades, não por corpos.
Em resumo, o anúncio da Novig com Sydney Sweeney trouxe à tona questões latentes sobre a representação das mulheres no esporte. A reação coletiva das atletas demonstra que a sociedade está atenta e disposta a questionar práticas que consideram desrespeitosas. O caminho para mudanças concretas passa por diálogo, legislação e, sobretudo, pelo apoio ao protagonismo feminino dentro e fora das arenas esportivas.








