Uma pesquisa divulgada nesta segunda‑feira, 14 de setembro de 2024, revelou como eleitores de candidatos de menor expressão podem redistribuir seus votos caso haja um segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O estudo, realizado pela Quaest em parceria com o jornal O Globo, aponta que Flávio Bolsonaro pode captar a maior parte desses eleitores.
Contexto e metodologia da pesquisa
A Quaest entrevistou 2.004 brasileiros com idade igual ou superior a 16 anos entre os dias 10 e 13 de setembro. A amostra tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95 %.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026, garantindo transparência e validade dos resultados. A pesquisa foi encomendada pela Globo em conjunto com o jornal O Globo, reforçando sua credibilidade.
Distribuição de intenções de voto no cenário de segundo turno
Ao simular um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa calculou a preferência dentro dos grupos de eleitores de quatro candidatos menores: Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Os percentuais foram obtidos exclusivamente entre os eleitores de cada candidato.
- Eleitores de Augusto Cury: 41 % optariam por Flávio Bolsonaro, enquanto 25 % escolheriam Lula.
- Eleitores de Renan Santos: 50 % favoreceriam Flávio Bolsonaro contra 18 % de Lula.
- Eleitores de Ronaldo Caiado: 46 % dariam seu voto a Flávio Bolsonaro, frente a 20 % a Lula.
- Eleitores de Romeu Zema: 32 % escolheriam Flávio Bolsonaro e 38 % Lula.
Esses números revelam que, nos grupos analisados, Flávio Bolsonaro tem vantagem significativa, exceto entre os eleitores de Zema, onde Lula lidera ligeiramente.
Perfil dos eleitores de cada candidato
Além das preferências para o segundo turno, a pesquisa detalhou o comportamento de quem ainda não decide ou pretende abster-se. Esses dados ajudam a entender a volatilidade do eleitorado.
- Augusto Cury: 7 % das intenções de voto no primeiro turno; 27 % dos seus eleitores poderiam votar em branco, anular ou não comparecer; 7 % indecisos.
- Renan Santos: 4 % das intenções; 26 % possivelmente votarão em branco, anular ou se ausentarão; 6 % indecisos.
- Ronaldo Caiado: 4 % das intenções; 32 % poderiam optar por voto nulo ou ausência; 2 % indecisos.
- Romeu Zema: 1 % das intenções; 30 % dos seus eleitores podem não votar ou anular; não há percentual de indecisos destacado.
Essas proporções de eleitores que podem se abster ou ainda não decidiram influenciam diretamente a margem que Flávio Bolsonaro pode ganhar ao captar esses grupos.
Implicações para a disputa presidencial
Se o cenário de segundo turno se confirmar, a capacidade de Flávio Bolsonaro de atrair eleitores de Cury, Renan e Caiado pode ser decisiva para superar a liderança de Lula nas pesquisas nacionais. A soma dos percentuais indica que, potencialmente, mais de 130 % dos eleitores desses quatro candidatos poderiam migrar para Flávio, embora seja necessário considerar a parcela que optará por voto em branco ou anular.
Além disso, a presença de um número expressivo de eleitores indecisos – especialmente entre os seguidores de Cury e Renan – cria espaço para campanhas de convencimento nas próximas semanas.
Especialistas apontam que a estratégia de Flávio Bolsonaro deve focar em mensagens que atraiam esses eleitores, destacando temas como segurança pública, economia e valores conservadores, que são frequentemente associados ao eleitorado desses candidatos menores.
Por outro lado, Lula pode buscar ampliar sua base tradicional, reforçando políticas sociais e alianças regionais, bem como trabalhando para reduzir o número de eleitores que pretendem votar em branco.
Em resumo, a pesquisa Quaest oferece um panorama detalhado da dinâmica de transferência de votos, apontando para um possível ganho de Flávio Bolsonaro entre eleitores de candidatos de menor expressão, mas também sinalizando a importância de mobilizar eleitores indecisos e reduzir a abstenção para garantir a vitória no segundo turno.








