A decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) confirmou, sem restrições, a compra da Desktop pela operadora Claro, no valor de R$ 4 bilhões. O aval foi concedido em março de 2024, e a operação tem como foco principal o estado de São Paulo, onde as duas empresas disputam a liderança no segmento de internet fixa.
Detalhes da transação
A compra engloba 73% das ações da Desktop, representando 84 milhões de cotas. O valor total inclui R$ 2,4 bilhões referentes a ativos e R$ 1,6 bilhão de dívida líquida que a Claro assumirá. A participação acionária restante, equivalente a 27%, permanece nas mãos de investidores e será objeto de uma oferta futura da operadora.
Os acionistas que venderam suas cotas são o fundo Makalu Brasil Partners, controlado pela HIG Capital, e alguns acionistas individuais, entre eles o fundador Denio Alves Lindo. A negociação começou no final de 2025, após a Desktop ter avaliado outras propostas, inclusive da Vivo, que não avançaram por divergências de preço.
Impactos no mercado de banda larga
Com a aquisição, a Claro amplia significativamente sua presença em 198 municípios paulistas onde já existia sobreposição de atuação. Em algumas dessas cidades, a soma das participações das duas empresas pode alcançar níveis elevados, mas o Cade considerou que a concorrência permanecerá saudável.
O órgão destacou que a presença de outras operadoras nacionais e de provedores regionais garante a continuidade da disputa por clientes. Além disso, foram apontadas redes alternativas e a possibilidade de entrada de novos concorrentes nos mercados afetados.
Um dos incentivos econômicos previstos no acordo é a desativação gradual de infraestruturas redundantes, evitando custos desnecessários e otimizando a eficiência da rede integrada.
Reações de reguladores e perspectivas futuras
A Anatel, que já havia concedido anuência prévia ao negócio, também analisou a operação. Em 2025, a agência havia sinalizado preocupações sobre possíveis efeitos negativos na concorrência, mas a aprovação final foi mantida após a revisão dos termos.
Especialistas do setor apontam que a consolidação pode trazer benefícios aos consumidores, como investimentos em tecnologia e ampliação de cobertura, embora haja temores de concentração excessiva em áreas estratégicas.
Para a Claro, a compra representa um passo importante na estratégia de diversificação de serviços, reforçando seu portfólio de fibra óptica e preparando o terreno para novos produtos digitais.
- Valor total da operação: R$ 4 bilhões
- Participação adquirida: 73% da Desktop
- Ativos incluídos: R$ 2,4 bilhões
- Dívida assumida: R$ 1,6 bilhão
- Municípios com sobreposição: 198 em São Paulo
O futuro da Desktop, agora sob controle majoritário da Claro, dependerá da integração das redes e da capacidade de oferecer serviços diferenciados em um mercado competitivo. A expectativa é que a combinação das infraestruturas gere sinergias que reduzam custos operacionais e melhorem a qualidade da conexão para os usuários finais.
Observadores do mercado recomendam que os consumidores acompanhem as mudanças nos planos e nas ofertas, pois a nova estrutura pode trazer promoções e pacotes mais atrativos. Ao mesmo tempo, é importante monitorar eventuais impactos regulatórios que possam surgir em decorrência da concentração de ativos.
Em resumo, a aprovação do Cade sinaliza que a operação está alinhada com as normas de concorrência e que o ambiente regulatório brasileiro está aberto a consolidações que tragam ganhos de eficiência, desde que preservem a competição saudável.








