Uma investigação da Polícia Federal revelou que o Banco Master operou uma linha de montagem digital para criar documentos falsos, entre julho e outubro de 2025, na sede da instituição em São Paulo. O esquema combinava ferramentas de escritório, programação e manipulação de arquivos para camuflar créditos consignados inexistentes.
Como funcionava a linha de montagem digital
Os responsáveis iniciavam o processo extraindo informações de clientes que já tinham operações legítimas, sobretudo do produto CredCesta, destinado a servidores públicos e aposentados. Esses dados serviam como matéria‑prima para gerar novos documentos que simulavam contratos reais.
Em seguida, utilizavam recursos como a mala direta do Microsoft Word para gerar procurações em massa, vinculando planilhas contendo nomes, CPFs e demais dados cadastrais a modelos de documentos padrão.
A etapa seguinte consistia em isolar as páginas de assinatura dos PDFs originais, permitindo que fossem reaproveitadas em novos arquivos. Essa prática garantiu que os documentos falsificados mantivessem aparência autêntica, dificultando a detecção por auditorias superficiais.
Etapas da coleta e manipulação de dados
O primeiro passo foi solicitar a lista de CPFs a partir de um canal interno de comunicação. No dia 2 de julho de 2025, às 14h05, o coordenador de controles do back‑office requisitou ao analista de projetos sênior a extração desses números via Microsoft Teams.
O analista compilou os CPFs em um arquivo CSV chamado cpf_cessao.csv e, no dia seguinte, executou uma query SQL (Contratos_Henrique_Dados.sql) que retornou informações detalhadas sobre contratos antigos. O resultado foi exportado para a planilha Dados_cessão.xlsx e enviado por e‑mail aos responsáveis.
Com a planilha em mãos, a equipe verificou a qualidade dos dados. Em conversa interna, um dos analistas apontou que a lista continha registros incompletos, como um CPF com apenas uma proposta de 2019, indicando que a base ainda precisava de filtragem.
Ferramentas tecnológicas empregadas
Além da mala direta do Word, a operação contou com scripts desenvolvidos em C# armazenados no repositório GitHub interno do banco. Esses scripts tinham a função específica de extrair a segunda página de arquivos PDF – a página de assinatura – para reutilização posterior.
Um arquivo compactado denominado erros-whatsapp.zip continha 1.833 PDFs com assinaturas isoladas, enviados por um colaborador da área de tecnologia a outro colega. Essas assinaturas foram inseridas em novos documentos, completando a ilusão de validade.
Para organizar a produção em escala, os documentos foram armazenados em pastas nomeadas de forma sistemática, como Demanda BRB‑Tirreno 2700 amostras, permitindo que centenas de arquivos fossem gerados automaticamente a partir de um único modelo.
Impactos e respostas das autoridades
A descoberta da fraude elevou a tensão nas discussões sobre sigilo de documentos, especialmente após a divulgação de que a Polícia Federal havia apreendido a apresentação interna que detalhava todo o processo. O caso também gerou preocupação entre reguladores financeiros, que temem a replicação de métodos semelhantes em outras instituições.
Como medida preventiva, a Polícia Federal recomendou a revisão de políticas de controle de acesso a dados internos e a adoção de auditorias mais rigorosas sobre a geração de documentos eletrônicos. Além disso, o Ministério da Justiça está analisando a possibilidade de criar normas específicas para o uso de ferramentas de mala direta em ambientes bancários.
O Banco Master ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações, mas fontes internas apontam que a diretoria está preparando um plano de contingência para mitigar os danos à reputação e evitar sanções regulatórias.








