Em 13 de setembro de 2024, o primeiro‑ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou a intenção de firmar uma “aliança única” com a União Europeia, sem que o país se torne membro do bloco. A declaração foi feita em Ottawa, logo após reportagens do Wall Street Journal revelarem que a UE avaliaria um novo tipo de associação para o Canadá.
Contexto da iniciativa canadense
A proposta surge num momento de crescente atrito comercial entre Canadá e Estados Unidos. Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, as relações bilaterais têm se deteriorado, com a imposição de tarifas que afetam dezenas de bilhões de dólares em comércio.
Trump, em entrevista neste domingo, qualificou o Canadá como “o pior para negociar”, mas ao mesmo tempo demonstrou disposição para fechar um acordo, sinalizando novas tarifas sobre automóveis, caminhões e autopeças a partir de 1º de janeiro de 2025.
O que significa ser “membro associado” da UE?
De acordo com o Wall Street Journal, a União Europeia estaria disposta a criar uma categoria inédita de “membro associado” para o Canadá. Esse status ainda não existe e exigiria a definição de regras específicas, representando uma exceção ao rigor habitual da UE ao admitir novos integrantes.
O The Globe and Mail informou que a própria Comissão Europeia sugeriu o termo, mas que ainda é prematuro definir os detalhes da relação. Autoridades europeias não comentaram oficialmente a proposta.
Benefícios econômicos e estratégicos da aliança
As negociações focam em facilitar a circulação de bens, serviços e trabalhadores em setores estratégicos, como energia, inteligência artificial, defesa e minerais críticos. Na prática, a medida aprofundaria a integração econômica entre os dois lados.
Entre os projetos em discussão estão:
- Instalação de cabos submarinos de alta capacidade.
- Construção de centros de dados e expansão de armazenamento em nuvem.
- Desenvolvimento de novas redes de satélite para comunicação.
- Investimentos em infraestrutura para exportar energia limpa canadense à Europa.
Além disso, Carney tem mantido diálogos frequentes com líderes europeus, especialmente com o presidente francês Emmanuel Macron, sobre a possibilidade de permitir que cidadãos canadenses vivam e trabalhem na UE sem necessidade de visto.
Desafios e resistência dentro da UE
Apesar do entusiasmo de alguns membros, a proposta enfrenta resistência. Experiências anteriores mostram que parte da Europa ainda se mostra cautelosa, mesmo diante de acordos comerciais mais modestos.
O acordo comercial entre Canadá e UE, concluído há mais de uma década, ainda não foi ratificado por todos os Estados‑membros, o que evidencia a complexidade de alinhar interesses divergentes.
Portanto, a criação de um novo status de associação exigirá negociações detalhadas, aprovação parlamentar em vários países e a superação de obstáculos políticos internos.
Próximos passos da diplomacia canadense
Carney viajará à França e ao Reino Unido na próxima semana, onde fará um discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e participará da apresentação do Estado da União Europeia, liderada por Ursula von der Leyen.
A Presidência francesa confirmou que Macron e Carney se encontrarão em 20 de setembro em Saint‑Pierre e Miquelon, território francês próximo à costa atlântica do Canadá, para aprofundar as discussões.
Esses encontros servirão para detalhar a viabilidade da associação, definir prioridades setoriais e buscar apoio de países-chave dentro da UE.
Enquanto isso, Ottawa continua sob pressão para diversificar seus parceiros comerciais, reduzindo a dependência dos Estados Unidos e fortalecendo laços com mercados transatlânticos.








