Um documentário dirigido por Alex Gibney, vencedor do Oscar, chegou ao Festival de Veneza na terça‑feira, 8 de setembro, e provocou grande comoção ao ser aplaudido de pé por cerca de cinco minutos. O filme, que tem quase quatro horas, investiga a trajetória de Elon Musk, do surgimento de suas empresas à sua vida íntima, revelando fatos pouco conhecidos sobre o bilionário.
O panorama público e os contratos estratégicos
O longa‑metragem dedica parte considerável ao relacionamento de Musk com o governo dos Estados Unidos. Ele destaca os contratos firmados entre a SpaceX e a NASA, bem como as colaborações com o setor militar, que garantiram à empresa recursos decisivos para o desenvolvimento de foguetes reutilizáveis.
Além disso, o documentário revisita a apresentação da Tesla em 2013, quando Musk prometeu uma tecnologia capaz de trocar a bateria de um carro em apenas noventa segundos. Até hoje, a promessa não se materializou em produto comercial, o que gera dúvidas sobre a viabilidade da ideia original.
Segredos da vida pessoal de Elon Musk
Um dos trechos mais comentados do filme traz o depoimento de Ashley St Clair, mãe de um dos filhos de Musk. Ela relata que o empresário expressou preocupação com um possível colapso da civilização e chegou a mencionar a ideia de ter “uma legião de filhos antes da guerra civil”. Atualmente, Musk tem quatorze filhos reconhecidos publicamente.
St Clair também contou que, pouco antes da eleição presidencial americana de 2024, Musk demonstrou confiança na vitória de Donald Trump. Em uma mensagem enviada a ela, ele escreveu: “Tenho 10 mil lasers no espaço”. O documentário não esclarece o sentido exato da frase, deixando espaço para interpretações variadas.
A construção da imagem e as controvérsias sobre a IA
Justine Musk, primeira esposa de Elon, aparece no filme descrevendo como ele controlava a própria aparência. Segundo ela, Musk dizia: “Não posso parecer descolado ou moderno, pois preciso parecer um engenheiro”. Essa estratégia, segundo a narrativa, ajudou a consolidar a imagem de visionário técnico que o público conhece.
Geoffrey Hinton, vencedor do Nobel e considerado o “padrinho da IA”, também participa do documentário. Hinton manifesta preocupação com a possibilidade de Musk usar dados e ferramentas de inteligência artificial para influenciar eleições futuras. Ele afirma: “Para mim, está bastante claro que Trump está determinado a corromper as eleições de meio de mandato. Se você quisesse corromper essas eleições e quisesse usar IA, tudo o que precisaria fazer seria obter informações detalhadas sobre os cidadãos americanos.”
Reação judicial e expectativas de lançamento
O filme está programado para chegar aos cinemas dos Estados Unidos em 16 de agosto. Entretanto, antes mesmo da estreia, Musk ameaçou processar os responsáveis, alegando que o documentário contém informações falsas e difamatórias, especialmente no que tange à sua suposta influência nas eleições de 2024.
Os realizadores, por sua vez, defendem a obra como uma investigação jornalística baseada em fatos concretos, protegida pela Primeira Emenda dos EUA. Eles ressaltam que o objetivo do longa‑metragem é oferecer ao público uma visão mais completa e crítica sobre um dos empresários mais influentes da era moderna.
Impacto cultural e repercussão nas redes
A estreia no Festival de Veneza gerou um debate intenso nas redes sociais, com usuários divididos entre quem vê o documentário como uma revelação necessária e quem o considera um ataque pessoal ao bilionário. A coluna GENTE, agora presente no Instagram, acompanhou a discussão, incentivando os leitores a seguir o perfil @veja.gente para mais análises.
Com a combinação de entrevistas exclusivas, imagens inéditas e uma narrativa que mescla fatos empresariais e aspectos íntimos, o documentário promete ser um marco na forma como o público percebe Elon Musk. Independentemente das controvérsias jurídicas, a obra já se consolidou como um ponto de referência para quem deseja entender os bastidores da vida de um dos maiores inovadores do século XXI.








