O Rock in Rio, realizado entre os dias 2 e 6 de setembro de 2024, contou com um espaço exclusivo para mulheres, chamado “Rock pra Elas”. O local funcionou todos os dias do festival, atendendo mulheres que enfrentavam ansiedade, vulnerabilidade ou situações de violência. A iniciativa foi coordenada pela psicóloga Tamires Ribeiro e pela Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres do Rio de Janeiro.
Como funciona o espaço ‘Rock pra Elas’
O ambiente foi pensado para ser acolhedor, com decoração suave e áreas de convivência que incentivam o diálogo. Uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogas, assistentes sociais e advogadas, realiza atendimentos presenciais e orientações por WhatsApp.
O serviço inclui escuta qualificada, avaliação de risco e encaminhamentos para serviços de saúde ou assistência social, conforme a necessidade de cada participante. A presença de uma sala interna garante privacidade para casos que exigem maior confidencialidade.
Além do ponto fixo, duplas de profissionais circulam pela Cidade do Rock, realizando rondas próximas a banheiros e áreas de grande circulação. Essa estratégia permite identificar rapidamente sinais de sofrimento ou risco.
Principais demandas e casos atendidos
Durante o festival, a maioria das mulheres relatou crises de ansiedade desencadeadas pelo volume alto, pela multidão e pela intensidade do evento. Em um caso específico, uma jovem ficou sem celular devido à chuva e precisou de apoio para deixar o recinto.
A psicóloga Tamires descreveu que a jovem apresentava sintomas de pânico, como respiração curta e sensação de desorientação. A equipe orientou a saída segura, acompanhando-a até a entrada principal.
Outros relatos incluíram adolescentes perdidos, mulheres que se sentiam isoladas e casos de assédio sexual. Em situações de violência, a advogada Loara Oliveira coordenou o encaminhamento imediato para a polícia ou serviços de apoio.
Para facilitar o contato, QR Codes foram instalados em todas as cabines de banheiro. Ao escanear o código, a pessoa pode iniciar uma conversa via WhatsApp com a equipe de apoio, que responde em tempo real.
- Atendimento psicológico individual
- Orientação jurídica em casos de assédio ou agressão
- Encaminhamento para serviços de saúde e assistência social
- Suporte logístico para saída segura do festival
Estratégias de prevenção e segurança
A prevenção foi um dos pilares da ação. A equipe realizou palestras curtas sobre direitos das mulheres e dicas de autocuidado, distribuídas em folhetos e nas redes sociais do festival.
Rondas constantes nas proximidades dos banheiros ajudaram a reduzir a incidência de situações de vulnerabilidade. Os profissionais estavam treinados para intervir de forma discreta, sem atrapalhar a experiência dos demais participantes.
Além disso, foram instalados pontos de sinalização que indicam a localização do espaço “Rock pra Elas”, facilitando o acesso rápido para quem precisa de ajuda.
O uso de tecnologia, como os QR Codes, permitiu que mulheres em situação de risco buscassem apoio sem precisar chamar a atenção de terceiros, mantendo a confidencialidade.
Impacto e perspectivas para futuros eventos
O “Rock pra Elas” recebeu avaliações positivas tanto das participantes quanto dos organizadores do festival. Muitas mulheres relataram que o espaço fez a diferença entre permanecer no evento ou sair em segurança.
Os dados coletados apontam que mais de 300 atendimentos foram realizados, com um aumento de 45% nas solicitações de apoio psicológico em relação ao último festival.
Com base nesses resultados, a organização do Rock in Rio planeja expandir o modelo para outros grandes eventos culturais no Brasil, incluindo festivais de música eletrônica e shows de artistas internacionais.
Especialistas sugerem que a presença de espaços de acolhimento exclusivos para mulheres pode se tornar um padrão em eventos de grande porte, contribuindo para a redução de violência de gênero e para a promoção da saúde mental.
O sucesso do “Rock pra Elas” também reforça a importância da parceria entre poder público e iniciativa privada na construção de ambientes mais seguros e inclusivos. A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres continuará a monitorar e aprimorar o programa nos próximos anos.
Para quem deseja saber mais sobre o projeto, o site oficial do Rock in Rio disponibiliza um relatório detalhado com números, depoimentos e recomendações para futuros festivais.
Em resumo, o espaço “Rock pra Elas” demonstrou que a combinação de apoio psicológico, orientação jurídica e tecnologia pode transformar a experiência de milhares de mulheres em grandes eventos, tornando-os mais humanos e respeitosos.








