Na tarde da sexta‑feira, 12 de setembro de 2026, o palco Sunset do Rock in Rio recebeu um dos momentos mais inesperados da edição. O trio Gilsons subiu ao palco para iniciar seu set, mas a verdadeira festa só começou depois da intervenção de Olodum e da chegada triunfal de Daniela Mercury. O público, ainda quente da apresentação anterior, acabou testemunhando uma bagunça boa que ficou marcada na história do festival.
O início morno e a expectativa do público
Os primeiros minutos foram marcados por um clima de expectativa. Enquanto o som ainda ecoava de forma baixa para quem estava atrás da primeira torre de som, o trio cantou “Pra gente acordar” e “Proposta”, dois lançamentos de 2022 que não conseguiram levantar a plateia. O público, ainda carregando leques coloridos e lembranças do show de Pedro Sampaio, começou a se dispersar, aproveitando para comprar bebidas e registrar selfies ao fundo da roda‑gigante.
Apesar da aparente falta de energia, o grupo avisou que algo maior estava por vir. A mensagem “Daqui a pouco nossos convidados chegam” ecoou nos alto‑falantes, preparando a plateia para uma surpresa que mudaria totalmente a atmosfera.
Olodum entra e transforma o clima
Quinze minutos após o início, o Olodum invadiu o palco com seus tambores vibrantes e o grito de guerra: “A gente vai começar agora uma bagunça boa”. O ritmo contagiante do samba‑reggae ancestral imediatamente elevou a energia, fazendo o público se levantar em uníssono.
Com a combinação dos três irmãos Gil e a percussão do bloco afro‑brasileiro, foram apresentadas músicas icônicas como:
- “Nossa Gente (Avisa lá)” (1992)
- “Deusa do amor” (1992)
- “Faraó” (1987)
Os refrões foram entoados em coro, e o grito “Êêêê faraó” ecoou por todo o recinto, demonstrando que a fusão entre o pop baiano dos Gilsons e o ritmo pulsante do Olodum era perfeita.
Essa parceria tem raízes profundas: o maior sucesso da banda, “Várias Queixas”, nasceu do repertório do Olodum e, desde então, se tornou indispensável nos shows. A versão “peace and love” gravada em 2019 foi decisiva para projetar o trio a nível nacional.
Daniela Mercury eleva o show a outro nível
Quando o Olodum ainda mantinha a vibração alta, as luzes se apagaram momentaneamente e a silhueta de Daniela Mercury apareceu no horizonte. Vestida com um vestido rendado branco e cabelos cacheados ao vento, ela caminhou lentamente até o centro do palco, recebendo uma salva de palmas ensurdecedora.
O primeiro verso de “Nobre Vagabundo” (1996) foi suficiente para fazer o público cantar junto: “Quanto tempo tem para matar essa saudade…”. A baiana, com sua presença magnética, não saiu mais, comandando o espaço com frases como “Viva o axé, viva a música brasileira, viva a democracia, a gente vai sair dessa”.
Em seguida, Daniela juntou forças com o Olodum para apresentar “Swing da Cor” (1991), um dos maiores hits da sua carreira. Enquanto a percussão marcava o ritmo, os Gilsons rebolavam ao redor, seguindo a brincadeira da cantora: “Vocês me prometeram, meninos”. O clima era de pura celebração.
Esta foi a terceira passagem dos Gilsons pelo Rock in Rio, reforçando sua importância no festival. Daniela, por sua vez, retornou pela terceira vez após 2001 e 2024, enquanto o Olodum marcou sua segunda presença, depois do encontro com BaianaSystem em 2024.
O conjunto dos três atos – Gilsons, Olodum e Daniela Mercury – transformou um início morno em um dos momentos mais memoráveis da edição 2026. Cada artista trouxe sua identidade, mas foi a sinergia entre eles que gerou a explosão de energia que o público tanto aguardava.
Além das performances, o show também destacou a importância da colaboração entre artistas de diferentes gerações e estilos. O pop baiano dos Gilsons encontrou no ritmo afro‑brasileiro do Olodum a base perfeita, enquanto a voz poderosa de Daniela Mercury uniu tudo em um coro de celebração da cultura nacional.
Para quem chegou tarde, ainda havia tempo de aproveitar o clima de festa. As barracas de comida, os drinks coloridos e a roda‑gigante iluminada criavam um cenário de festa contínua, reforçando que o Rock in Rio não é apenas um concerto, mas uma experiência completa.
Em resumo, o show dos Gilsons no Sunset mostrou que, mesmo diante de um início tímido, a união de talentos pode transformar qualquer situação. A bagunça boa anunciada pelo Olodum e a energia contagiante de Daniela Mercury provaram que a música ao vivo ainda tem o poder de unir multidões e criar memórias inesquecíveis.








