O Ministério das Relações Exteriores do Nepal divulgou nesta sexta-feira que a reconstrução das áreas atingidas pela avalanche que ocorreu em agosto de 2026 demandará aproximadamente US$ 4,78 bilhões, o que corresponde a cerca de R$ 24 bilhões. A catástrofe, provocada pelo colapso parcial de uma geleira nas fronteiras com a China, causou mortes, desaparecimentos e destruição de infraestrutura em escala inédita. O anúncio chega no mesmo dia em que o país observa um luto nacional em memória das vítimas.
Impacto humano e busca por desaparecidos
Os números preliminares apontam para 1.398 mortos e mais de 5.500 pessoas desaparecidas, entre turistas, peregrinos e trabalhadores que estavam nas barragens destruídas. As famílias dos desaparecidos expressam crescente frustração diante da lentidão das buscas, apesar da presença constante de equipes militares e civis.
Em Katmandu, dezenas de parentes se reuniram em praças públicas, carregando faixas que questionam: “Quanto tempo vamos ficar esperando em casa e chorando?”. A pressão popular tem sido acompanhada por declarações de representantes de organizações de direitos humanos, que exigem maior transparência nas operações de resgate.
Até o 13º dia consecutivo, os grupos de busca continuam a vasculhar túneis, vales e estruturas colapsadas, mantendo a mesma intensidade do primeiro dia. Entre os poucos sobreviventes resgatados estão três trabalhadores — dois nepaleses e um chinês — e uma idosa que foi libertada dos escombros de sua casa durante o fim de semana.
Desafios da reconstrução e custos estimados
O custo total de US$ 4,78 bilhões inclui a reconstrução de estradas, pontes, residências e instalações de energia que foram totalmente devastadas. O governo planeja destinar recursos para a reposição de infraestruturas críticas, como a barragem Trishuli-3, que era essencial para o abastecimento de energia da região.
Especialistas apontam que a magnitude dos danos exigirá não apenas investimento financeiro, mas também um esforço coordenado entre agências nacionais e organismos internacionais. O Fundo de Emergência da ONU, o Banco Mundial e outras entidades já manifestaram interesse em apoiar o plano de reconstrução.
Para facilitar a execução dos projetos, o Ministério das Relações Exteriores criou um comitê interministerial responsável por priorizar áreas de maior vulnerabilidade e garantir que os recursos sejam alocados de forma eficiente.
- Reparação de estradas e pontes estratégicas;
- Reconstrução de casas e abrigos temporários;
- Restabelecimento de sistemas de energia elétrica e água;
- Reforço de barragens e estruturas de contenção de desastres.
Reações nacionais e internacionais
O presidente do Nepal decretou luto nacional de um dia, ordenando que todas as bandeiras oficiais sejam hasteadas a meio-mastro. A cerimônia de luto, realizada em Katmandu, contou com a presença de autoridades, representantes de organizações humanitárias e familiares das vítimas.
Vozes internacionais também se fizeram ouvir. O especialista australiano Arnold Dix, que participa das operações de resgate, destacou as dificuldades sem precedentes enfrentadas pelas equipes, como acesso limitado a áreas remotas e condições climáticas adversas.
Países vizinhos, como a China, ofereceram apoio logístico e material para as equipes de busca. Organizações não governamentais internacionais enviaram equipes médicas, suprimentos de primeiros socorros e equipamentos de comunicação.
Enquanto o governo trabalha na formulação de um plano de longo prazo, a população permanece em estado de alerta, temendo novos deslizamentos e enchentes. As autoridades reforçaram alertas meteorológicos e emitiram recomendações de evacuação para áreas de risco.
O futuro do Nepal dependerá da capacidade de mobilizar recursos, coordenar esforços de reconstrução e atender às demandas das famílias que ainda aguardam notícias de seus entes queridos. O país busca transformar a tragédia em um marco de resiliência e preparação para desastres futuros.








