Na manhã da última sexta-feira (11), o grupo rebelde Houthi chegou à cidade portuária de Dhubab e à ilha de Perim, duas localidades estratégicas situadas no sudoeste do Iêmen, na região do Estreito de Bab el-Mandeb. Essa movimentação coloca os insurgentes ainda mais próximos de dominar o acesso ao Mar Vermelho, uma rota marítima vital para o comércio internacional.
Contexto do avanço houthi
Os Houthis, apoiados pelo Irã, intensificaram suas operações nas últimas semanas, após a conquista da cidade de Mocha na quinta‑feira anterior. A tomada de Mocha serviu como ponto de partida para a ofensiva rumo ao sul, onde se encontravam Dhubab e a ilha de Perim, ambas controlando rotas de navegação cruciais.
Fontes do governo iemenita confirmaram à Reuters a presença dos combatentes houthi em ambas as localidades, embora ainda não fosse possível verificar se o controle efetivo já havia sido estabelecido. O grupo tem mantido uma estratégia de expansão rápida, aproveitando a fragilidade das forças governamentais e a distração de outros atores regionais.
O conflito interno no Iêmen já dura mais de uma década, mas o ressurgimento da violência nas últimas semanas está diretamente ligado à escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo principalmente Estados Unidos, Irã e Israel. Essa dinâmica tem alimentado novos focos de combate, como o atual cerco ao Estreito de Bab el-Mandeb.
Implicações estratégicas para o Mar Vermelho
O Estreito de Bab el-Mandeb é considerado um dos gargalos mais importantes do comércio marítimo mundial, pois conecta o Oceano Índico ao Mar Vermelho e, por conseguinte, ao Canal de Suez. Qualquer interrupção nesse ponto pode afetar o trânsito de milhares de navios, impactando o preço dos combustíveis e das commodities.
O Irã tem utilizado os Houthis como ferramenta para pressionar a navegação internacional, ameaçando fechar o estreito caso suas exigências não sejam atendidas. Essa postura segue a estratégia adotada anteriormente no Estreito de Ormuz, onde o Irã limitou temporariamente a passagem de navios comerciais.
Apesar dos avanços houthi, os próprios insurgentes declararam que o tráfego internacional ainda permanece ininterrupto, numa tentativa de evitar uma reação militar direta que poderia intensificar ainda mais o conflito.
Reação da Arábia Saudita e dos aliados
A Arábia Saudita, que tem sido alvo de bloqueios marítimos impostos pelos Houthis desde julho, respondeu com uma série de bombardeios aéreos contra o aeroporto de Mocha, alvo estratégico para as forças houthi. Essa ação demonstra a disposição saudita de usar a força aérea para conter a expansão do grupo no sul do Iêmen.
Além das operações aéreas, a coalizão liderada pelos sauditas tem reforçado a presença naval nas proximidades do Estreito, buscando garantir a livre circulação de navios comerciais e prevenir possíveis bloqueios. O apoio logístico e de inteligência dos Estados Unidos tem sido fundamental para monitorar a movimentação dos insurgentes.
Entretanto, a situação permanece volátil, pois a presença de minas marítimas e a possibilidade de ataques de mísseis costeiros aumentam o risco para a navegação civil. Empresas de transporte marítimo têm sido aconselhadas a adotar rotas alternativas ou a esperar por garantias de segurança antes de atravessar o estreito.
Perspectivas para o futuro do conflito iemenita
Os analistas apontam que o controle de Dhubab e da ilha de Perim pode representar um ponto de inflexão no conflito, permitindo que os Houthis exerçam maior pressão sobre a rota marítima e, potencialmente, negociem concessões políticas ou econômicas. Contudo, a resposta militar da coalizão saudita e o envolvimento de potências externas podem impedir que os insurgentes consolidem seu domínio.
Enquanto isso, a população civil iemenita continua a sofrer com a escassez de alimentos, água e serviços básicos, agravada pelos constantes bombardeios e bloqueios. Organizações humanitárias têm alertado para o risco de uma crise humanitária ainda maior caso o acesso ao Mar Vermelho seja comprometido.
Em resumo, o avanço dos Houthis para Dhubab e Perim destaca a complexidade do cenário geopolítico no Oriente Médio, onde conflitos locais se entrelaçam com disputas de poder globais. A comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos, na esperança de evitar uma escalada que possa afetar o comércio mundial e a estabilidade regional.








