No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado em 10 de setembro, a Prefeitura de Guarulhos reforçou a importância de ouvir quem sofre em silêncio e garantir acesso rápido ao cuidado em saúde mental. A campanha local, alinhada ao Setembro Amarelo, destaca que o silêncio pode ser um pedido de ajuda e que a comunidade deve estar atenta a mudanças de comportamento.
Rede de CAPS em Guarulhos
Guarulhos conta com quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para a população adulta: CAPS II Bom Clima, CAPS II Osório César, CAPS II Arco‑Íris e CAPS III Alvorecer. Cada unidade oferece atendimento especializado, avaliações multidisciplinares e acompanhamento contínuo.
Além dos CAPS adultos, a cidade dispõe de serviços voltados para crianças, adolescentes, usuários de álcool e outras drogas, e o TEAR (Território de Ensino e Acolhimento de Referência). Essa diversidade amplia o alcance do cuidado em saúde mental para diferentes faixas etárias e necessidades específicas.
Entre janeiro e agosto de 2024, os CAPS adultos registraram 3.253 acolhimentos, um aumento de 44% em relação ao mesmo período de 2023, quando foram 2.259 atendimentos. Esse crescimento reflete tanto a maior demanda quanto a ampliação das estratégias de divulgação e encaminhamento.
O acolhimento funciona como porta de entrada: no primeiro contato a pessoa expõe suas necessidades, recebe escuta qualificada e tem seu caso avaliado para definir o acompanhamento mais adequado.
Histórias de quem encontrou apoio
R.H., 39 anos, dona de casa, relata que o CAPS foi crucial tanto para seu tratamento de saúde mental quanto para superar a dependência de drogas. Ela destaca mudanças positivas na relação com a família e descreve o serviço como um espaço de alegria, amor e respeito.
D.R.M.D., 44 anos, afirma que o acompanhamento lhe proporcionou mais segurança, coragem e capacidade de enfrentar os desafios cotidianos. Segundo ela, o suporte profissional ajudou a reconstruir sua autoestima.
J.J.M.I., 60 anos, ajudante de serviços gerais, acompanha o CAPS há vários anos e percebe uma melhora progressiva. Ele enfatiza que o suporte dos profissionais o faz sentir-se bem e recomenda que quem enfrenta dificuldades procure ajuda imediatamente.
Dalva Lúcia Romeu, gerente do CAPS II Osório César, reforça que a escuta sem julgamentos e o acolhimento são pilares do trabalho. Para ela, contribuir para que alguém se conheça melhor e encontre novos caminhos é a maior recompensa da profissão.
Como identificar sinais e buscar ajuda
A campanha municipal alerta que nem sempre quem sofre conseguirá expressar claramente seu sofrimento. Mudanças de comportamento, isolamento, perda de interesse por atividades habituais e alterações na forma de agir são indicadores de alerta.
Quando observar esses sinais, não é necessário ter todas as respostas. Aproximar‑se, perguntar como a pessoa está, oferecer espaço para que ela fale e ouvir sem julgamentos são gestos que já fazem diferença.
Se necessário, ajude a pessoa a buscar atendimento profissional. Em Guarulhos, os encaminhamentos podem ser feitos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou diretamente nos CAPS.
- Isolamento social prolongado
- Desânimo ou falta de energia
- Alterações no sono ou no apetite
- Comportamento impulsivo ou autodestrutivo
- Expressões de desesperança ou culpa
Em situações de urgência, a orientação é procurar um serviço de emergência ou acionar o SAMU (192). O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio telefônico 24 horas.
Ao promover a escuta ativa e facilitar o acesso ao cuidado, Guarulhos demonstra compromisso com a prevenção ao suicídio e com a construção de uma rede de apoio sólida e humana.








