Em janeiro de 2025, a produtora responsável pelo filme biográfico “Dark Horse” adquiriu um veículo utilitário esportivo híbrido pagando R$ 102.190 em dinheiro vivo, o que acionou a comunicação obrigatória ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A operação foi registrada após a decisão do ministro Flávio Dino, que autorizou medidas investigativas da Polícia Federal. O fato ocorreu na concessionária BYD Dahruj, localizada na capital paulista.
Detalhes da compra e do alerta do Coaf
A compra foi concluída no dia 13 de janeiro de 2025, quando Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment Ltda., pagou integralmente em espécie o modelo BYD Song Plus 1.5 16V automático híbrido, ano modelo 2025. O valor pago ficou bem abaixo da cotação de R$ 184.858 apontada pela Tabela Fipe, gerando uma diferença de R$ 82.668 que não foi explicada nos documentos oficiais.
O Coaf recebeu a comunicação porque a operação ultrapassou os limites de monitoramento automático: R$ 50 mil para transações bancárias e R$ 100 mil para movimentações em cartórios. Quando valores em espécie superam esses patamares, a instituição financeira ou o estabelecimento comercial é obrigado por lei a reportar a operação, independentemente de existir indício de crime.
Segundo a decisão judicial, o pagamento em dinheiro foi destacado como informação relevante dentro do contexto da investigação, mas a simples notificação ao Coaf não constitui, por si só, acusação de prática ilícita.
Contexto da investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria‑Geral da União, realizou, no dia 10 de julho de 2025, 49 mandados de busca e apreensão na chamada operação “Make Up”. Além de Karina Ferreira da Gama, o deputado federal Mario Frias também foi alvo das diligências. Não houve emissão de mandados de prisão; a ação concentrou‑se na apreensão de documentos, dispositivos eletrônicos e registros financeiros.
A investigação tem como foco um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. O Instituto Conhecimento Brasil (ICB), do qual Karina é presidente, teria recebido recursos vinculados a emendas apresentadas por Mario Frias quando ainda era deputado.
O documento aponta que a Go Up Entertainment recebeu recursos de pessoas e empresas ligadas ao núcleo investigado, sugerindo uma “possível integração patrimonial e operacional” entre as entidades beneficiadas pelas emendas e a produtora do filme.
- Peculato
- Falsidade documental
- Lavagem de dinheiro
- Organização criminosa
- Crimes licitatórios
Essas tipificações reforçam a gravidade da apuração e indicam que as autoridades pretendem esclarecer se houve desvio de recursos, uso indevido de verbas públicas ou até mesmo a lavagem de dinheiro por meio da produção cinematográfica.
Implicações e possíveis desdobramentos
Embora a comunicação ao Coaf não implique culpa automática, ela eleva o grau de atenção sobre a origem e a destinação dos recursos utilizados na produção de “Dark Horse”. Caso a investigação confirme a existência de um esquema de desvio, a empresa Go Up Entertainment poderá enfrentar bloqueios de bens, multas e até a suspensão de projetos futuros.
Para a indústria cinematográfica, o caso serve como alerta sobre a necessidade de transparência nas fontes de financiamento, sobretudo quando envolvem recursos de natureza pública. A prática de pagamentos em espécie, ainda que legal, dificulta o rastreamento e pode ser interpretada como tentativa de ocultar a origem dos recursos.
Do ponto de vista político, a associação entre o filme e figuras como Mario Frias pode gerar repercussões nas discussões sobre a prestação de contas de emendas parlamentares. O debate pode se intensificar no Congresso, pressionando por reformas mais rígidas nos mecanismos de controle e auditoria de verbas públicas.
Por fim, o caso ainda está em fase preliminar. As autoridades ainda não divulgaram conclusões definitivas, mas a continuidade das investigações pode trazer novos documentos e depoimentos que esclareçam a diferença de valores entre o preço pago e a cotação da Fipe, bem como a eventual existência de acordos financeiros ocultos.








