O Ministério da Saúde recomendou, nesta segunda‑feira (3 de setembro de 2026), a vacinação contra o sarampo para toda a população de 6 meses a 59 anos nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos, após a confirmação de novos casos da doença. A medida visa conter a propagação de um vírus altamente contagioso que já registrou 16 casos no estado neste ano. A orientação vale mesmo para quem já recebeu a dose padrão da tríplice viral.
Situação epidemiológica em 2026
Em 2026, o estado de São Paulo confirmou o décimo‑sexto caso de sarampo, ampliando o alerta sanitário que já havia registrado dois episódios no ano anterior. Os municípios mais afetados foram São Paulo, São Bernardo do Campo, no ABC, e Guarulhos, na região metropolitana, onde a transmissão local se mostrou mais intensa. As autoridades de saúde apontam que a baixa cobertura vacinal nas áreas periféricas contribuiu para a reemergência do vírus.
Os casos confirmados foram todos de crianças menores de cinco anos, faixa etária que historicamente apresenta maior vulnerabilidade ao sarampo. Além disso, foram identificados alguns adultos imunodeprimidos que desenvolveram complicações graves, reforçando a necessidade de ampliar a proteção a toda a população. O rastreamento de contatos revelou que a transmissão ocorreu em ambientes escolares, creches e unidades de saúde, locais onde o vírus pode permanecer suspenso no ar por até duas horas.
Quem deve receber a dose zero da tríplice viral
Para interromper a cadeia de transmissão, o Ministério da Saúde lançou a campanha da dose zero da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) direcionada a bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias nas três cidades citadas. Essa dose inicial não substitui as duas doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação, mas serve como reforço imediato para quem ainda não completou o esquema básico. As crianças devem seguir, depois da dose zero, o calendário regular de duas doses com intervalo de quatro semanas entre elas.
- Primeira dose padrão: 12 meses de idade;
- Segunda dose padrão: 15 meses de idade;
- Reforço em situações de surto: dose zero antes das doses padrão.
Os responsáveis pelas crianças devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para agendar a aplicação, apresentando o cartão de vacinação ou, na falta deste, o documento de identidade da criança. A vacinação é gratuita e está disponível em todas as 645 UBSs do estado de São Paulo. O prazo para receber a dose zero foi estabelecido até o final de outubro de 2026, mas a campanha pode ser prorrogada caso novos casos sejam identificados.
Sintomas, transmissão e possíveis complicações
O sarampo é uma doença viral de transmissão respiratória que se manifesta com febre alta, manchas vermelhas (exantema) que começam no rosto e se espalham pelo corpo, conjuntivite, coriza, mal‑estar e tosse seca. Os sintomas geralmente surgem de quatro a seis dias após a infecção, período conhecido como incubação, e a pessoa infectada pode transmitir o vírus de seis dias antes ao aparecimento das manchas até quatro dias depois.
- Febre alta persistente;
- Exantema maculopapular que cobre todo o corpo;
- Conjuntivite bilateral;
- Coriza e tosse seca;
- Mal‑estar geral.
Embora a maioria dos casos evolua de forma leve, o sarampo pode desencadear complicações graves, como pneumonia, otite média, encefalite e, em situações extremas, óbito. Crianças menores de um ano, gestantes e pessoas com sistema imunológico comprometido são as que correm maior risco de desenvolver essas complicações. Por isso, a vacinação precoce é a estratégia mais eficaz para evitar hospitalizações e mortes evitáveis.
Segurança, contraindicações e orientações para gestantes
A vacina tríplice viral é considerada segura e altamente eficaz, sendo uma das vacinas com menos restrições de uso no mundo. Os efeitos adversos mais comuns são dor e vermelhidão no local da aplicação, febre baixa e irritabilidade, que desaparecem em poucos dias sem necessidade de intervenção médica.
- Contraindicação absoluta: imunossuprimidos e bebês menores de 6 meses;
- Contraindicação relativa: alergia comprovada a algum componente da vacina ou reação adversa grave em dose anterior;
- Gestantes: não devem receber a vacina, pois contém vírus vivo atenuado que pode representar risco ao feto.
Quem tem dúvidas sobre a elegibilidade deve buscar orientação em sua UBS, onde profissionais de saúde podem avaliar histórico médico e indicar a melhor conduta. Caso a gestante precise de proteção, a recomendação é adiar a vacinação até o pós‑parto e, durante a gestação, reforçar medidas de higiene e evitar contato próximo com pessoas infectadas.
Em resumo, a campanha de vacinação contra o sarampo nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos representa um esforço coordenado para proteger a população, reduzir a circulação do vírus e evitar um novo surto. A adesão de todos os cidadãos entre 6 meses e 59 anos, independentemente de já terem sido vacinados ou não, é essencial para alcançar a chamada imunidade de rebanho. Ao combinar informação clara, acesso gratuito à vacina e vigilância epidemiológica, as autoridades esperam interromper a cadeia de transmissão e garantir um futuro livre do sarampo para as próximas gerações.








