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Entenda o sensor de glicose no braço de José Loreto em ‘Quem Ama Cuida’

O pequeno disco branco que aparece no braço de José Loreto nas gravações de Quem Ama Cuida é um sensor de monitoramento contínuo de glicose, tecnologia adotada por pessoas que vivem com diabetes para acompanhar as variações da glicemia ao longo do dia. O ator, que tem diabetes tipo 1 desde os 14 anos, foi visto usando o aparelho nas filmagens gravadas em março de 2024, no estúdio da Globo, em Rio de Janeiro.

Como funciona o sensor de monitoramento contínuo

O dispositivo fica preso à pele por meio de um adesivo e possui um filamento extremamente fino que penetra logo abaixo da camada cutânea. Diferente do teste tradicional, que exige uma gota de sangue obtida na ponta do dedo, o sensor mede a glicose presente no líquido intersticial, o espaço entre as células.

Essa medição ocorre de forma automática a cada poucos minutos, gerando dezenas de leituras ao longo de 24 horas. Os dados são transmitidos sem fio para um leitor dedicado ou para o smartphone do usuário, permitindo que o paciente visualize não só o valor atual da glicose, mas também a tendência – se está subindo, estável ou caindo.

Alguns modelos avançados ainda emitem alertas sonoros ou vibrações quando detectam risco iminente de hipoglicemia (glicose muito baixa) ou hiperglicemia (glicose muito alta). Esses avisos podem ser configurados para aparecerem durante o sono, quando a pessoa está menos atenta aos sinais físicos.

Benefícios e alertas para quem tem diabetes tipo 1

Para quem convive com diabetes tipo 1, o sensor não substitui a insulina, mas complementa o tratamento ao fornecer informações cruciais para a tomada de decisão. A insulina ainda precisa ser administrada por meio de injeções ou bombas, pois o pâncreas não produz o hormônio.

Com as leituras em tempo real, o paciente pode, sob orientação médica, corrigir uma glicemia elevada, ingerir carboidratos rápidos quando a glicose começa a cair ou ajustar a dose de insulina antes das refeições.

Um número isolado, como 100 mg/dL, pode ter interpretações diferentes dependendo da direção da tendência. Se a seta indica queda rápida, o risco de hipoglicemia aumenta; se a tendência é de estabilidade, o valor pode ser considerado dentro da meta.

O endocrinologista Clayton Macedo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que a capacidade de perceber uma queda antes que a glicose atinja níveis críticos reduz significativamente a ocorrência de episódios graves, sobretudo durante a noite.

  • Hipoglicemia: tremores, suor, palpitação, confusão, até perda de consciência.
  • Hiperglicemia: sede excessiva, urina frequente, fadiga, risco de cetoacidose diabética.

Além disso, o monitoramento contínuo ajuda a identificar padrões relacionados a alimentação, prática de exercícios, estresse ou infecções, permitindo ajustes mais precisos no plano terapêutico.

Diferença entre sensor e glicemia capilar

A medição tradicional de glicemia capilar ainda é amplamente utilizada. Ela requer a punção de um dedo para coletar uma gota de sangue, que é analisada por um medidor portátil. Essa prática costuma ser feita várias vezes ao dia, especialmente antes das refeições e antes de dormir.

O sensor, por sua vez, registra a glicose no líquido intersticial, o que gera um pequeno atraso em relação ao sangue periférico. Esse descompasso é mais perceptível quando os níveis de glicose mudam rapidamente, como durante exercícios intensos ou após ingestão de alimentos ricos em carboidrato.

Apesar do atraso, a informação contínua oferecida pelo sensor compensa a diferença, pois permite observar a curva completa da glicemia ao longo do dia, em vez de pontos isolados.

Para a endocrinologista Joana Dantas, da SBEM e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a combinação dos dois métodos pode ser ideal: o sensor fornece a visão geral e os alertas, enquanto a medição capilar confirma valores críticos quando necessário.

Em resumo, o disco branco no braço de José Loreto representa mais que um detalhe de figurino; ele simboliza a tecnologia que tem transformado a vida de milhares de brasileiros com diabetes tipo 1, oferecendo segurança, autonomia e qualidade de vida.

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