Um relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) divulgado na terça‑feira, 8 de outubro, apontou uma queda histórica no desempenho dos países mais ricos, integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O estudo, considerado o maior levantamento sobre educação no mundo, analisou mais de 760 mil estudantes de 91 nações e mostrou que a média de pontuação desses países diminuiu significativamente nos últimos dez anos.
Desempenho geral dos países da OCDE
Nos últimos dez anos, a pontuação média dos estudantes da OCDE recuou 28 pontos, equivalente a mais de um ano de aprendizado escolar, segundo a referência de que 20 pontos correspondem a um ano de estudos. Em contraste, as economias fora da OCDE perderam, em média, apenas 16 pontos no mesmo período.
A queda foi mais acentuada em matemática, com um retrocesso de 22 pontos, enquanto as demais economias registraram apenas 8 pontos de perda. Em ciências, a média da OCDE diminuiu 7 pontos entre 2015 e 2025, mantendo‑se relativamente estável nos países não‑OCDE.
O relatório também revelou que 29% dos adolescentes da OCDE foram classificados como de baixo desempenho simultaneamente em leitura, matemática e ciências, acima dos 25% registrados em 2022. Essa proporção indica um aumento preocupante de estudantes com dificuldades em múltiplas áreas.
Causas apontadas para a queda nas competências
Os analistas do PISA apontam diversos fatores que podem explicar o declínio, especialmente nas áreas de leitura e matemática. Entre as causas mais citadas estão:
- Uso crescente de smartphones, que reduz a capacidade de concentração em tarefas prolongadas;
- Falta de curiosidade e diminuição da perseverança diante de desafios acadêmicos;
- Ausência ou atraso nas aulas, que afeta diretamente o aprendizado em matemática;
- Aumento da indisciplina e violência nas escolas, comprometendo o ambiente de ensino.
Além disso, o documento destaca que quase 16% dos estudantes da OCDE consideram o aprendizado de novos assuntos entediante, refletindo um desinteresse geral que pode agravar ainda mais os resultados.
Impactos e comparações internacionais
Mesmo países tradicionalmente reconhecidos pela qualidade educacional, como a Finlândia, não escaparam da tendência de queda: a nação nórdica perdeu 80 pontos em matemática e 73 em leitura. Portugal e Espanha também apresentaram perdas consideráveis, ficando atrás da Finlândia nas duas áreas avaliadas.
No cenário global, a deterioração do desempenho dos países ricos estreitou a diferença entre a média da OCDE e a realidade brasileira. Embora o Brasil ainda ocupe posições baixas – 24ª em matemática, 36ª em leitura e 24ª em ciências – a distância para a média da OCDE diminuiu nas duas últimas décadas.
Entretanto, o panorama brasileiro permanece desafiador. O país tem registrado pequenos avanços pontuais, mas ainda enfrenta grandes obstáculos para melhorar seu posicionamento nos rankings internacionais de educação.
Especialistas sugerem que políticas públicas focadas em revitalizar o interesse dos alunos, melhorar a disciplina escolar e reduzir a dependência de dispositivos digitais podem ser caminhos essenciais para reverter a tendência de queda, tanto nos países da OCDE quanto no Brasil.
O PISA continuará a monitorar essas tendências nas próximas edições, oferecendo dados valiosos para governos, educadores e sociedade civil que buscam soluções eficazes para elevar a qualidade da educação mundial.








