Em 2025, mais de mil pessoas foram mortas ou feridas por bombas de fragmentação, a maioria delas civis, e a maior parte dos casos ocorreu na Ucrânia. O relatório divulgado em 8 de julho revelou os números alarmantes e destacou a continuidade do uso dessas armas apesar das proibições internacionais. O cenário evidencia um grave retrocesso nos esforços de proteção de populações vulneráveis em zonas de conflito.
Impacto humanitário das bombas de fragmentação
As bombas de fragmentação são dispositivos que liberam centenas de submunições explosivas ao serem lançadas, seja por aviões, foguetes ou mísseis. Cada submunição funciona como uma pequena bomba, capaz de causar ferimentos graves ou morte instantânea. Quando uma dessas armas falha, as submunições permanecem no solo, transformando-se em minas improvisadas que continuam a ameaçar civis por anos.
Os dados do relatório indicam que 87% das vítimas em 2025 eram civis, o que demonstra que a maior parte das consequências recai sobre a população que não participa dos combates. Entre os feridos, há crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida, que enfrentam não apenas lesões físicas, mas também traumas psicológicos profundos.
Além das perdas humanas, as comunidades afetadas sofrem com a destruição de infraestrutura civil, como escolas, hospitais e moradias. A presença de submunições não detonadas impede a reconstrução e gera medo permanente, limitando o retorno seguro dos deslocados.
Uso das armas em conflitos atuais
Desde a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, o país tem sido o epicentro do uso de bombas de fragmentação, registrando 927 vítimas em 2025, o que corresponde a 87% do total mundial. Essa estatística coloca a Ucrânia como o país com maior número de vítimas, superando todos os demais conflitos analisados.
Outros Estados que empregaram essas armas no mesmo período incluem Irã, Mianmar, Rússia e Tailândia. Todos esses países ainda não ratificaram a Convenção de Oslo de 2008, que proíbe o uso, a produção e a transferência de munições de fragmentação.
- Irã – lançou bombas de fragmentação em direção a áreas civis, incluindo ataques a Tel Aviv.
- Mianmar – utilizou submunições em operações contra grupos insurgentes, afetando vilarejos.
- Rússia – continuou a empregar bombas de fragmentação em regiões ocupadas da Ucrânia.
- Tailândia – empregou essas armas em conflitos internos no sul do país.
- Ucrânia – apesar de ser alvo, também tem sido acusada de uso em algumas frentes de batalha.
O relatório abrange todo o ano de 2025 e o primeiro semestre de 2026, mostrando que a tendência de uso não diminuiu, ao contrário, manteve-se estável ou até aumentou em alguns teatros de guerra.
Especialistas apontam que a facilidade de produção e o baixo custo das bombas de fragmentação são fatores que incentivam sua adoção por forças armadas e grupos armados não estatais. A falta de mecanismos de rastreamento e controle também contribui para a disseminação desses artefatos.
Desafios para o desarmamento e a comunidade internacional
A Convenção de Oslo, assinada em 2008, estabelece a proibição total das bombas de fragmentação, mas sua eficácia depende da adesão universal e da implementação de mecanismos de verificação. Até o momento, apenas 100 países ratificaram o tratado, deixando um grande número de nações fora do acordo.
Um dos principais obstáculos ao desarmamento é a relutância de alguns Estados em renunciar a um armamento que consideram estratégico. Além disso, a falta de recursos para a remoção de submunições não detonadas dificulta a limpeza de áreas contaminadas.
Organizações não governamentais, como a Coalizão contra Munições de Fragmentação (CMC), têm desempenhado um papel crucial ao documentar casos, pressionar governos e promover campanhas de conscientização. Seu relatório anual serve como ferramenta de advocacy para pressionar os países a assinarem e cumprirem a convenção.
Para avançar na erradicação dessas armas, é necessário fortalecer os mecanismos de monitoramento, ampliar a cooperação internacional para o desmantelamento de estoques e investir em tecnologias de detecção e remoção de submunições. Programas de educação e sensibilização nas comunidades afetadas também são essenciais para reduzir o risco de acidentes.
Em síntese, o aumento das vítimas de bombas de fragmentação em 2025 evidencia a urgência de uma resposta coordenada da comunidade global. Enquanto a Ucrânia continua a suportar a maior carga de sofrimento, a pressão sobre os países que ainda não ratificaram a Convenção de Oslo deve se intensificar, a fim de impedir que novas gerações sejam vítimas de armamentos indiscriminados.








