Na madrugada de terça‑feira, 8 de maio, a Rússia lançou uma série de ataques aéreos contra Kiev, poucos minutos após a saída dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner da capital ucraniana. As ofensivas, realizadas com mísseis balísticos, de cruzeiro e drones, deixaram ao menos duas mortes confirmadas e dezenas de feridos, além de provocar incêndios e danos em edifícios residenciais. O incidente ocorreu em meio a uma nova rodada de negociações de paz promovidas pelos Estados Unidos.
Conflito intensificado: bombardeios em Kiev e regiões vizinhas
Autoridades ucranianas relataram que, entre 02:00 e 04:30, mais de 166 drones e dezenas de mísseis cruzaram o espaço aéreo de Kiev, concentrando a maior parte dos impactos em áreas civis. O prefeito da cidade, Vitali Klitschko, informou que moradores ficaram presos em blocos residenciais quando as explosões atingiram estruturas de cinco e três andares. Entre os alvos civis, foram danificados um alojamento estudantil, uma escola, uma clínica e vários galpões de armazenamento.
Os danos materiais foram extensos: ao menos 14 prédios residenciais sofreram destruição parcial, enquanto um edifício de cinco andares teve a fachada desmoronada por estilhaços de mísseis. Bombeiros trabalharam durante horas para conter incêndios em uma oficina mecânica e em um prédio de apartamentos, enquanto equipes de resgate liberavam vítimas feridas.
- 2 mortos confirmados
- 10 feridos graves
- Incêndios em 3 edifícios residenciais
- Danos em 14 prédios, 1 escola e 1 clínica
Além de Kiev, a região de Odessa também sofreu ataques coordenados, com alvos militares e logísticos sendo atingidos. A Força Aérea da Ucrânia declarou que abateu 142 drones, 31 dos 32 mísseis de cruzeiro lançados e dois mísseis balísticos, reduzindo significativamente a eficácia da ofensiva russa.
Retaliações ucranianas e respostas russas
No mesmo período, a Ucrânia respondeu com ataques de drones sobre a região de Saratov, às margens do rio Volga. Autoridades russas confirmaram que drones ucranianos atingiram infraestrutura civil, incluindo a grande refinaria da Rosneft, provocando feridos e danos materiais. Um ataque adicional na cidade fronteiriça de Starodub, na região de Bryansk, resultou na morte de um civil, segundo o governador interino Yegor Kovalchuk.
O Ministério da Defesa da Rússia, por sua vez, justificou os bombardeios alegando que os alvos eram instalações militares e logísticas, citando um suposto porto de Chornomorsk, no Mar Negro, como um dos pontos críticos atingidos. Ainda assim, organizações de direitos humanos alertaram que a maioria dos impactos recaiu sobre áreas civis, violando normas internacionais de proteção de civis em conflitos armados.
- Alvos ucranianos: refinaria Rosneft, instalações industriais
- Alvos russos: instalações militares em Kiev, porto de Chornomorsk
- Perdas civis: 2 mortos (Ucrânia), 1 morto (Rússia)
Os confrontos aéreos também provocaram reações de países vizinhos. A Polônia, membro da OTAN e da União Europeia, mobilizou aeronaves de defesa aérea e realizou operações preventivas para proteger seu espaço aéreo, suspendendo temporariamente as atividades do aeroporto de Lublin.
Impactos diplomáticos e reações internacionais
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia vinculou a nova ofensiva ao momento diplomático delicado, afirmando que o presidente Vladimir Putin teria ordenado o ataque logo após a partida dos negociadores americanos. Em postagens nas redes sociais, o chanceler Andrii Sybiha destacou que a escalada militar poderia comprometer as negociações de paz em curso.
Nos Estados Unidos, os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner retornaram a Washington para relatar a situação, enquanto o presidente Donald Trump reiterou seu apoio ao processo de diálogo, apesar da violência recente. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky descreveu as conversas como “construtivas” e prometeu que novos contatos diplomáticos seriam preparados, abordando questões como defesa aérea, cooperação tecnológica e apoio financeiro.
O Reino Unido anunciou um pacote de 100 milhões de libras (cerca de R$ 692 milhões) para reforçar a defesa aérea ucraniana, incluindo a entrega de mísseis Patriot. Essa iniciativa foi recebida como um sinal de solidariedade da comunidade ocidental diante da intensificação dos combates.
Especialistas em segurança apontam que a chamada “guerra de drones” tem se expandido para mais de 20 países europeus nos últimos dois anos, aumentando o risco de um conflito mais amplo entre a Rússia e a OTAN. O incidente de 8 de maio reforça a preocupação de que ataques não‑militares possam desencadear respostas militares mais agressivas por parte de Moscou.
Enquanto isso, organizações humanitárias continuam a prestar socorro às populações afetadas, destacando a necessidade urgente de corredores de ajuda e de garantias de segurança para civis em áreas de combate.








