Um levantamento da empresa de pesquisa Quaest revelou que a maioria dos eleitores brasileiros não considera a opinião de líderes religiosos ao decidir por quem votar nas eleições presidenciais. A pesquisa, realizada entre setembro e outubro de 2023, abrangeu todas as regiões do país e incluiu católicos, evangélicos, independentes, apoiadores de Lula e de Bolsonaro.
Perfil geral dos eleitores e percepção da influência religiosa
De modo geral, 79% dos entrevistados afirmaram que a posição de um pastor, padre ou outro líder religioso não tem peso na sua escolha de candidato. Apenas 9% relataram que a opinião desses líderes influencia significativamente a decisão de voto.
Quando a amostra foi segmentada por filiação religiosa, os números mostraram nuances interessantes. Entre os católicos, 81% descartaram qualquer influência, enquanto 9% reconheceram algum grau de impacto. Já entre os evangélicos, 79% disseram não seguir a orientação de seus líderes, mas 13% admitiram que a opinião religiosa pode ser determinante.
- Católicos: 81% não influenciados, 9% influenciados
- Evangélicos: 79% não influenciados, 13% influenciados
Esses dados sugerem que, apesar da presença marcante de grupos religiosos no cenário político, a maioria dos eleitores mantém uma postura autônoma ao escolher seu candidato.
Diferenças regionais, de gênero e socioeconômicas
A pesquisa apontou variações regionais relevantes. O Centro‑Oeste/Norte registrou o menor índice de não influência (75%), indicando que, ali, a opinião religiosa tem um peso ligeiramente maior. Em contraste, o Sul chegou a 80% de eleitores que negam qualquer influência, o maior percentual entre as regiões.
Quando analisamos o gênero, as mulheres mostraram-se ainda mais independentes: 81% afirmaram que a opinião de líderes religiosos não afeta seu voto, contra 8% que consideram influente. Entre os homens, 77% disseram não ser influenciados, enquanto 11% reconheceram uma forte influência.
O nível de escolaridade também trouxe diferenças. Eleitores com ensino fundamental apresentaram 79% de respostas negativas, enquanto aqueles com ensino superior chegaram a 86% de não influência. Curiosamente, os que possuem ensino médio registraram 11% de influência significativa, número próximo ao dos que têm apenas o ensino fundamental (10%).
Na esfera da renda, quem ganha até dois salários mínimos respondeu que 75% não é influenciado, enquanto a parcela que recebe mais de cinco salários mínimos chegou a 83% de respostas negativas. Entretanto, entre os mais pobres, 12% declararam que a opinião religiosa tem grande impacto, comparado a 7% entre os mais ricos.
Impacto entre grupos políticos e perspectivas para o segundo turno
Os resultados também foram segmentados por orientação política. Eleitores independentes foram os que mais negaram influência (80%). Entre os apoiadores de Lula (lulistas) e de Bolsonaro (bolsonaristas), 77% e 74% respectivamente disseram que a opinião religiosa não tem peso.
Entretanto, entre os que consideram a visão do líder religioso muito influente, 9% dos independentes e 13% tanto dos lulistas quanto dos bolsonaristas afirmaram que a religião pode mudar sua escolha. Esses números revelam que, embora minoritários, há grupos que ainda dão atenção à orientação dos seus líderes espirituais.
Quanto ao cenário eleitoral, a pesquisa da Quaest apontou um empate técnico no segundo turno: 42% dos eleitores pretendem votar em Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 41% estão inclinados a apoiar Flávio Bolsonaro. Essa proximidade demonstra a competitividade da disputa e a importância de fatores como a percepção de liderança, embora a influência religiosa pareça ter papel limitado.
Para facilitar a visualização dos principais indicadores, segue um resumo em formato de lista:
- Influência geral: 79% não influenciados, 9% influenciados
- Católicos: 81% não, 9% sim
- Evangélicos: 79% não, 13% sim
- Regiões com menor não‑influência: Centro‑Oeste/Norte (75%)
- Regiões com maior não‑influência: Sul (80%)
- Gênero: mulheres 81% não, 8% sim; homens 77% não, 11% sim
- Escolaridade: superior 86% não, fundamental 79% não
- Renda: até 2 salários 75% não, mais de 5 salários 83% não
Em síntese, a pesquisa da Quaest indica que a maioria dos brasileiros mantém a autonomia nas decisões eleitorais, independentemente da orientação de seus líderes religiosos. Apesar de algumas exceções regionais, de gênero e socioeconômicas, a tendência geral aponta para um eleitorado que prioriza critérios políticos, econômicos e pessoais ao escolher seu presidente.








