Na primeira semana de setembro de 2024, as principais instituições de pesquisa eleitoral divulgaram os resultados das sondagens que medem a intenção de voto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e para o senador Flávio Bolsonaro (PL). Os números revelam que, embora o senador ainda fique atrás no primeiro turno, ele reduz significativamente a diferença quando a disputa é simulada em segundo turno.
Desempenho no primeiro turno: a distância entre Lula e Flávio
Em todas as cinco pesquisas analisadas – AtlasIntel, BTG/Nexus, Datafolha, Quaest e Real Time Big Data – Lula lidera com percentuais que variam entre 37% e 43,4%. Flávio Bolsonaro, por sua vez, aparece entre 29% e 33,7%, o que coloca a vantagem do presidente entre 5 e 9,7 pontos percentuais.
Os levantamentos apontam ainda que o senador ocupa a segunda colocação de forma consistente, sem que nenhum outro candidato ultrapasse sua posição. Essa configuração permanece estável independentemente da metodologia ou do tamanho da amostra de cada instituto.
- AtlasIntel: Lula 43,4% | Flávio 33,7%
- BTG/Nexus: Lula 46% | Flávio 45%
- Datafolha: Lula 38% | Flávio 33%
- Quaest: Lula 42% | Flávio 41%
- Real Time Big Data (cenário sem Pablo Marçal): Lula 44% | Flávio 30%
Segundo turno: o estreitamento da disputa
Quando a simulação é feita para um eventual segundo turno entre os dois principais candidatos, a diferença entre eles diminui drasticamente. Em quatro das cinco pesquisas, a margem fica dentro de dois pontos percentuais, indicando um empate técnico.
A única exceção é a pesquisa AtlasIntel, que ainda registra uma vantagem de 4,5 pontos para Lula (47,1% contra 42,6%). No entanto, essa diferença ultrapassa a margem de erro de 1 ponto, sugerindo que, nesse caso, Lula ainda mantém uma leve vantagem.
Os resultados mostram que Flávio Bolsonaro ganha força quando a disputa se restringe a dois candidatos, sugerindo que ele pode atrair eleitores de outras candidaturas que foram eliminadas no primeiro turno.
Rejeição e percepção dos eleitores
Além das intenções de voto, as pesquisas também mediram a taxa de rejeição dos candidatos. Os números são bastante semelhantes entre Lula e Flávio, com variações mínimas que permanecem dentro das margens de erro.
- BTG/Nexus: 50% rejeição ao senador vs 49% ao presidente.
- Real Time Big Data: 50% rejeição para ambos.
- AtlasIntel: 52,7% rejeição ao senador vs 52% ao presidente.
Esses indicadores reforçam a ideia de que, embora Flávio ainda esteja atrás no primeiro turno, ele não enfrenta uma rejeição significativamente maior que a do presidente, o que pode facilitar a sua aproximação de eleitores indecisos no segundo turno.
Análise do movimento eleitoral
O padrão observado nas cinco pesquisas indica que Flávio Bolsonaro tem um desempenho mais competitivo quando a corrida se concentra em dois candidatos. Essa tendência pode ser explicada por dois fatores principais: a consolidação de votos de candidatos eliminados e a mudança de percepção dos eleitores que passam a avaliar apenas as opções restantes.
Entretanto, as sondagens não permitem identificar com precisão a origem desses votos adicionais. Não há dados suficientes para afirmar se a melhora de Flávio decorre da transferência de eleitores de candidatos como Augusto Cury, Pablo Marçal ou outros que estavam na disputa.
O que fica claro é que, no cenário de segunda volta, Flávio Bolsonaro chega a empatar tecnicamente com Lula em quatro das cinco pesquisas, um feito que pode influenciar a estratégia de campanha de ambos os candidatos nas próximas semanas.
Implicações para a campanha presidencial
Os números da primeira semana de setembro colocam Flávio Bolsonaro em uma posição de destaque dentro do espectro eleitoral. Embora ainda esteja atrás no primeiro turno, a sua capacidade de reduzir a diferença no segundo turno pode motivar a equipe de campanha a focar em estratégias de ampliação de base, alianças e comunicação dirigida a eleitores que ainda não definiram sua escolha.
Para Lula, o cenário indica a necessidade de manter a liderança no primeiro turno, mas também de reforçar a mensagem de unidade e de combate à fragmentação do eleitorado, de forma a evitar surpresas em uma eventual segunda volta.
Em resumo, as pesquisas revelam um cenário dinâmico: Flávio Bolsonaro se mostra como o principal concorrente de Lula, capaz de estreitar a disputa quando a corrida se restringe a dois candidatos, enquanto o presidente ainda mantém uma vantagem confortável no primeiro turno.








