Na manhã desta quinta‑feira, 5 de novembro de 2026, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, informou que se apresentará ao Senado para prestar esclarecimentos sobre sua suposta ligação com o escândalo do Banco Ueno. A declaração foi feita em um post no X, rede social antes conhecida como Twitter, e vem em meio à continuidade do processo de impeachment que tramita na Câmara dos Deputados. O comunicado também reafirma o compromisso de ressarcir os correntistas afetados, independentemente do desfecho político.
Contexto político e judicial
O processo de impeachment contra Peña foi iniciado após denúncias de irregularidades envolvendo o Banco Ueno, instituição financeira que entrou em crise e deixou milhares de clientes sem acesso às suas economias. As investigações apontam para possíveis favorecimentos e uso indevido de recursos públicos, o que gerou grande pressão da sociedade civil e dos partidos de oposição.
Ao longo das últimas semanas, o presidente tem sido convocado por diversas comissões parlamentares para depor. No entanto, até o momento, ele havia se mantido em silêncio, alimentando especulações sobre sua intenção de deixar o país. O porta‑voz da presidência, Guillermo Grance, desmentiu rapidamente rumores de fuga para a Argentina, afirmando que o mandatário permanece em território nacional.
O discurso de Santiago Peña
Em seu texto publicado no X, Peña adotou um tom conciliador e enfatizou a necessidade de transparência. Ele declarou que exercerá seu direito constitucional de defesa, apresentando argumentos e provas que, segundo ele, demonstrarão a inocência ou a ausência de responsabilidade direta nos fatos investigados.
O presidente ainda ressaltou que o pagamento aos correntistas do Banco Ueno não pode ficar condicionado à sua situação política. “Minha prioridade é garantir que as famílias afetadas recebam o que lhes é devido, independentemente de decisões judiciais ou parlamentares”, escreveu.
Além disso, Peña prometeu colaborar integralmente com as instituições competentes, fornecendo todas as informações solicitadas e permitindo que a Justiça siga seu curso sem interferências.
Reação do governo e da oposição
Guillermo Grance, porta‑voz da presidência, reiterou que o presidente está no Paraguai e que não há indícios de tentativa de fuga. “Ele permanecerá no país e cumprirá todas as determinações legais”, afirmou em entrevista coletiva.
A oposição, por sua vez, recebeu o comunicado com ceticismo. Líderes partidários acusam o presidente de usar a promessa de ressarcimento como estratégia para ganhar apoio popular enquanto tenta desviar a atenção das investigações.
Entretanto, alguns parlamentares moderados elogiaram a postura de Peña, considerando que a disposição para depor pode acelerar o processo de esclarecimento dos fatos e reduzir a instabilidade institucional.
Impacto sobre os correntistas e o sistema financeiro
O escândalo do Banco Ueno provocou uma crise de confiança no sistema bancário paraguaio. Milhares de pessoas perderam acesso a suas contas, gerando protestos em Asunción e em outras cidades. O governo tem buscado alternativas para garantir a liquidez dos clientes, incluindo a criação de um fundo emergencial.
Entre as medidas anunciadas, destacam‑se:
- Criação de um comitê de monitoramento independente para acompanhar o ressarcimento.
- Alocação de recursos do Tesouro Nacional para cobrir parte das perdas.
- Parcerias com bancos internacionais para facilitar a repatriação de ativos.
- Estabelecimento de prazos claros para pagamento, com auditoria externa.
Especialistas financeiros apontam que, se o ressarcimento for efetivado de forma rápida e transparente, a confiança no sistema pode ser restaurada, evitando um efeito dominó que poderia comprometer outras instituições.
Próximos passos e expectativas
O próximo passo de Peña será a apresentação formal ao Senado, onde deverá responder a perguntas dos senadores e entregar documentos que comprovem sua inocência ou, ao menos, a ausência de envolvimento direto nas irregularidades do Banco Ueno.
O processo de impeachment continuará em paralelo, com a Câmara dos Deputados analisando as denúncias e decidindo se há fundamento suficiente para avançar com a votação de afastamento.
Enquanto isso, a população acompanha atentamente as declarações oficiais, aguardando respostas concretas sobre o futuro dos recursos perdidos e sobre a estabilidade política do país.
Em resumo, a disposição de Santiago Peña em comparecer ao Senado representa um ponto de inflexão na crise institucional que o Paraguai enfrenta. O desenrolar dos acontecimentos nas próximas semanas será crucial para determinar se o país conseguirá superar a turbulência política e restaurar a confiança de seus cidadãos nas instituições.








