Em 4 de julho de 2024, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixaram de comparecer a uma audiência virtual de conciliação na Justiça do Distrito Federal, marcada para discutir um processo por declarações referentes ao Banco de Brasília (BRB).
Contexto da audiência e motivos da ausência
A sessão, realizada de forma remota, contou apenas com a presença da advogada de Celina Leão, conforme informou o Tribunal de Justiça do DF. A falta das partes principais impediu que a tentativa de acordo avançasse, resultando no encerramento da audiência sem solução.
O juiz responsável determinou que a advogada da governadora apresente, em até 24 horas, uma justificativa formal para a ausência, já que Celina Leão figura como autora da ação. Até o momento, a defesa de Lula e o diretório regional do PT no Distrito Federal não responderam aos contatos do g1.
Desdobramentos jurídicos do processo
O processo foi instaurado após um confronto público entre Celina Leão e Lula, ocorrido em setembro de 2023, quando o presidente afirmou que o governo federal não iria “dar dinheiro” ao BRB e criticou a gestão da governadora. Em resposta, Celina utilizou as redes sociais para rebater as declarações e, dias depois, ingressou com a ação judicial requerendo indenização por danos morais.
Na petição, a governadora alegou que as palavras de Lula configuram ataque pessoal e político, caracterizando um comportamento de “presidente de partido” que pensa de forma “pequena e partidária”. A ação pede reparação financeira e a condenação do presidente por difamação.
Além da demanda civil, a Polícia Federal vem investigando possíveis fraudes internas no Banco de Brasília, apontando que a direção da instituição teria conhecimento de irregularidades antes da crise pública.
- Setembro 2023: Lula critica a falta de apoio ao BRB.
- Imediatamente após: Celina responde nas redes e apresenta ação.
- 4 de julho 2024: Audiência de conciliação é agendada e cancelada.
- Investigações da PF continuam em paralelo.
Repercussões políticas e impacto na campanha
O episódio ganhou destaque nas redes sociais e na imprensa, alimentando a polarização entre os partidos. Enquanto o PT tenta minimizar o incidente, apontando que a ausência se deu por questões de agenda presidencial, o PP utiliza o caso para reforçar a narrativa de que o governo federal tem postura hostil ao Distrito Federal.
Analistas políticos ressaltam que a falta de comparecimento de Lula a uma audiência judicial pode ser interpretada como falta de comprometimento com a resolução de conflitos civis, o que pode influenciar eleitores indecisos nas próximas eleições.
Por outro lado, a assessoria de Celina Leão declarou que não há interesse em comentar o caso, mantendo a estratégia de evitar declarações que possam ser usadas contra a governadora no ambiente eleitoral.
O g1 continua acompanhando o desenrolar da situação, incluindo a eventual apresentação da justificativa pela advogada, a decisão judicial final e as possíveis consequências para as carreiras políticas dos envolvidos.








