O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) admitiu nesta quinta‑feira, 5 de novembro de 2026, a ação judicial apresentada pelo Partido Novo contra a chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice‑presidente Geraldo Alckmin, alegando abuso de poder político nas eleições de 2026. A decisão foi proferida pelo corregedor‑geral do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, que considerou que a denúncia reúne os requisitos legais para ser analisada.
Contexto da denúncia e decisão do corregedor
Segundo o relato oficial, o Novo trouxe ao TSE um conjunto de documentos que apontam para supostas irregularidades na utilização de recursos públicos durante o período eleitoral. O corregedor‑geral avaliou que a petição contém indícios suficientes para que o processo siga seu curso, sem ainda determinar culpa ou inocência.
Em sua decisão, Cueva determinou que Lula e Alckmin sejam notificados para apresentar defesa no prazo de cinco dias úteis. Esse prazo curto evidencia a urgência que o TSE atribui ao caso, sobretudo por se tratar de um pleito ainda em andamento.
Após a fase de defesa, o magistrado analisará se há elementos que justifiquem a continuidade da ação ou se o processo deve ser arquivado. Caso o processo seja mantido, serão ouvidas testemunhas e coletadas provas adicionais para confirmar ou refutar as acusações de abuso de poder.
Principais alegações do Novo e impactos financeiros
O Partido Novo sustenta que o governo Lula editou 35 atos normativos – entre medidas provisórias e decretos – entre 1º de janeiro e 16 de outubro de 2026. Segundo a denúncia, essas normas criaram ou ampliaram benefícios que teriam sido utilizados para favorecer a campanha eleitoral da chapa.
O partido alega que o conjunto dessas ações resultou em um impacto econômico estimado em R$ 73 bilhões, valor que, segundo o Novo, ultrapassa os limites permitidos pela legislação eleitoral para gastos de campanha.
- Reajuste do Bolsa Família anunciado próximo ao primeiro turno;
- Criação de programas de crédito subsidiado para microempreendedores;
- Ampliação de benefícios fiscais para setores estratégicos;
- Instalação de projetos de infraestrutura em estados decisivos;
- Outras 31 medidas que, segundo o Novo, configuram uso indevido de recursos públicos.
Eduardo Ribeiro, presidente nacional do Novo, enfatizou que “a lei não permite que um governo gaste R$ 100 bilhões para comprar uma eleição”. Ele reforçou que o uso de recursos do contribuinte para influenciar o pleito viola princípios democráticos fundamentais.
A petição também destaca que a concentração de medidas em ano eleitoral, a proximidade temporal com o pleito e o alcance nacional dos benefícios sugerem um desvio de finalidade, ou seja, a utilização da máquina pública para fins eleitorais.
Próximos passos do processo e possíveis consequências
Com a notificação dos investigados, o prazo de defesa começa a contar. Caso Lula e Alckmin apresentem argumentos que desqualifiquem as acusações, o corregedor‑geral pode decidir pelo arquivamento do caso.
Entretanto, se a defesa for considerada insuficiente, o processo avançará para fase de instrução, que inclui a oitiva de testemunhas, perícias técnicas e análise de documentos. Essa etapa pode se estender por semanas, dependendo da complexidade das provas.
Uma das possíveis consequências, caso a ação seja confirmada, é a cassação dos registros ou diplomas dos candidatos, além da declaração de inelegibilidade por oito anos, conforme solicitado pelo Novo. Essa medida impediria a participação de Lula e Alckmin em futuras eleições durante o período estabelecido.
Vale lembrar que, mesmo em caso de inelegibilidade, a decisão ainda poderia ser contestada em instâncias superiores, como o Supremo Tribunal Federal, o que prolongaria o desfecho do caso.
Especialistas em direito eleitoral apontam que o julgamento do TSE tem grande peso na manutenção da confiança da sociedade nas instituições democráticas. Um veredicto rigoroso pode servir de precedente para coibir práticas semelhantes em futuras disputas eleitorais.
Por outro lado, críticos do Novo argumentam que a ação pode ser vista como uma estratégia política para desestabilizar a atual administração, especialmente em um momento sensível como o de campanha presidencial.
O cenário político, portanto, permanece incerto. Enquanto o processo segue seu curso, a opinião pública acompanha de perto cada movimentação, refletindo a importância do tema para o futuro da democracia brasileira.
Além das implicações jurídicas, o caso tem repercussões na comunicação política. Campanhas de mídia, tanto do governo quanto da oposição, têm intensificado discursos sobre a legitimidade das ações governamentais e a necessidade de transparência nos gastos públicos.
Em redes sociais, hashtags como #AbusoDePoder e #TSEemAção ganham destaque, demonstrando o engajamento dos cidadãos na discussão. Esse ambiente digital pode influenciar a percepção popular sobre a gravidade das acusações.
O Ministério da Justiça, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre a ação, mas fontes internas indicam que o órgão acompanha o caso de perto, avaliando possíveis impactos nas políticas públicas em andamento.
Se a decisão final do TSE for favorável ao Novo, outras partes interessadas – como movimentos sociais e organizações não governamentais – podem apresentar denúncias semelhantes contra outros políticos, ampliando o debate sobre abuso de poder político no país.
Em síntese, a admissão da ação pelo TSE marca um ponto de inflexão no cenário eleitoral de 2026, trazendo à tona questões sobre o uso de recursos públicos, a responsabilidade dos governantes e os limites da atuação do Estado em períodos de campanha.








