Na madrugada de segunda‑feira, 7 de outubro, bombardeios israelenses no sul do Líbano mataram ao menos 12 pessoas, a maioria membros de uma mesma família, incluindo mulheres e crianças. O ataque ocorreu em Kfar Reman, próximo à cidade de Nabatiye, onde o Exército israelense intensificou as operações após assumir a colina estratégica de Ali Taher.
Intensificação dos bombardeios
Desde que o IDF anunciou a captura da colina de Ali Taher, considerada ponto crucial do Hezbollah em Nabatiye, as forças israelenses aumentaram a frequência de ataques aéreos na região. Na madrugada de 7 de outubro, um edifício residencial de três andares foi alvejado, resultando em 11 civis mortos, entre eles duas crianças e quatro mulheres.
Além das mortes, oito pessoas ficaram feridas, incluindo três crianças e um socorrista da Associação de Saúde Islâmica, órgão de emergência ligado ao Hezbollah. Fotografias da agência AFP mostraram o prédio totalmente destruído, com livros didáticos e móveis espalhados entre os escombros.
Um segundo ataque atingiu um veículo que transportava socorristas da Associação de Escoteiros Risala Islâmicos, matando um deles e ferindo outros dois. Os escoteiros são vinculados ao movimento Amal, aliado ao Hezbollah.
Vítimas civis e resposta internacional
O Ministério da Saúde libanês classificou as vítimas como prova das graves violações do direito internacional humanitário cometidas pela ocupação israelense, destacando que alvos civis, profissionais de saúde e crianças foram deliberadamente atingidos.
Em comunicado, o Exército israelense alegou que os bombardeios visaram “instalações de infraestrutura” do Hezbollah, em retaliação ao lançamento de dois drones explosivos contra soldados israelenses posicionados na colina de Ali Taher. O IDF afirmou que continuará realizando operações para eliminar ameaças, ao mesmo tempo em que mantém seu compromisso com o acordo de cessar‑fogo.
- 12 mortos (incluindo 2 crianças e 4 mulheres)
- 8 feridos (incluindo 3 crianças)
- 1 socorrista morto e 2 feridos no ataque ao veículo
Organizações de direitos humanos e representantes da ONU pediram investigação independente das circunstâncias dos ataques e reforçaram a necessidade de proteger a população civil em áreas de conflito.
Contexto político e perspectivas
O conflito entre Israel e Hezbollah tem raízes profundas, alimentadas pelo apoio iraniano ao grupo xiita libanês. Desde março, o Hezbollah lançou ataques contra Israel em apoio ao Irã, provocando uma resposta militar israelense que já contabiliza mais de 4.300 mortos libaneses, segundo autoridades locais.
Embora a intensidade dos combates tenha diminuído após um protocolo de cessar‑fogo negociado pelos Estados Unidos e Irã em junho, Israel mantém uma zona de ocupação de quase 10 km ao longo da fronteira sul do Líbano e continua realizando bombardeios esporádicos.
O primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu tem reiterado a intenção de transformar a região ocupada em uma “zona tampão” permanente, o que poderia consolidar uma presença israelense de longo prazo no sul do Líbano.
Moradores que retornaram às suas casas após a trégua de junho ainda vivem sob constante temor. Fuad Chakaron, residente de Kfar Reman, relatou à AFP que, apesar de não ter vínculos com militantes, sua família e vizinhos foram vítimas indiscriminadas dos bombardeios.
Enquanto isso, bombeiros libaneses acusam Israel de provocar incêndios florestais deliberados na região, agravando ainda mais a crise humanitária.








