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Entidades do setor pedem apoio ao governo para evitar colapso na produção de séries sul-coreanas

Doze associações culturais da Coreia do Sul solicitaram, nesta quarta‑feira (4), ao governo um pacote de investimentos para sustentar a produção de séries televisivas, conhecidas mundialmente como K‑dramas. O pedido surge em meio a uma queda de cerca de 30% no número de títulos lançados em 2023 em comparação com 2022, colocando em risco a base produtiva do país.

Cenário atual da produção de K‑dramas

Os K‑dramas, que conquistaram audiências globais em plataformas de streaming, registraram uma redução drástica na quantidade de projetos aprovados nos últimos anos. Em 2012, três grandes redes nacionais produziam 91 séries; esse número despencou para apenas 32 em 2023, segundo dados da Associação Coreana de Produção de Dramas.

Além da diminuição de títulos, alguns canais deixaram de exibir episódios durante a semana, refletindo a pressão financeira que afeta a programação tradicional. Essa retração tem repercussões diretas nos profissionais da área, que incluem produtores, diretores, roteiristas, atores, diretores de fotografia e equipes técnicas.

O declínio não se limita ao volume de produções, mas também à diversidade de gêneros e à experimentação criativa que antes caracterizavam o mercado sul‑coreano. A falta de recursos tem levado as emissoras a priorizar projetos de menor risco, reduzindo oportunidades para narrativas inovadoras.

Causas da queda na produção

As entidades apontam múltiplos fatores que convergem para a crise atual. O aumento dos custos de produção, impulsionado por exigências técnicas mais altas e salários em alta, tem sido um dos principais obstáculos.

Ao mesmo tempo, a concorrência com plataformas globais de streaming, que contam com orçamentos robustos, tem drenado talentos e recursos. Essas empresas conseguem oferecer salários superiores e condições de trabalho mais atrativas, atraindo profissionais que antes trabalhavam nas redes locais.

  • Elevado custo de locação de equipamentos de última geração;
  • Despesas crescentes com efeitos visuais e trilhas sonoras originais;
  • Salários competitivos exigidos por atores e diretores de renome.

Outro ponto crítico é a diminuição da capacidade de investimento das emissoras tradicionais, que enfrentam queda na receita publicitária. A publicidade, que antes cobria grande parte dos custos de produção, não acompanha mais o ritmo de inflação do setor.

Além disso, a dificuldade em garantir direitos de propriedade intelectual tem criado insegurança jurídica, desestimulando investidores que temem disputas de licenciamento.

Impactos econômicos e culturais

O recuo na produção de K‑dramas tem implicações econômicas significativas. Cada série gera milhares de empregos diretos e indiretos, desde técnicos de som até fornecedores de catering, movimentando uma cadeia produtiva que emprega centenas de milhares de trabalhadores.

Com a redução de projetos, há um efeito cascata de desemprego e subutilização de estúdios, equipamentos e profissionais altamente especializados. Essa situação pode levar à migração de talentos para mercados estrangeiros, enfraquecendo a indústria local.

Do ponto de vista cultural, os K‑dramas são veículos de soft power que projetam a cultura sul‑coreana ao redor do mundo. A diminuição da oferta pode comprometer a presença internacional da Coreia do Sul em festivais, prêmios e nas listas de conteúdo mais consumido.

Além disso, a variedade de histórias que refletem a sociedade coreana – desde dramas históricos até narrativas contemporâneas sobre questões sociais – pode ser reduzida, limitando a capacidade do país de dialogar com audiências globais.

Propostas e demandas das entidades

Em resposta ao cenário descrito, as associações apresentaram um conjunto de demandas ao governo, que incluem:

  • Criação de um fundo de apoio específico para a produção de séries de televisão, com recursos garantidos para os próximos cinco anos;
  • Isenções fiscais para empresas que invistam em projetos de K‑drama, incentivando a participação de investidores privados;
  • Políticas de proteção de direitos de propriedade intelectual que assegurem a segurança jurídica dos produtores;
  • Programas de capacitação e atualização tecnológica para profissionais da área, visando manter a competitividade frente às exigências das plataformas de streaming.

As entidades também criticaram o projeto de orçamento do governo para 2027, que prevê um corte de 4,5 bilhões de won (cerca de US$ 3,35 milhões) no financiamento do Ministério da Cultura destinado à transmissão de vídeo. Esse recorte, segundo os representantes, agrava ainda mais a vulnerabilidade do setor.

Para mitigar os efeitos negativos, os grupos sugerem a implementação de parcerias público‑privadas que permitam a co‑financiamento de séries com potencial de exportação. Essa estratégia poderia alavancar recursos privados enquanto garante a manutenção da identidade cultural nas produções.

Por fim, as associações reforçaram a importância de um diálogo contínuo entre governo, emissoras e plataformas de streaming, a fim de criar um ecossistema sustentável que favoreça tanto a criatividade quanto a viabilidade econômica das séries sul‑coreanas.

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