Na madrugada de segunda‑feira (2), um forte temporal provocou a queda de energia em São Basílio, Minas Gerais, forçando um avicultor de Uberaba a improvisar para proteger um lote de quatrocentos pintinhos recém‑chegados. Sem gerador ou aquecedores, Pedro Henrique de Oliveira recorreu a um maçarico e a um botijão de gás para manter a temperatura ideal e evitar perdas na produção.
A queda de energia e o improviso com maçarico
O corte de energia foi causado pela queda de um eucalipto sobre a rede elétrica, segundo nota da Cemig. O incidente aconteceu enquanto o produtor aguardava a instalação de novos pintinhos vindos de Uberlândia, que deveriam ser acomodados em um galpão preparado para manter 37°C nos primeiros dias de vida.
Com a luz se apagando e os aquecedores desligando, Pedro Henrique percebeu que o tempo estava se tornando crítico. Ele explicou que a sensação térmica nas noites rurais pode despencar rapidamente, sobretudo quando a chuva aumenta a umidade e reduz o calor residual do solo.
Sem tempo para solicitar um gerador, ele correu até a mercearia da vizinhança, onde conseguiu um botijão de gás e um maçarico. “Tive que correr atrás de outro na comunidade. A dona da mercearia abriu para pegar um gás”, relatou. O improviso evitou um prejuízo estimado entre R$ 2 mil e R$ 3 mil.
- Identificação da falha: queda de energia por árvore caída;
- Busca imediata por recurso: aquisição de gás e maçarico;
- Instalação do maçarico no galpão;
- Monitoramento constante para prevenir incêndios.
O produtor ainda precisou permanecer acordado a noite inteira, vigilante ao risco de incêndio, já que o piso do galpão estava coberto por serragem, material altamente inflamável quando exposto ao fogo.
Desafios de manter a temperatura dos pintinhos
Nos primeiros dias de vida, as aves necessitam de uma temperatura média de 37°C para garantir o desenvolvimento adequado dos órgãos e a absorção de nutrientes. Qualquer queda brusca pode desencadear hipotermia, comprometendo o sistema imunológico e levando à mortalidade em massa.
Pedro Henrique destacou que a temperatura noturna na região rural costuma cair para menos de 20°C, exigindo aquecimento constante. Quando a energia se foi, a temperatura interna do galpão despencou em poucos minutos, colocando em risco todos os filhotes.
Além da questão térmica, o produtor precisou lidar com a umidade excessiva, que pode favorecer o crescimento de fungos e bactérias. “A sensação térmica cai drasticamente no período noturno e a chuva piorou ainda mais a situação”, afirmou.
Para garantir a sobrevivência dos pintinhos, o avicultor adotou as seguintes práticas:
- Posicionamento do maçarico a uma distância segura das aves;
- Uso de termômetro portátil para monitorar a temperatura a cada 30 minutos;
- Ventilação controlada para evitar acúmulo de gases;
- Vigilância constante para prevenir chamas inesperadas.
O esforço valeu a pena: nenhum dos quatrocentos pintinhos morreu. O produtor ainda dormiu no galpão, mantendo os olhos abertos para qualquer sinal de fogo.
Lições aprendidas e medidas preventivas
Este episódio não foi o primeiro incidente de energia que o produtor enfrentou. Em junho, duas lâmpadas secadoras queimaram após outra queda de energia, resultando na morte de 200 pintinhos. Na ocasião, a granja fornecedora restituiu as aves, mas o prejuízo financeiro e o trauma foram significativos.
Com base nessas experiências, Pedro Henrique está investindo em um gerador autônomo, que garantirá autonomia energética durante tempestades e falhas na rede. Ele também está avaliando a instalação de painéis solares como fonte complementar.
A Cemig, por sua vez, informou que equipes foram mobilizadas desde a madrugada e que o fornecimento de energia foi restabelecido gradualmente, concluindo a recomposição total às 12h45 de terça‑feira (3). A concessionária orienta os clientes a registrar pedidos de ressarcimento caso equipamentos tenham sido danificados.
Outros produtores da região relataram perdas semelhantes, reforçando a necessidade de um plano de contingência robusto. Entre as recomendações emergentes, destacam‑se:
- Manutenção preventiva de equipamentos elétricos;
- Estoque de gás e dispositivos de aquecimento de backup;
- Treinamento da equipe para resposta rápida a emergências;
- Parcerias com vizinhos para compartilhamento de recursos em situações críticas.
Em síntese, a criatividade e a rapidez de ação de Pedro Henrique impediram um desastre maior, mas o caso evidencia a vulnerabilidade do setor avícola frente a interrupções de energia. Investimentos em infraestrutura resiliente são essenciais para garantir a segurança alimentar e a estabilidade econômica dos pequenos produtores rurais.








