Enzo Belmonte lançou nesta sexta‑feira, 6 de novembro, o álbum audiovisual ‘Obrigado, Madrinha!’, um tributo à sambista Beth Carvalho. O show foi gravado ao vivo no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, e reúne nomes da velha guarda da Mangueira, além de jovens talentos da comunidade.
O legado de Beth Carvalho
Beth Carvalho, nascida em 5 de maio de 1946, tornou‑se referência do samba a partir da década de 1970, quando passou a apoiar novos talentos como Zeca Pagodinho. Sua influência foi tão marcante que recebeu o apelido de “a madrinha do samba”, título que carregou até o fim da vida.
Ao longo de quatro décadas, Beth gravou mais de 30 álbuns, consolidando clássicos como “Coisinha do Pai” e “Coração Bobo”. Contudo, seu repertório inclui também composições menos conhecidas, verdadeiras joias que permanecem à margem da memória popular.
Essas músicas menos óbvias revelam a diversidade de parcerias que Beth cultivou, envolvendo compositores como Almir Guineto, Luverci Ernesto e Serginho Meriti. Cada colaboração acrescentou uma camada única ao panorama do samba, ampliando o alcance da arte da cantora.
Enzo Belmonte: o último afilhado
Enzo Belmonte, nascido e criado no Morro do Pinto, na Zona Portuária do Rio, declara‑se o último afilhado artístico de Beth Carvalho. A afirmação foi confirmada pelo jornalista Leonardo Bruno, que presenciou o reconhecimento da madrinha pouco antes de seu falecimento.
Com apenas 24 anos e oito anos de carreira, Enzo iniciou sua trajetória discográfica com um EP em 2018. Desde então, tem se destacado como intérprete e arranjador, mantendo viva a tradição do samba de raiz.
Para o projeto “Obrigado, Madrinha!”, o cantor assumiu a direção artística, roteirização e produção musical, contando com a parceria de Renata Machado na concepção do espetáculo. O resultado é um show que mistura reverência histórica e criatividade contemporânea.
Detalhes do álbum ‘Obrigado, Madrinha!’
O álbum contém 10 faixas, nas quais Enzo reinterpreta 16 sambas gravados por Beth ao longo de sua carreira, além de incluir a canção inédita “Uma rainha no céu”, composta por André da Mata em homenagem à artista.
Entre as escolhas, destaca‑se “O daqui, o dali e o de lá”, que nunca fez parte da discografia oficial de Beth, mas foi gravado por ela no álbum “O canto da Baixada” (2010). A parceria original de Bira da Vila e Serginho Meriti ganha nova vida na voz de Enzo, que conta com a participação do próprio Serginho.
- Meu sangue é Brasil – Almir Guineto & Luverci Ernesto
- Tem nada não – Jorge Aragão
- É, pois é – Luís Carlos
- Uma rainha no céu – André da Mata (homenagem)
Os arranjos foram desenvolvidos por Luizinho Croset, diretor musical do espetáculo, que buscou equilibrar a sonoridade tradicional da Mangueira com toques contemporâneos. O resultado traz uma sonoridade rica, com destaque para a percussão de membros da Velha Guarda Musical da Mangueira.
Além dos músicos citados, o show contou com a participação de Dayse do Banjo, Lu Carvalho e a turma da escola mirim Mangueira do Amanhã, reforçando o caráter intergeracional da homenagem.
Repercussão e significado cultural
A iniciativa de Enzo Belmonte chega em um momento de renovação do samba, ao mesmo tempo em que celebra os 80 anos que Beth teria completado em maio. O projeto reforça a importância de preservar o legado dos mestres, trazendo ao público contemporâneo obras que poderiam permanecer esquecidas.
Críticos elogiaram a escolha de incluir músicas menos populares, argumentando que isso amplia a compreensão do repertório de Beth e oferece novas oportunidades de descoberta para os fãs. A crítica especializada destaca ainda a qualidade da produção audiovisual, que combina imagens do teatro com entrevistas e depoimentos de personalidades do samba.
Para os jovens sambistas, o álbum funciona como um manual de referência, mostrando como a tradição pode ser reinterpretada sem perder sua essência. O projeto também serve de inspiração para outras gerações que desejam manter viva a memória de artistas que marcaram a história da música brasileira.
Com o lançamento, Enzo Belmonte reforça seu compromisso com a cultura popular, consolidando-se como um dos principais guardiões da herança de Beth Carvalho. O tributo, portanto, não é apenas uma homenagem, mas um convite ao público para revisitar e valorizar as pérolas escondidas do samba.








