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Midterms dos EUA movimentam mais de R$ 8 bilhões em apostas: confiança nas previsões em xeque

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, já concentraram mais de US$ 1,48 bilhão em apostas, o que corresponde a cerca de R$ 8,13 bilhões. O volume recorde foi registrado nesta terça‑feira, 3 de novembro, nas principais plataformas de mercados de previsão, como Kalshi e Polymarket. O cenário desperta dúvidas sobre a credibilidade das previsões diante de pressões regulatórias e de possíveis manipulações.

Cenário atual das apostas nas midterms

Segundo a empresa de análise BetInt, as probabilidades ainda apontam forte vantagem para os democratas: 94% de chance de conquistar a maioria na Câmara dos Representantes e 75% no Senado. Esses números permanecem praticamente inalterados desde a tarde de segunda‑feira, indicando estabilidade nos mercados apesar da volatilidade típica das eleições.

Kalshi relatou que já movimentou US$ 1,33 bilhão em apostas nas midterms, enquanto a Polymarket registrou aproximadamente US$ 145 milhões, de acordo com o levantamento da Anti‑Corruption Data Collective (ACDC). Mais de 28 mil mercados individuais foram abertos, mas a maior parte do capital está concentrada em disputas-chave, como as corridas ao Senado nos estados do Texas, Michigan, Maine e Carolina do Sul.

No Texas, por exemplo, a BetInt indicava 71% de probabilidade de vitória do democrata James Talarico sobre o republicano Ken Paxton, com mais de US$ 60 milhões apostados apenas nessa disputa. Em Michigan, os números mostravam 78% de chance de vitória do democrata Abdul El‑Sayed frente ao republicano Mike Rogers, com mais de US$ 20 milhões em apostas.

Desafios de confiabilidade e risco de manipulação

Embora os mercados de previsão tenham se destacado ao antecipar a vitória de Donald Trump nas pesquisas de 2024, eles também acumularam erros notórios, como nas primárias dos EUA e na eleição presidencial do Brasil. Analistas alertam que um desvio significativo entre as previsões e os resultados reais pode abalar a reputação do setor, sobretudo com o volume histórico de dinheiro em jogo.

Além da precisão dos resultados, surgem questionamentos sobre a integridade dos próprios mercados. Candidatos já foram identificados apostando nas suas próprias disputas, e a ACDC apontou que apostas relativamente pequenas podem influenciar as probabilidades, criando vulnerabilidades a manipulações.

Kalshi e Polymarket afirmam ter reforçado seus controles internos. Kalshi, por exemplo, proíbe explicitamente políticos e membros de campanhas de fazer apostas eleitorais. Ambas as plataformas declaram que os mercados se ajustam rapidamente quando grandes apostas alteram as odds, reduzindo o risco de distorções.

  • Proibição de apostas por políticos e campanhas;
  • Monitoramento em tempo real das transações de alto valor;
  • Auditorias independentes para validar a integridade dos mercados;
  • Políticas de transparência sobre volumes e participantes.

Sean Patrick Maloney, presidente‑executivo da Coalizão para Mercados de Previsão, reconhece que esses mercados não são perfeitos, mas destaca seu valor em um ambiente “cheio de caos e fontes de notícias tendenciosas”. Ele argumenta que a natureza imparcial dos preços de mercado oferece uma bússola confiável para investidores e jornalistas.

Perspectivas acadêmicas e calibração dos mercados

Estudos acadêmicos reforçam a ideia de que, em geral, os mercados de previsão são bem calibrados. Uma pesquisa da Universidade de Vanderbilt, publicada em 2025, analisou quase 2.500 mercados ligados às eleições de 2024 e concluiu que as probabilidades apresentavam boa correspondência com os resultados reais.

É importante diferenciar calibração de precisão. Calibração mede se a probabilidade anunciada reflete a frequência real dos eventos (por exemplo, 70% de chance de vitória deve se traduzir em vitória em 70% das vezes). Precisão, por outro lado, verifica se o mercado acertou ou errou o vencedor em cada caso específico.

Entretanto, a maioria das corridas eleitorais não é apertada, o que pode mascarar falhas em disputas altamente competitivas. Quando as margens são estreitas, pequenas distorções nas odds podem ter impactos desproporcionais, levantando dúvidas sobre a robustez dos modelos em cenários de alta competitividade.

Os analistas recomendam que investidores e observadores utilizem os mercados de previsão como uma das várias ferramentas de análise, combinando-os com pesquisas tradicionais, métricas de engajamento nas redes sociais e avaliações de financiamento de campanha. Essa abordagem híbrida pode mitigar os riscos de confiar exclusivamente em um único método.

Em resumo, as midterms dos EUA estão se tornando um campo de testes crucial para os mercados de apostas eleitorais. O recorde de R$ 8 bilhões em apostas demonstra o crescente interesse institucional, mas também eleva as exigências de transparência, regulação e robustez metodológica. O futuro desses mercados dependerá da capacidade das plataformas de provar sua confiabilidade diante de um escrutínio cada vez mais rigoroso.

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