Em meio à campanha presidencial de 2022, o deputado André Janones (Rede-MG) mobilizou milhares de eleitores por meio de grupos de mensagens instantâneas, replicando o modelo conhecido como “Exército do Lula”. Em menos de 48 horas, iniciativas inspiradas por esse método surgiram na Europa e na América Latina, dobrando o número de participantes e atraindo a atenção de lideranças estrangeiras.
O modelo que conquistou o Brasil
Janones organizou centenas de grupos no WhatsApp, cada um com foco em divulgação de conteúdo, engajamento de eleitores e combate a desinformação. Os participantes recebiam mensagens diárias com vídeos, textos curtos e chamadas para ação, como comparecer a comícios ou compartilhar informações nas redes sociais.
A estratégia se mostrou eficaz ao gerar um fluxo constante de apoio digital, ampliando a presença do candidato nas plataformas online e fortalecendo a narrativa do “Exército do Lula”. O resultado foi visível: três grupos que antes somavam 123 mil integrantes passaram a contar com 249 mil membros, um crescimento de mais de 100%.
Expansão para fora das fronteiras
O sucesso brasileiro chamou a atenção de políticos da Espanha, França e México, que buscaram adaptar a tática às suas realidades eleitorais. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez convidou Janones para contribuir com a campanha que se prepara para as eleições de novembro de 2024.
No México, a presidente em exercício Claudia Sheinbaum recebeu o deputado para uma visita de trabalho, planejando incorporar elementos da estratégia nas próximas eleições presidenciais de 2027.
Na França, o movimento liderado por Jean‑Luc Mélenchon criou o grupo “L’équipe de Mélenchon officielle”, usando o formato de mensagens em massa para coordenar voluntários e divulgar propostas progressistas.
- Espanha – apoio ao Partido Socialista
- México – colaboração com a coalizão de esquerda
- França – adaptação ao movimento de Mélenchon
Essas iniciativas demonstram que a tática de Janones pode transcender fronteiras, embora cada contexto exija ajustes específicos.
Desafios da replicação internacional
Segundo o cientista político Giuliano Salvarani, a simples cópia do modelo brasileiro enfrenta obstáculos. As diferenças nos hábitos de uso de aplicativos de mensagens, como Telegram ou Signal, e a variabilidade das plataformas mais populares em cada país podem limitar a eficácia da estratégia.
Além disso, a conjuntura política local – grau de polarização, estrutura partidária e cultura de engajamento cívico – influencia diretamente a adaptação necessária. O Brasil, por exemplo, possui um eleitorado massivo e altamente polarizado, fatores que potencializam o impacto de campanhas digitais intensas.
Salvarani ressalta que, embora a estratégia não seja transferível de forma idêntica, seus princípios – comunicação direta, segmentação de público e mobilização rápida – podem ser customizados para atender às particularidades de cada nação.
Perspectivas para o futuro das campanhas digitais
Especialistas acreditam que a experiência de Janones sinaliza uma nova era nas estratégias eleitorais, onde grupos de mensagens instantâneas desempenham papel central na formação de opinião e na organização de bases.
Com a crescente adoção de tecnologias de automação e análise de dados, campanhas futuras podem integrar inteligência artificial para personalizar ainda mais as mensagens, aumentando a eficácia da mobilização.
Entretanto, a expansão desse modelo levanta questões sobre regulação, privacidade e combate à desinformação, temas que governos e plataformas digitais deverão enfrentar nos próximos anos.
Em resumo, a iniciativa de Janones não só influenciou a campanha de 2022 no Brasil, como também provocou um debate global sobre como as ferramentas de comunicação instantânea podem remodelar o panorama político mundial.








