Na quinta‑feira, 29 de setembro, o plenário do Parlamento da Armênia foi palco de uma briga generalizada entre deputados do governo e da oposição. O confronto começou durante um discurso e rapidamente evoluiu para socos, chutes e arremesso de objetos. A sessão foi interrompida por cerca de uma hora enquanto a segurança tentou controlar a situação.
O início da confusão
O episódio teve início quando o deputado governista Taron Chakhoyan, filiado ao partido Contrato Civil, iniciou um discurso acusando membros do bloco oposicionista Armênia Forte de corrupção. Ele também criticou declarações feitas por um primo de Narek Karapetyan, líder de um grupo de oposição, gerando um clima de tensão entre os parlamentares.
Durante o discurso, Karapetyan respondeu em voz alta, contestando as acusações e levantando o tom da discussão. O embate verbal rapidamente se transformou em troca de gritos, e a atmosfera no plenário ficou ainda mais carregada.
Em poucos minutos, a situação saiu do plano verbal e entrou no físico. Deputados começaram a se empurrar, a lançar garrafas e a derrubar mesas. O vice‑presidente da Casa, Vahagn Aleksanyan, também do governo, arremessou uma cadeira contra os oposicionistas, intensificando a violência.
Reações dos líderes políticos
O primeiro‑ministro Nikol Pashinyan condenou a violência, mas defendeu a postura dos deputados ao afirmar que a reação foi “proporcional” ao que ele descreveu como provocação da oposição. Pashinyan destacou que a preservação da ordem no parlamento é essencial para a democracia armênia.
Já o presidente do Parlamento, Ruben Rubinyan, optou por manter a transmissão ao vivo, permitindo que a população acompanhasse os acontecimentos em tempo real. Rubinyan suspendeu a sessão por aproximadamente uma hora, mas afirmou que a investigação sobre os fatos nos corredores ainda está em curso.
Rubinyan também responsabilizou Karapetyan pelo início da briga, alegando que o líder oposicionista teria gritado insultos e tentado agredir o deputado Chakhoyan. Ele ressaltou que relatos de agressões contra parlamentares governistas nos corredores precisam ser apuradas com rigor.
A violência dentro da Casa
Além dos socos e chutes, a confusão incluiu o uso de objetos como cadeiras, garrafas e água. Chakhoyan chegou a despejar água sobre um parlamentar oposicionista, enquanto outros deputados arremessaram garrafas quebradas. O clima de pânico fez com que seguranças formassem uma barreira para separar os grupos.
Uma ambulância foi acionada para atender os parlamentares feridos, alguns dos quais foram vistos com roupas rasgadas e hematomas. A presença de segurança reforçada e a necessidade de assistência médica demonstram a gravidade da situação dentro do recinto legislativo.
- Arremesso de cadeira por Vahagn Aleksanyan
- Uso de água como arma por Taron Chakhoyan
- Lançamento de garrafas e destruição de mobiliário
- Intervenção de seguranças e chamada de ambulância
O incidente também trouxe à tona debates sobre a cultura de confrontos físicos na política armênia, com alguns analistas comparando o episódio a “luta à moda armena” descrita por Karapetyan. Essa caracterização gerou críticas de setores da sociedade que pedem mais civilidade nos debates parlamentares.
Consequências e perspectivas
Após a retomada da sessão, Chakhoyan pediu desculpas à população, atribuindo a culpa ao comportamento dos oposicionistas, que ele descreveu como vandalismo planejado. Por outro lado, Karapetyan caracterizou o acontecido como uma disputa entre homens, minimizando a gravidade dos fatos.
O episódio provocou reações nas redes sociais, com cidadãos expressando indignação e exigindo medidas disciplinares mais severas contra os envolvidos. Organizações de direitos humanos também se manifestaram, pedindo investigações independentes para garantir que a violência não se repita.
Nos próximos dias, o Parlamento deve decidir sobre possíveis sanções disciplinares, enquanto o governo de Pashinyan enfrenta pressão para reforçar protocolos de segurança nas sessões legislativas. O incidente pode influenciar o clima político antes das próximas eleições, ampliando a polarização entre governo e oposição.
Em síntese, a briga no parlamento armênio destaca a fragilidade das instituições diante de tensões partidárias intensas. A forma como os líderes responderão ao episódio será crucial para restaurar a confiança da população no processo democrático e evitar que futuros confrontos se tornem ainda mais violentos.








