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Diplomata cubano é expulso dos EUA em meio a tensões escaladas entre Washington e Havana

Na quarta‑feira, 28 de outubro, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, anunciou a expulsão de um diplomata cubano do país, intensificando a crise diplomática entre Washington e Havana. A decisão foi tomada logo após um acalorado debate na Assembleia Geral da ONU, onde representantes de ambos os lados se confrontaram sobre o embargo econômico imposto aos cubanos.

Expulsão e confrontos na ONU

Durante a sessão da Assembleia Geral, Waltz acusou o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, de tentar agredir um diplomata americano, alegando que o cubano havia empurrado um oficial dos EUA. Em resposta, Rodríguez gritou por uma “questão de ordem” e chegou a bater a mesa, gerando um clima de tensão que culminou em troca de acusações entre os dois representantes.

Um vídeo divulgado pela Fox News mostrou o momento em que o diplomata cubano afastou com a mão o celular de um colega americano, alegando invasão de espaço pessoal. A Missão de Cuba na ONU, em nota oficial, denunciou que o diplomata dos EUA teria invadido o espaço pessoal do cubano para filmar a cena e publicar o material nas redes sociais, com o objetivo de manchar sua reputação.

Segundo Waltz, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, já havia assinado a papelada necessária para a expulsão, e o diplomata cubano estaria a bordo de um avião com destino a Havana nas próximas 24 horas. A informação foi confirmada em duas entrevistas concedidas à Fox News, nas quais o representante americano reiterou que o diplomata “estará num voo de volta a Havana e fora deste país hoje”.

Repercussões diplomáticas e sanções econômicas

Um dia após o incidente, a Assembleia Geral da ONU aprovou, por ampla maioria, uma resolução que condena o antigo embargo americano a Cuba, registrando 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções. A votação refletiu o crescente descontentamento da comunidade internacional com as políticas de Washington em relação à ilha caribenha.

Desde o início de 2024, o governo Trump tem ameaçado impor sanções adicionais a países que fornecem combustível a Cuba, ampliando a pressão sobre uma economia já fragilizada pelas restrições impostas desde 1962. Até o momento, apenas um petroleiro russo conseguiu atracar na ilha, evidenciando a eficácia das medidas de bloqueio.

No início de maio, Washington implementou um regime de “sanções secundárias” contra empresas estrangeiras que mantêm comércio com Cuba. Essa estratégia levou à retirada de diversas companhias, sobretudo dos setores de turismo e mineração, que eram fontes importantes de receita para os 9,4 milhões de habitantes cubanos.

Impactos do embargo na economia cubana

O endurecimento do embargo provocou apagões recorrentes na ilha, devido à escassez de combustíveis e à deterioração da infraestrutura energética. A crise energética agravou a situação econômica, criando uma das piores conjunturas para Cuba em décadas recentes.

Em setembro, o governo cubano divulgou que o embargo dos Estados Unidos causou prejuízos superiores a US$ 8 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões) entre março de 2025 e fevereiro de 2026, um valor recorde segundo o relatório do Ministério das Relações Exteriores. O ministro Bruno Rodríguez destacou que esse montante representa um aumento de 7% em relação ao ano anterior.

Rodríguez também enfatizou que os números divulgados não incluem os danos adicionais provocados pelo bloqueio energético imposto nos últimos sete meses, nem as sanções secundárias aplicadas desde maio, que têm afetado diretamente empresas cubanas de energia, turismo e mineração.

  • Expulsão de diplomata cubano
  • Confronto na Assembleia Geral da ONU
  • Votação de resolução contra o embargo
  • Sanções secundárias a empresas estrangeiras
  • Crise energética e econômica em Cuba

O episódio evidencia como a política externa dos EUA continua a influenciar diretamente a estabilidade regional, ao passo que a comunidade internacional busca alternativas para aliviar o sofrimento da população cubana. Enquanto isso, Havana permanece vigilante, buscando apoio diplomático e econômico para mitigar os efeitos das sanções e do bloqueio prolongado.

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