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Endividamento de risco dispara 75% em cinco anos e afeta 20,3 milhões de brasileiros, aponta Banco Central

Em junho de 2026, o Banco Central divulgou que 20,3 milhões de brasileiros estavam em situação de endividamento de risco, o que corresponde a 17% dos tomadores de crédito no Sistema Financeiro Nacional. O dado revela um aumento de 75% em relação a 2021 e destaca a gravidade do problema no país.

Crescimento alarmante do endividamento de risco

O relatório de Estabilidade Financeira do BC mostrou que, em 2021, apenas 9,7% dos credenciados eram considerados de risco. Esse percentual subiu para 13,1% em 2022, 13,8% em 2023, recuou levemente para 13,4% em 2024 e voltou a subir, alcançando 17% em 2026.

Esse salto expressivo indica que mais brasileiros estão comprometendo grande parte da renda com dívidas, sem que isso signifique necessariamente inadimplência, mas sim vulnerabilidade financeira.

O endividamento de risco é definido pelo BC quando pelo menos dois dos quatro critérios de vulnerabilidade são atendidos, como peso da dívida no orçamento e uso de crédito de alto custo.

Perfil dos devedores por faixa de renda

Para quem ganha até dois salários mínimos, as dívidas absorvem cerca de 42% da renda mensal. Deste total, 15% são destinados ao pagamento de faturas de cartão de crédito, que costumam ter juros elevados.

Essa camada inclui 61,2 milhões de tomadores de crédito e apresenta maior incidência de modalidades como empréstimos pessoais sem consignação e crédito rotativo.

Entre os consumidores que recebem entre dois e cinco salários mínimos, são 22,3 milhões de pessoas. Nessa faixa, o comprometimento da renda com dívidas fica em torno de 30%, com destaque para empréstimos consignados e crédito para aquisição de bens.

Já os que ganham entre cinco e dez salários mínimos somam 7,5 milhões de tomadores. O peso das dívidas na renda desses consumidores é de aproximadamente 24%.

Por fim, quem tem renda acima de dez salários mínimos representa 4,4 milhões de credenciados, com 18,6% da renda comprometida, principalmente em financiamentos imobiliários e de veículos.

Impacto do crédito digital e respostas do Banco Central

O estudo aponta que a oferta constante de crédito em canais digitais tem estimulado a contratação impulsiva, sobretudo entre as camadas de menor renda.

Segundo pesquisa citada pelo BC, esse público recebe, em média, nove propostas digitais de crédito por mês, o que pode gerar endividamento sem planejamento adequado.

O Banco Central está avaliando medidas regulatórias para reduzir os riscos associados à concessão de crédito, como limites de oferta e maior transparência nas taxas.

Além disso, o relatório destaca problemas na modalidade Crédito do Trabalhador, criada para empréstimos consignados ao setor privado.

Em junho de 2026, o saldo de operações inadimplentes nessa linha chegou a R$ 6,1 bilhões, reflexo de demissões e transições de emprego.

Desafios e perspectivas para o futuro

O aumento do endividamento de risco coloca pressão sobre a estabilidade do sistema financeiro e exige políticas de educação financeira mais robustas.

Especialistas recomendam que consumidores priorizem a quitação de dívidas de alto custo, como cartão de crédito, antes de assumir novos compromissos.

Para os bancos, a tarefa é equilibrar a oferta de crédito com a avaliação criteriosa da capacidade de pagamento, evitando a expansão de carteiras vulneráveis.

O BC sinaliza que continuará monitorando os indicadores de risco e poderá adotar ferramentas como o Cadastro Positivo e limites de crédito por canal digital.

Enquanto isso, a população deve buscar planejamento financeiro, especialmente no período de fim de ano, quando o consumo costuma aumentar.

  • Revisar contratos e identificar juros abusivos;
  • Priorizar pagamento de dívidas com maiores taxas;
  • Utilizar ferramentas de controle de gastos;
  • Evitar novas contratações sem análise prévia.

Essas práticas podem ajudar a reduzir o número de brasileiros em situação de risco e a melhorar a saúde financeira do país.

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