O programa São Paulo São Libras atendeu 899 eleitores surdos durante os dois turnos das eleições estaduais de 2026, realizadas entre 20 de agosto e 26 de outubro, em todo o estado de São Paulo.
O serviço, que ofereceu interpretação em Língua Brasileira de Sinais via videochamada, foi acessado tanto nas seções eleitorais quanto por meio de plataformas digitais.
Contexto e relevância da iniciativa
A comunicação acessível tem se tornado um pilar fundamental das políticas públicas, sobretudo em processos que exigem participação cidadã massiva, como as eleições.
O secretário estadual de Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, destacou que garantir o acesso à informação em Libras é essencial para que pessoas surdas exerçam o voto com autonomia.
Essa perspectiva alinha‑se ao compromisso da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) de reduzir barreiras e promover a inclusão em todos os serviços públicos.
Dados dos atendimentos realizados
O balanço dividido por períodos evidencia a demanda crescente ao longo da campanha eleitoral.
- De 20 de agosto a 4 de outubro: 706 atendimentos.
- De 5 a 26 de outubro (período do segundo turno): 193 atendimentos.
Esses números demonstram que, mesmo após o primeiro turno, a necessidade de suporte em Libras permaneceu significativa.
Em média, foram realizados cerca de 30 atendimentos por dia durante a fase mais intensa do pleito.
Como funciona a Central de Interpretação de Libras
A Central opera por meio de uma plataforma de videochamada que conecta intérpretes profissionais a servidores públicos ou eleitores, em tempo real.
Para acionar o serviço, o usuário pode:
- Escanear o QR Code afixado nas áreas de votação.
- Acessar o site ou aplicativo do Poupatempo.
- Entrar no portal do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE‑SP).
Ao selecionar a opção de interpretação, a chamada é encaminhada a um intérprete disponível, que imediatamente inicia a tradução simultânea.
Todo o processo ocorre em ambiente seguro, preservando a privacidade dos eleitores e a integridade das informações.
Impactos percebidos pelos usuários
Entrevistas realizadas com eleitores surdos revelaram que a presença de intérpretes reduziu a ansiedade e aumentou a confiança ao exercer o direito ao voto.
Um usuário relatou que, antes da implantação do programa, precisava depender de terceiros para compreender as instruções nas urnas, o que gerava insegurança.
Com a interpretação em Libras, ele pôde acompanhar a leitura das cédulas e esclarecer dúvidas sobre o procedimento de votação.
Desafios e lições aprendidas
Apesar do sucesso, a implementação enfrentou alguns obstáculos logísticos, como a disponibilidade de intérpretes em regiões mais afastadas.
Para contornar a escassez, a SEDPcD adotou um modelo de escala flexível, permitindo que intérpretes de outras áreas do estado fossem convocados em casos de alta demanda.
Outro ponto crítico foi a necessidade de treinamento dos servidores de mesa para operar a plataforma de videochamada de forma ágil.
Perspectivas para as próximas eleições
Com base nos resultados de 2026, o governo estadual planeja expandir a rede de intérpretes, incorporando tecnologias de inteligência artificial para acelerar a conexão entre usuário e tradutor.
Além disso, está em fase de estudo a integração da Central com aplicativos de votação eletrônica, possibilitando que a interpretação ocorra diretamente no dispositivo do eleitor.
Essas inovações visam reduzir ainda mais o tempo de espera e garantir que nenhum eleitor surdo fique sem suporte.
Conclusão
O registro de 899 atendimentos evidencia que a acessibilidade comunicacional é um elemento imprescindível para a democracia inclusiva.
Ao garantir que pessoas surdas tenham acesso pleno à informação eleitoral, o programa reforça o princípio da igualdade de direitos e fortalece a confiança nas instituições.
O sucesso da iniciativa serve de modelo para outras unidades federativas que desejam aprimorar seus processos eleitorais, tornando‑os verdadeiramente acessíveis a todos os cidadãos.








