O recém‑lançado iPhone Duo começou a apresentar problemas de durabilidade na tela dobrável, poucos dias após chegar às lojas brasileiras em 23 de outubro de 2024. Usuários relataram rachaduras e falhas de pixel logo na primeira semana de uso, despertando dúvidas sobre a robustez do novo modelo. As queixas surgiram tanto em redes sociais quanto em fóruns especializados, como Reddit e X.
Primeiros relatos de falhas
Os primeiros relatos vieram de compradores que registraram imagens da tela rachada logo após abrir o aparelho pela primeira vez. Em um caso específico, um usuário australiano afirmou que a tela quebrou após apenas seis horas de uso e menos de 20 ciclos de abertura e fechamento.
Outro ponto comum nas postagens é a presença de linhas brancas de pixels atravessando o painel, geralmente localizadas próximo à dobradiça. Essas linhas costumam aparecer imediatamente após o estalo que rompe o vidro flexível.
Alguns consumidores também relataram que o dano ocorreu durante a configuração inicial, quando o aparelho ainda estava na caixa de demonstração nas lojas. Imagens compartilhadas no X mostram unidades de demonstração com a mesma fissura característica.
O padrão de localização das rachaduras – sempre próximo à linha da dobradiça – tem sido um dos fatores que impulsionou a viralização dos relatos nas redes sociais.
Análises técnicas apontam possíveis causas
Especialistas da iFixit desmontaram o iPhone Duo para investigar a origem do problema. O diagnóstico apontou que os pontos de falha concentram‑se na transição entre o cabo flexível que conecta as duas metades do aparelho e o suporte central da dobradiça.
Segundo a análise, vários componentes estruturais se cruzam nessa área, o que pode gerar concentração de tensão sobre o painel flexível quando o dispositivo é fechado. A teoria sugere que, se a barra de suporte central não recuar totalmente, a tela pode ser pressionada excessivamente.
Entretanto, a iFixit destacou que a investigação ainda não comprova a causa exata, apenas indica onde a tensão pode estar se acumulando.
Outras hipóteses levantadas incluem possíveis falhas no processo de fabricação do vidro flexível ou na calibragem da dobradiça durante a montagem. Ainda não há consenso entre os técnicos sobre qual dessas variáveis seria a responsável.
Reações da Apple e opções de reparo
A Apple ainda não se pronunciou oficialmente sobre o problema, o que dificulta a avaliação de sua extensão. Até o momento, não há anúncios de programas de substituição, recall ou reparo em massa.
Alguns usuários que levaram o aparelho a Apple Stores relataram ter recebido substituições imediatas. No caso australiano citado, o aparelho foi trocado no mesmo dia da reclamação.
Entretanto, o custo de um reparo completo da tela interna no Brasil pode chegar a R$ 10.989, um valor significativo quando comparado ao preço de entrada do iPhone Duo, que começa em R$ 21.999 e pode ultrapassar R$ 30.999 na configuração de 2 TB.
Essa diferença de preço torna o problema ainda mais delicado para os consumidores, que precisam decidir entre arcar com o alto custo do conserto ou adquirir um novo aparelho.
Impacto no mercado e no consumidor
O iPhone Duo chegou ao mercado brasileiro em 23 de outubro de 2024, com grande expectativa devido à sua tecnologia de tela dobrável. O surgimento precoce de falhas pode afetar a confiança dos compradores e influenciar a decisão de potenciais clientes.
Analistas de mercado apontam que, embora a quantidade de casos documentados ainda seja pequena, a natureza recorrente das rachaduras pode gerar um efeito de bola de neve nas redes sociais, ampliando a percepção de um defeito de fabricação.
Além disso, a Apple enfrenta o desafio de equilibrar a inovação tecnológica com a expectativa de qualidade premium que seus clientes esperam. Um eventual programa de reparo ou substituição poderia mitigar o impacto negativo, mas ainda não há sinal de ação institucional.
Para os consumidores que já adquiriram o iPhone Duo, a recomendação é observar atentamente a região da dobradiça durante os primeiros ciclos de abertura e fechar o aparelho com cuidado, evitando pressões excessivas que possam agravar a tensão na tela.
Enquanto isso, a comunidade de usuários continua a compartilhar vídeos e imagens nas plataformas digitais, contribuindo para a construção de um banco de dados que pode auxiliar técnicos e a própria Apple a identificar padrões e, eventualmente, corrigir o problema em futuras versões.
- Verifique a integridade da tela ao receber o aparelho.
- Evite fechar o dispositivo com força excessiva.
- Registre qualquer anomalia imediatamente e procure uma Apple Store autorizada.
- Considere a garantia e as opções de substituição oferecidas pela Apple.
Em síntese, a situação evidencia a importância de testes rigorosos em novos formatos de dispositivos, especialmente aqueles que introduzem componentes flexíveis e mecânicos inéditos. O caso do iPhone Duo serve como alerta para fabricantes que buscam inovar sem comprometer a durabilidade esperada pelos consumidores.








