O Itaú Unibanco anunciou a aquisição da startup brasileira de inteligência artificial NeoSpace, em um acordo avaliado em R$ 2,925 bilhões, com fechamento previsto para o segundo semestre de 2024. A operação foi formalizada na última quinta‑feira, em São Paulo, após quase dois anos de parceria entre as empresas.
Detalhes da operação
A compra prevê a transferência da totalidade das ações da NeoSpace para o banco, com pagamento dividido em duas etapas. Uma parte será quitada no ato do fechamento e o saldo será diluído ao longo de cinco anos, condicionado ao cumprimento de metas contratuais.
Conforme documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o contrato inclui cláusulas que garantem a manutenção da autonomia operacional da startup. O CEO Bruno Pierobon permanecerá à frente da empresa, e a equipe de pesquisa continuará focada no desenvolvimento de modelos avançados.
Além do pagamento, a transação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, órgãos que ainda precisam analisar os impactos concorrenciais e de estabilidade financeira.
Estratégia de IA do Itaú
O banco tem investido intensamente em inteligência artificial nos últimos anos, buscando integrar essas tecnologias aos seus serviços de crédito, investimentos e atendimento ao cliente. A NeoSpace traz expertise em modelagem de grandes volumes de dados, permitindo ao Itaú criar soluções mais precisas e personalizadas.
Entre as áreas que deverão se beneficiar da nova tecnologia estão:
- Crédito: análise de risco mais refinada, com capacidade de identificar padrões de comportamento em tempo real.
- Gestão financeira: recomendações automatizadas para clientes corporativos e pessoa física, baseadas em histórico de transações.
- Personalização do relacionamento: chatbots e assistentes virtuais que entendem melhor as necessidades individuais dos usuários.
- Assistente ia.i: evolução do agente generativo que já começou a ser integrado ao aplicativo do banco neste ano.
Ao combinar os modelos da NeoSpace com os vastos bancos de dados internos do Itaú, a instituição pretende criar algoritmos exclusivos para o setor financeiro, reduzindo a dependência de soluções de terceiros.
Em janeiro de 2025, o Itaú já havia investido US$ 15 milhões (cerca de R$ 74,5 milhões) para adquirir 15% da NeoSpace, participação que fez parte de uma rodada de US$ 18 milhões. Esse investimento inicial serviu como um teste de cooperação tecnológica antes da compra integral.
Desafios regulatórios e perspectivas de mercado
Embora a operação represente um passo significativo na digitalização do banco, ela ainda enfrenta obstáculos regulatórios. O Cade analisará se a concentração de tecnologia de IA no setor bancário pode gerar barreiras à concorrência, enquanto o Banco Central avaliará os riscos associados à segurança de dados e à governança de algoritmos.
Especialistas apontam que a integração de IA avançada pode gerar ganhos de eficiência, mas também exige robustos mecanismos de auditoria e transparência. O Itaú tem se preparado para atender a essas exigências, adotando políticas internas de ética em IA e criando comitês de governança.
Do ponto de vista do mercado, a aquisição sinaliza que grandes instituições financeiras brasileiras estão dispostas a investir pesado em tecnologia local. Isso pode estimular outras fintechs a buscar parcerias ou até mesmo a se tornar alvo de compras estratégicas.
Analistas de investimentos destacam que a valorização da NeoSpace reflete não apenas seu portfólio de patentes, mas também a capacidade de escalar soluções em ambientes de alta complexidade, como o sistema bancário. A expectativa é que, nos próximos anos, o banco lance novos produtos baseados em IA que aumentem a retenção de clientes e a rentabilidade dos serviços.
Para os clientes, a mudança pode se traduzir em experiências mais fluidas, como aprovação de crédito em minutos, recomendações de investimentos personalizadas e atendimento virtual que entende o contexto da conversa. Contudo, a adoção de IA também traz preocupações sobre privacidade, que o Itaú promete mitigar com políticas de consentimento explícito.
Em resumo, a compra da NeoSpace representa um marco na jornada de transformação digital do Itaú Unibanco, reforçando seu posicionamento como líder em inovação no setor financeiro brasileiro. A operação ainda depende de aprovações regulatórias, mas, se concluída, deve acelerar a implementação de soluções de IA em larga escala, impactando positivamente tanto a instituição quanto seus milhões de clientes.








