Entre 2024 e 2026, a economia brasileira registrou expansão do Produto Interno Bruto, queda histórica do desemprego e aumento da renda média dos trabalhadores, tudo isso sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O cenário foi analisado em diferentes setores, revelando contrastes entre os ganhos macroeconômicos e a percepção de bem‑estar da população. O panorama mostra que, embora os indicadores positivos existam, famílias ainda enfrentam pressão de juros elevados e dívidas crescentes.
Resultados positivos do PIB e do mercado de trabalho
Nos três primeiros anos do terceiro mandato, o Brasil acumulou crescimento anual consecutivo, com o PIB avançando cerca de 2,3% ao ano em média. Esse ritmo foi sustentado por políticas de estímulo ao consumo interno e investimentos em infraestrutura. O desemprego atingiu 6,1%, a menor taxa registrada desde a década de 1990, refletindo a criação de milhões de postos formais.
Além da redução da taxa de desemprego, a renda real dos trabalhadores teve aumento de 4,5% no período, impulsionada por reajustes salariais acima da inflação. O emprego formal cresceu em setores como serviços de saúde, educação e tecnologia da informação, que demandam qualificação média a alta.
Desigualdades setoriais e limites do poder de compra
Os indicadores agregados, porém, mascaram disparidades importantes entre os diferentes ramos da economia. Enquanto a agropecuária e a indústria extrativa se beneficiaram da alta dos preços internacionais das commodities, o comércio varejista e parte da indústria de bens de consumo permaneceram vulneráveis à demanda doméstica.
Especialistas da FGV/Ibge apontam que a expansão de vagas concentrou‑se em serviços de baixa qualificação, como limpeza, segurança e atendimento ao cliente. Por outro lado, áreas que exigem formação superior, como engenharia e pesquisa, apresentaram crescimento tímido de oportunidades.
O salário mínimo, fixado em R$ 1.621, ainda está próximo dos níveis reais de 2012‑2013, o que indica que o ganho de poder de compra para trabalhadores que recebem até três salários mínimos permanece limitado. A alta dos alimentos, que representa maior parte do orçamento das famílias de baixa renda, continua a corroer a renda disponível.
Impacto dos juros e das dívidas nas famílias
Além da inflação, o custo do crédito tem sido um fator crítico para a saúde financeira das famílias. Em julho de 2026, 28,7% da renda mensal dos domicílios foi destinada ao pagamento de dívidas, segundo o Banco Central. Deste total, 11,5% correspondia ao pagamento de juros, o que reduz drasticamente a margem para consumo.
Os juros elevados são consequência de políticas monetárias restritivas adotadas para conter a inflação, mas geram um efeito colateral: o endividamento cresce e o acesso a crédito mais barato se torna restrito. Essa situação limita o impacto positivo do aumento de empregos e salários.
- 28,7% da renda familiar comprometida com dívidas (julho/2026).
- 17,2% destinado ao pagamento do principal da dívida.
- 11,5% gasto exclusivamente com juros.
- Taxa de juros média acima de 10% ao ano.
Mesmo com a desaceleração da inflação, os preços de alimentos e combustíveis continuam a subir, embora em ritmo mais moderado. Isso significa que a carga sobre o orçamento das famílias de menor renda não diminui de forma significativa.
Perspectivas e desafios para o próximo período
O próximo ciclo eleitoral coloca a economia como tema central nas discussões políticas. O governo precisará equilibrar o estímulo ao crescimento com a necessidade de reduzir o custo do crédito e aliviar o peso das dívidas sobre as camadas mais vulneráveis.
Políticas de renegociação de dívidas, redução de juros para micro‑crédito e investimentos em educação profissional podem ampliar a inclusão nos setores de alta remuneração. Ao mesmo tempo, a diversificação da matriz exportadora pode diminuir a dependência de commodities e tornar a economia mais resiliente a choques externos.
Em síntese, o terceiro mandato de Lula trouxe avanços mensuráveis no PIB, no desemprego e na renda média, mas também revelou que o crescimento econômico não se traduz automaticamente em bem‑estar para toda a população. O desafio futuro será transformar esses números positivos em melhorias concretas no cotidiano das famílias brasileiras.








