O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,32% em outubro de 2026, segundo divulgação feita nesta sexta‑feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador, que serve como prévia da inflação oficial, mostrou desaceleração em relação ao mês anterior, quando registrou alta de 0,70%.
Alimentação e Bebidas lidera a alta
O grupo Alimentação e Bebidas foi o principal responsável pelo aumento do índice, avançando 0,88% no período. Esse resultado representa uma aceleração significativa em comparação a setembro, quando o mesmo grupo registrou alta de apenas 0,40%.
Dentro desse segmento, a alimentação no domicílio destacou‑se com variação de 1,01%, quase triplicando o crescimento observado em setembro (0,38%). O consumo fora de casa também encareceu, com alta de 0,56% em outubro, frente a 0,44% no mês anterior.
- Refeição em restaurantes: +0,61%
- Lanche em lanchonetes: +0,66%
Despesas pessoais e vestuário em destaque
Despesas pessoais registraram alta de 0,55%, sendo o segundo maior contribuinte para a elevação do IPCA‑15. Apesar do crescimento, a taxa desacelerou em relação a setembro, quando chegou a 0,96%.
Os itens que mais impulsionaram esse grupo foram:
- Cinema, teatro e concertos: +4,30%
- Pacotes turísticos: +2,18%
- Empregado doméstico: +0,62%
O vestuário também apresentou aumento, passando de 0,41% em setembro para 0,53% em outubro, reforçando a pressão sobre o consumo de bens não essenciais.
Transportes, habitação e variações regionais
O segmento de Transportes teve alta modesta de 0,05%, mas foi fortemente influenciado pelos combustíveis, que saltaram de 0,22% em setembro para 1,20% em outubro. Entre os combustíveis, o óleo diesel subiu 3,70%, o etanol 2,73% e a gasolina 0,92%.
Em contraste, as passagens aéreas registraram queda de 9,24%, refletindo a combinação de menor demanda e ajustes tarifários nas companhias.
Já a Habitação foi o único grupo que apresentou queda, de 0,10%, impulsionada principalmente pela energia elétrica residencial, que passou de alta de 7,42% em setembro para queda de 0,89% em outubro. Essa reversão deve‑se à mudança da bandeira tarifária de amarela para verde, que suspendeu cobranças adicionais na conta de luz.
Outros subitens de Habitação que se destacaram foram:
- Gás de botijão: +1,28%
- Aluguel residencial: +0,28%
O IBGE ainda apontou oscilações regionais marcantes: Fortaleza registrou queda de 4% nos preços, enquanto Belém teve alta de 3,71%. Em Fortaleza, a redução foi motivada pela repactuação do Uso de Bem Público (UBP) pela Aneel, enquanto em Belém o aumento refletiu um reajuste tarifário de 6,63% em vigor desde setembro.
No acumulado de 12 meses até outubro de 2026, o IPCA‑15 soma alta de 4,62%, ultrapassando os 4,47% observados nos 12 meses anteriores. No ano, o índice acumulou alta de 4,15%.
Esses números reforçam a importância de acompanhar de perto a evolução dos preços, sobretudo nos setores de alimentação e energia, que têm maior peso na cesta de consumo das famílias brasileiras.








