Mariana Matsui lança seu primeiro álbum, trazendo à tona a canção “Mentira” de Marcos Valle e a obra “Fotografia” de Tom Jobim, com lançamento marcado para 28 de outubro. A gravação acontece no estúdio Da Pá Virada, em São Paulo, e conta com a participação direta de Marcos Valle. O projeto chega ao público nas versões digital e física, distribuídas pela Rambling Records, gravadora japonesa.
Contexto histórico da canção
Em 1973, Marcos Valle gravou o álbum “Previsão do Tempo”, inserindo “Mentira” em um cenário de repressão política durante a ditadura militar brasileira. O clima pesado da época influenciou a sonoridade groove do trio Azymuth, que colaborou na produção. A música ganhou destaque ao integrar a trilha sonora da novela “Carinhoso”, transmitida pela TV Globo naquele mesmo ano.
A inserção na novela possibilitou a edição de “Mentira” como single, formato compacto que dominava o mercado fonográfico da época. Vinte e sete anos depois, o trecho foi sampleado pela banda Planet Hemp na faixa “Contexto”, lançada em 2000, demonstrando a durabilidade da melodia no universo musical brasileiro.
A trajetória de “Mentira” ao longo das décadas
O percurso de “Mentira” inclui três marcos principais: a gravação original de 1973, o sample de 2000 e a nova versão de 2024. Cada momento reflete uma geração distinta, mas mantém a essência do groove e da crítica social embutida na letra. A canção, escrita por Marcos e seu irmão Paulo Sérgio Valle, permanece relevante ao abordar temas de falsidade e manipulação.
Ao longo dos anos, artistas de diferentes estilos reinterpretaram a música, ampliando seu alcance. O uso do sample por Planet Hemp introduziu a obra ao público do rap e do rock alternativo, enquanto a versão de Mariana Matsui traz um olhar contemporâneo, mesclando bossa nova e influências japonesas.
O novo álbum de Mariana Matsui
Intitulado simplesmente “Mariana Matsui”, o álbum reúne nove faixas gravadas no estúdio Da Pá Virada. A produção musical ficou a cargo de Thiago Big Rabello, responsável pela bateria e percussão, que também atuou como co-produtor. Entre os músicos convidados estão Conrado Goys (violão e guitarra), Fábio Sá (baixo) e Salomão Soares (piano, Rhodes e sintetizadores).
Além de “Mentira”, o disco apresenta uma releitura de “Fotografia”, composta por Tom Jobim em 1959, considerada uma obra-prima da música popular brasileira. A interpretação de Matsui traz nuances suaves, reforçadas pela presença do violoncelista Jaques Morelenbaum na faixa “Lullaby”, escrita durante a descoberta da sua primeira gravidez.
- Mariana Matsui – voz e violão
- Marcos Valle – participação especial
- Jaques Morelenbaum – violoncelo em “Lullaby”
- Lisa Ono – duetos em “Kawa no nagare no yō ni”
- Thiago Big Rabello – bateria e percussão
A faixa “Kawa no nagare no yō ni” recebe um arranjo de bossa nova, unindo a tradição musical japonesa ao ritmo brasileiro. A colaboração com Lisa Ono, artista que também transita entre Brasil e Japão, reforça a identidade bicultural do álbum.
Colaborações e influências culturais
O projeto destaca a intersecção entre duas culturas que compartilham história migratória e sonora. A presença de músicos como Jaques Morelenbaum e Lisa Ono evidencia a ponte entre o jazz brasileiro, a bossa nova e a música tradicional japonesa. Cada colaboração foi pensada para realçar a riqueza melódica das composições originais.
O álbum também inclui um detalhe técnico notável: a gravação de “Lullaby” foi feita em um único take, capturando a emoção crua do momento. Salomão Soares, ao tocar piano, proporcionou uma base harmônica que sustenta a voz delicada de Matsui.
Com lançamento previsto para o final de outubro, o disco já gera expectativa entre fãs de MPB, jazz e world music. A estratégia de distribuição física, através de CDs lançados pela Rambling Records, visa atender colecionadores e audiências que ainda valorizam o formato tangível.
Em síntese, o álbum de Mariana Matsui funciona como um arquivo vivo, preservando e renovando clássicos da música brasileira enquanto celebra a conexão cultural com o Japão. A obra reforça o legado de Marcos Valle e Tom Jobim, mostrando que suas composições continuam inspirando novas gerações.








