Uma nova pesquisa realizada pelo PoderData em parceria com a Aya revelou que o senador Flávio Bolsonaro e o ex‑presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão empatados tecnicamente para o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento foi divulgado na quinta‑feira, 22 de outubro de 2026, e cobre todo o território nacional brasileiro.
Cenário geral da disputa
De acordo com o estudo, Flávio Bolsonaro registra 49% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 48% quando considerados todos os eleitores, inclusive brancos, nulos e indecisos. A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro de 1,6 ponto, o que caracteriza um empate técnico.
Quando o cálculo exclui os eleitores que escolheram voto em branco, nulo ou ainda indecisos, o senador sobe para 51% e Lula recua para 49%. Mesmo nesse recorte, a diferença de dois pontos ainda respeita a margem de erro, reforçando a ideia de que a corrida está extremamente equilibrada.
O campo de pesquisa abrangeu 4.000 eleitores em 865 municípios das 27 unidades da Federação, com entrevistas realizadas entre os dias 19 e 21 de outubro. Essa amostra amplia a representatividade dos resultados, permitindo comparações detalhadas por região, sexo, religião e outras variáveis demográficas.
Desdobramentos regionais e demográficos
O levantamento destaca divergências marcantes entre as regiões brasileiras. No Nordeste, Lula lidera com 64% das intenções de voto contra 33% de Flávio. No Norte, a situação se inverte: o senador obtém 52% e o ex‑presidente 46%.
Nas demais regiões, Flávio Bolsonaro mantém vantagem. No Centro‑Oeste, ele acumula 62% dos votos, enquanto Lula tem 36%. No Sudeste, a disputa é mais apertada, com 52% para Flávio e 43% para Lula. No Sul, o senador lidera com 60% contra 36% do candidato do PT.
- Nordeste: Lula 64% – Flávio 33%
- Norte: Flávio 52% – Lula 46%
- Centro‑Oeste: Flávio 62% – Lula 36%
- Sudeste: Flávio 52% – Lula 43%
- Sul: Flávio 60% – Lula 36%
O recorte por sexo também revela contrastes. Entre os homens, Flávio conquista 57% das intenções, enquanto Lula obtém 39%. Entre as mulheres, a balança se inverte: Lula chega a 55% e Flávio a 41%.
Essas diferenças de gênero refletem ainda nas avaliações de aprovação do governo. Das mulheres entrevistadas, 52% aprovam a atuação de Lula, enquanto 41% desaprovam. Entre os homens, a desaprovação chega a 58%, com apenas 38% de aprovação.
As crenças religiosas são outro fator de polarização. Entre os católicos, Lula tem 52% de apoio e Flávio 45%. Entre os evangélicos, o senador domina com 65% contra 32% de Lula. Em grupos menores, como espíritas, kardecistas, umbanda e candomblé, Lula também registra vantagem.
- Católicos: Lula 52% – Flávio 45%
- Evangélicos: Flávio 65% – Lula 32%
- Sem religião: Lula 63% – Flávio 32%
- Espíritas/kardecistas: Lula 54% – Flávio 45%
- Umbanda/candomblé: Lula 59% – Flávio 34%
Quanto à decisão dos eleitores, 94% dos entrevistados que já escolheram um candidato ou optaram por voto em branco/nulo afirmam que a escolha está definida. Apenas 6% ainda consideram mudar de opinião.
Entre os apoiadores de Flávio, 97% dizem estar decididos, enquanto 3% admitem a possibilidade de mudar. No caso de Lula, 94% mantêm a decisão e 6% ainda ponderam alternativas. Entre os que pretendem votar em branco ou nulo, 42% reconhecem que podem alterar a escolha.
Implicações para o segundo turno
A proximidade do segundo turno, marcado para o domingo, 25 de outubro, eleva a importância dos últimos dias de campanha. A pesquisa indica que a disputa ainda pode mudar, sobretudo nos grupos indecisos e nos eleitores que ainda não definiram o voto.
A avaliação geral da gestão de Lula também está dividida: 46% aprovam, 50% desaprovam e 4% não souberam responder. Na avaliação pessoal do presidente, 46% aprovam e 49% desaprovam, com 5% indecisos.
Regionalmente, a aprovação do governo atinge 63% no Nordeste, enquanto a desaprovação chega a 64% no Centro‑Oeste e 62% no Sul. Entre os evangélicos, 65% desaprovam a gestão, contrastando com 31% que a aprovam.
Esses números sugerem que a estratégia de campanha nos próximos dias deverá focar nos eleitores ainda indecisos, bem como nos grupos que apresentam maior volatilidade, como os eleitores masculinos e os evangélicos.
Além disso, a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha, prevista para as 19h da mesma quinta‑feira, pode trazer novas nuances ao panorama eleitoral, reforçando a necessidade de monitoramento constante das tendências de voto.
Em síntese, a pesquisa PoderData/Aya mostra um cenário de empate técnico, com variações significativas entre regiões, gêneros e crenças. O resultado final do segundo turno ainda depende de fatores ainda em movimento, como a capacidade de mobilização dos candidatos e a influência de eventos de última hora.








