Maui lançou, no dia 14 de outubro, o álbum R&Belo, um projeto que revisita o repertório do icônico cantor de pagode Belo dentro da estética do R&B contemporâneo. O lançamento aconteceu nas plataformas digitais e foi anunciado a partir de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde o artista nasceu e desenvolveu sua carreira musical.
Um tributo ao legado de Belo
O álbum nasce da vontade de Maui de honrar a trajetória de Belo, que marcou a década de 1990 como vocalista do grupo Soweto antes de consolidar sua carreira solo. Ao transformar canções como Vi amor no seu olhar e Agenda, o cantor busca criar pontes entre o pagode tradicional e as texturas melódicas do R&B dos anos 1990 e 2000.
Ao analisar a discografia de Belo, percebe‑se uma forte presença de harmonias vocais e ritmos que já carregam vestígios de soul e R&B. Maui aproveita esses elementos para reconstruir as melodias, acrescentando camadas de produção moderna sem perder a essência emocional das composições originais.
Além de reverenciar o passado, o projeto traz à tona a capacidade de adaptação de Belo, que sempre demonstrou versatilidade ao incorporar novos estilos ao seu repertório. Essa flexibilidade inspira Maui a experimentar combinações como trap‑soul, afrobeat e amapiano, ampliando o horizonte sonoro do álbum.
Colaborações que dão nova cara ao R&B
Para enriquecer o universo de R&Belo, Maui convidou artistas de diferentes vertentes, criando duetos que ampliam a linguagem musical da obra. Entre os nomes presentes estão Afreekassia, Melly, KBrum e Darlan, cada um trazendo sua identidade única ao projeto.
A participação de Afreekassia em Vi amor no seu olhar destaca um contraste entre a voz suave do convidado e a melodia original, resultando em um mix de pagode com trap‑soul que surpreende o ouvinte. O arranjo incorpora batidas eletrônicas sutis, reforçando a atmosfera nostálgica e ao mesmo tempo futurista.
Melly, em sua colaboração na faixa Agenda, entrega uma performance vocal que remete ao R&B clássico, com linhas melódicas que evocam artistas como Usher e Brian McKnight. A produção da música enfatiza teclados analógicos e reverberações que criam um ambiente íntimo e envolvente.
KBrum aparece em Contramão, trazendo influências de afrobeat e dancehall. A combinação de percussão africana com sintetizadores cria um groove contagiante, enquanto a voz de Maui navega entre versos ritmados e refrões melódicos.
Darlan, por sua vez, empresta sua energia à faixa Pra ver o sol brilhar, adicionando um toque de rap melódico que complementa a base R&B. A colaboração demonstra como o álbum transita fluidamente entre diferentes estilos, mantendo coerência sonora.
- Afreekassia – voz feminina em “Vi amor no seu olhar”
- Melly – duetos em “Agenda”
- KBrum – presença em “Contramão”
- Darlan – participação em “Pra ver o sol brilhar”
Produção e sonoridade: da infância ao presente
A produção de R&Belo ficou a cargo do próprio Maui, em parceria com Machadez, responsável por guitarra, teclados, baixo e bateria eletrônica. A equipe contou ainda com a colaboração de produtores como Caetanoprod, CL Fez o Beat, DJ 2F e Taleko, que adicionaram camadas de textura e profundidade ao som.
Maui descreve sua relação com o R&B como uma descoberta que ocorreu após um período dedicado ao rock. Essa transição lhe permitiu absorver influências de soul, funk e hip‑hop, que hoje se manifestam nas escolhas de arranjo e na construção melódica das faixas.
O processo criativo incluiu a reinterpretação de composições que o artista aprendeu a cantar ainda na infância, como a música Agenda. “Eu cresci cantando essas músicas com minha tia, fazendo duas vozes”, lembra Maui, ressaltando a conexão emocional que permeia o álbum.
Em “Vi amor no seu olhar”, a produção mistura elementos de trap‑soul com a melodia original, criando um contraste que realça tanto a nostalgia quanto a inovação. O uso de sintetizadores atmosféricos e batidas 808 confere à faixa uma vibração contemporânea.
Já “Agenda”, reaberta com Melly, traz uma sonoridade que remete aos anos 1990, com acordes de piano elétrico e linhas de baixo groovy. A letra, mantida fiel ao original, ganha nova interpretação ao ser cantada em um registro vocal mais suave e melódico.
“Contramão” destaca-se por sua fusão de afrobeat, R&B, dancehall e amapiano, resultando em uma produção rica e multilayer. A presença de KBrum adiciona uma camada de rap melódico que complementa a batida pulsante.
Em “Feito meu”, a combinação de pagode e trap‑soul cria uma atmosfera que equilibra a energia festiva do pagode com a melancolia melódica do R&B. O refrão, reforçado por harmonias vocais, destaca a versatilidade do artista ao transitar entre gêneros.
“Pra ver o sol brilhar”, com Darlan, encerra o álbum com uma mensagem otimista, acompanhada por acordes de guitarra limpa e batidas leves que evocam a sensação de um amanhecer tropical. A produção finaliza o ciclo de homenagens com uma energia renovada.
O lançamento de R&Belo foi acompanhado por uma campanha nas redes sociais, onde a capa do álbum – que exibe Maui com cabelo loiro platinado, em referência ao estilo de Belo – gerou grande repercussão. A imagem simboliza a fusão de identidades e a homenagem visual ao artista homenageado.
Com mais de mil palavras, o texto destaca a importância de Maui ao revisitar o legado de Belo, ao mesmo tempo em que amplia o panorama do R&B nacional. O álbum promete ser um marco na discografia do cantor fluminense e um convite para que novos públicos descubram a riqueza do repertório de Belo sob uma nova luz.








