Monica Thomas, de 34 anos, começou a sentir coceira e dor intensa na região íntima ainda na adolescência, mas só recebeu o diagnóstico correto de líquen escleroso em 2023, na cidade de Suffolk, Inglaterra. A história da fundadora da ONG Women’s Health Hope revela como o silêncio e o preconceito dificultam a identificação precoce de doenças ginecológicas.
O diagnóstico tardio e o impacto na vida de Monica
Durante seis meses, Monica foi examinada 28 vezes sem que os médicos considerassem a possibilidade de uma condição rara. Ela descreve o período como “uma fase horrível e solitária”, marcado por dores constantes que a deixaram acamada por dias.
Os profissionais inicialmente descartaram os sintomas como candidíase e, posteriormente, sugeriram exames para HIV e até medicação para herpes, aumentando o sofrimento psicológico da paciente.
Além da dor física, o diagnóstico tardio gerou um impacto significativo na saúde mental de Monica, que relatou sentir vergonha e isolamento ao conversar sobre seus sintomas íntimos.
Mesmo após a confirmação do líquen escleroso, ela ainda enfrenta dificuldades para acessar tratamento adequado, dependendo de um creme esteroide que aplica sozinha.
Entendendo o líquen escleroso: causas, sintomas e tratamento
O líquen escleroso é uma doença inflamatória crônica que afeta a pele dos genitais, produzindo manchas brancas, fissuras, coceira e dor ao urinar ou ter relações sexuais. Embora seja mais frequente em mulheres acima de 50 anos, pode acometer pessoas de qualquer idade, inclusive crianças.
Os principais sintomas incluem:
- Coceira persistente
- Manchas brancas na pele
- Fissuras dolorosas
- Dificuldade ao urinar
- Desconforto durante a relação sexual
Especialistas apontam que a causa exata ainda é desconhecida, mas acredita‑se que um ataque equivocado do sistema imunológico à pele desencadeie a inflamação.
O tratamento padrão envolve o uso de cremes de corticoide de alta potência, que ajudam a controlar a inflamação e prevenir complicações, como o risco de câncer de vulva.
É fundamental que pacientes procurem avaliação médica ao perceberem qualquer sintoma persistente, pois o diagnóstico precoce reduz o risco de complicações e melhora a qualidade de vida.
A necessidade de conscientização e apoio
Estudos da Universidade de Bristol estimam que cerca de 1% das mulheres podem ter líquen escleroso, mas especialistas acreditam que esse número seja subestimado devido à demora no diagnóstico.
O silêncio cultural em torno da saúde ginecológica, aliado à falta de treinamento específico de alguns profissionais de saúde, cria barreiras que impedem que muitas pessoas recebam ajuda a tempo.
Monica Thomas fundou a Women’s Health Hope com o objetivo de oferecer informação, apoio emocional e recursos para quem enfrenta doenças semelhantes, tentando romper o tabu que ainda persiste.
Campanhas de educação pública, treinamento de médicos e a criação de grupos de apoio são medidas essenciais para reduzir o estigma e melhorar o acesso ao tratamento.
Ao compartilhar sua história, Monica espera inspirar outras mulheres a buscar ajuda sem medo e incentivar a comunidade médica a considerar o líquen escleroso como diagnóstico diferencial em casos de coceira e dor genital.








