Home / Saúde / Transplante de fígado de britânica após uso de ashwagandha leva Anvisa a reforçar proibição no Brasil

Transplante de fígado de britânica após uso de ashwagandha leva Anvisa a reforçar proibição no Brasil

Uma mulher de 44 anos entrou em coma e precisou passar por transplante de fígado após consumir gomas de ashwagandha por quase um ano. O caso foi registrado em novembro de 2023 em Lymm, no condado de Cheshire, Inglaterra, e ganhou repercussão internacional. A situação reacendeu o debate sobre a segurança dos suplementos naturais e levou a Anvisa a intensificar o alerta sobre a proibição da erva no território brasileiro.

Detalhes do caso clínico de Lois Kinder

Lois Kinder, residente em Lymm, começou a usar as gomas de ashwagandha como parte de sua rotina de bem‑estar, acreditando nos benefícios anunciados para redução do estresse e melhora do sono. Ela também divulgava o produto em sua conta no TikTok, recebendo envios de empresas do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Índia para revender aos seguidores.

Após cerca de doze meses de uso contínuo, a primeira mudança perceptível foi a coloração amarelada da pele e dos olhos, um sintoma conhecido como icterícia. Esse sinal indica que o fígado não está conseguindo processar a bilirrubina, o pigmento amarelo produzido pela degradação dos glóbulos vermelhos.

Com o agravamento da condição, Lois foi internada em estado crítico. Os médicos identificaram falência hepática avançada e, como única alternativa viável, decidiram pela realização de um transplante de fígado. Durante a cirurgia, ela sofreu três paradas cardíacas provocadas por um coágulo que obstruiu a artéria pulmonar principal, resultando em danos cerebrais graves.

Os especialistas que acompanharam o caso apontam que a ashwagandha pode ter desempenhado um papel central na lesão hepática, embora a relação causal exata ainda esteja sendo estudada. O diagnóstico foi confirmado por exames de imagem, testes de função hepática e histórico de consumo do suplemento.

Riscos associados ao consumo de ashwagandha

Embora seja promovida como um remédio natural para ansiedade, insônia e desequilíbrios hormonais, a ashwagandha não possui comprovação científica robusta de eficácia ou segurança. Estudos de caso publicados em 2020 e 2022 relataram episódios de icterícia intensa, coceira e, em alguns casos, necessidade de transplante hepático.

Uma revisão sistemática realizada em 2023 analisou 37 relatos de lesões hepáticas vinculadas ao consumo da erva. Desses, vários evoluíram para falência aguda, necessidade de transplante ou até óbito. Os autores concluíram que, embora a incidência seja baixa, o risco de eventos graves não pode ser ignorado.

Os mecanismos toxicológicos ainda são objeto de investigação, mas hipóteses incluem reações alérgicas, interação com medicamentos metabolizados pelo fígado e contaminação por substâncias adulterantes durante o processo de fabricação.

  • Monitoramento de sinais de icterícia (pele e olhos amarelados).
  • Realização de exames de função hepática antes e durante o uso prolongado.
  • Consulta médica prévia, especialmente para pessoas com histórico de doenças hepáticas.
  • Atenção a interações medicamentosas, como anticoagulantes e anti‑hipertensivos.

Regulamentação da Anvisa e situação no Brasil

No Brasil, a ashwagandha foi incluída na lista de substâncias proibidas para suplementos alimentares a partir de novembro de 2022, por meio da Resolução da Anvisa RDC 243/2018, que só permite ingredientes previamente autorizados. Apesar da proibição, ainda são encontrados produtos que contêm a erva em farmácias, lojas de produtos naturais e plataformas online.

A agência sanitária reforçou recentemente o alerta, lembrando que a comercialização de suplementos contendo ashwagandha viola a legislação e que a eficácia e a segurança desses produtos não foram comprovadas. A Anvisa também destaca que a publicidade que promete cura, tratamento ou prevenção de doenças é proibida para suplementos alimentares.

Consumidores podem denunciar a venda ilegal à Anvisa ou à vigilância sanitária municipal. As fiscalizações têm aumentado, mas a demanda por produtos “naturais” ainda impulsiona um mercado informal que contorna a regulamentação.

Recomendações para consumidores e profissionais de saúde

Para quem busca alternativas naturais para manejo do estresse ou melhora do sono, a orientação principal é buscar evidência científica e consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplemento. A percepção de que “natural” equivale a “inofensivo” pode levar a decisões arriscadas, como demonstrado pelo caso de Lois Kinder.

Profissionais de saúde devem estar atentos a relatos de uso de suplementos não regulamentados e solicitar histórico detalhado de consumo ao avaliar pacientes com sinais de comprometimento hepático. A educação sobre os limites da medicina alternativa é essencial para prevenir complicações graves.

Em resumo, o caso destaca a importância de:

  • Respeitar as normas da Anvisa quanto à comercialização de suplementos.
  • Exigir transparência dos fabricantes sobre composição e estudos de segurança.
  • Priorizar acompanhamento médico ao introduzir qualquer substância nova no organismo.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

loader-image
Guarulhos, BR
4:23 am, nov 2, 2026
temperature icon 18°C
Névoa
1013 mb
Hora
5:00 am
temperature icon
17°/19°°C 1.52 mm 76% 4 Km/h 96% 1015 mb 0 cm
8:00 am
temperature icon
19°/23°°C 5.12 mm 81% 2 Km/h 91% 1017 mb 0 cm
11:00 am
temperature icon
19°/25°°C 0.57 mm 51% 11 Km/h 83% 1016 mb 0 cm
2:00 pm
temperature icon
23°/24°°C 0.44 mm 35% 16 Km/h 73% 1014 mb 0 cm
5:00 pm
temperature icon
21°/22°°C 0 mm 23% 6 Km/h 81% 1014 mb 0 cm
8:00 pm
temperature icon
19°/20°°C 0 mm 27% 7 Km/h 87% 1015 mb 0 cm
12:00 am
temperature icon
18°/19°°C 0 mm 24% 5 Km/h 88% 1014 mb 0 cm
3:00 am
temperature icon
17°/18°°C 0 mm 32% 6 Km/h 91% 1013 mb 0 cm