O Ministério da Agricultura anunciou, na manhã de 19 de outubro, a suspensão total das importações de frango do Brasil pela Malásia, após a detecção de um foco da doença de Newcastle (DNC) no oeste de Santa Catarina. A medida segue a decisão da China, Chile e Arábia Saudita, que já haviam limitado suas compras ao estado afetado. O alerta sanitário afeta diretamente a cadeia exportadora de carne de aves, que responde por bilhões de dólares em receitas anuais.
Suspensão das exportações e reações internacionais
China, Chile e México foram os primeiros a comunicar restrições específicas ao estado catarinense, enquanto a Malásia optou por bloquear todas as importações brasileiras. A Arábia Saudita, por sua vez, decidiu aplicar a restrição apenas ao foco localizado em Santa Catarina, permitindo a continuidade das compras de outros estados.
Essas decisões foram tomadas com base em protocolos sanitários firmados entre os países importadores e o Brasil. Cada protocolo define cenários de resposta, que podem variar entre suspensão total, bloqueio estadual ou restrição ao foco da doença.
- China: restrição limitada ao estado de Santa Catarina.
- Chile: bloqueio estadual semelhante ao da China.
- México: suspensão total das importações brasileiras.
- Malásia: embargo completo de frango brasileiro.
- Arábia Saudita: restrição apenas ao foco da DNC em Santa Catarina.
Impacto econômico para Santa Catarina e o Brasil
Santa Catarina representa pouco mais de 20% das exportações brasileiras de carne de frango, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A limitação das vendas para os principais compradores internacionais pode gerar perdas de centenas de milhões de dólares, além de afetar a cadeia produtiva local, que inclui frigoríficos, fornecedores de ração e transportadoras.
Os frigoríficos dos demais estados, como Paraná e Rio Grande do Sul, ainda podem manter seus embarques, mas a concentração de produção em Santa Catarina torna a região vulnerável a choques de mercado. A ABPA estima que a restrição possa reduzir o volume exportado em até 15% nos próximos três meses.
Além do impacto direto nas receitas, a medida pode gerar efeitos colaterais, como aumento de custos logísticos, necessidade de redirecionamento de lotes para mercados alternativos e pressão sobre a taxa de câmbio do real frente ao dólar.
Protocolos sanitários e perspectivas futuras
Os protocolos sanitários estabelecidos entre o Brasil e seus parceiros comerciais preveem diferentes níveis de restrição, dependendo da gravidade e da localização do foco de DNC. Quando a doença é identificada, o Ministério da Agricultura deve comunicar imediatamente o importador, que decide a extensão da medida.
No caso de 2024, quando o foco ocorreu no Rio Grande do Sul, a China manteve o bloqueio apenas às empresas situadas na zona afetada, permitindo que produtores de outros estados continuassem a exportar. A resposta atual da China foi mais ágil, refletindo a experiência adquirida nos episódios anteriores.
Especialistas apontam que a vigilância ativa, como a realizada em Santa Catarina, será fundamental para evitar a propagação da doença e minimizar impactos econômicos. A detecção precoce em uma criação de perus, com cerca de 6 mil animais, demonstra a eficácia dos testes periódicos realizados por sorteio.
Enquanto os mercados internacionais avaliam a situação, o Brasil mantém a comunicação aberta com os parceiros comerciais, reforçando o compromisso com a segurança sanitária e a transparência dos processos.
O futuro das exportações dependerá da evolução dos resultados laboratoriais, da contenção do foco e da negociação de possíveis ajustes nos protocolos. Caso a situação seja controlada rapidamente, é provável que os países que impuseram restrições totais revisem suas posições nos próximos dias.








