Uma operação de vigilância sanitária está em curso em Santa Catarina após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja de perus na região de Nova Itaberaba, no Oeste do estado. A iniciativa, coordenada pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), prevê visitas a cerca de 1,6 mil propriedades nos arredores do foco. O objetivo é coletar amostras, monitorar a saúde das aves e evitar a propagação do vírus.
Operação de vigilância nas propriedades
As equipes da Cidasc e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estão percorrendo um raio de 10 quilômetros ao redor da granja afetada. Em cada propriedade, os técnicos avaliam as condições de manejo, verificam a presença de sintomas e, quando necessário, realizam a coleta de sangue das aves para exames laboratoriais. Aproximadamente 130 fazendas podem precisar desse procedimento, conforme os critérios de vigilância sanitária.
As visitas são realizadas de forma coordenada, com agendamento prévio e uso de equipamentos de proteção individual. Os responsáveis pelas granjas recebem orientações detalhadas sobre biossegurança, como a desinfecção de veículos, a restrição de acesso de pessoas não autorizadas e a limpeza de instalações.
- Desinfecção de veículos e equipamentos antes de entrar e sair da propriedade;
- Uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos para a granja;
- Restrição de visitantes externos durante o período de monitoramento;
- Monitoramento diário de temperatura e comportamento das aves.
Características da doença de Newcastle
A doença de Newcastle é causada por um vírus altamente contagioso que afeta aves domésticas e silvestres. Embora a maioria das cepas seja letal para as aves, o vírus pode infectar humanos, provocando apenas conjuntivite transitória que costuma durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com secreções, fezes ou aerossóis contaminados, e não pelo consumo de carne ou ovos.
Nas granjas onde o foco foi detectado, as aves não apresentaram sinais clínicos de enfermidade, o que indica que o vírus pode estar em fase de incubação ou que a cepa encontrada tem baixa patogenicidade para a espécie. Mesmo assim, a presença do agente etiológico exige medidas rigorosas de contenção para impedir que o vírus se espalhe para outras unidades de produção.
Impactos nas exportações e medidas de segurança
Com a confirmação do foco, três países suspenderam temporariamente a importação de carne de frango proveniente de Santa Catarina. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) ressaltou que ainda não é possível quantificar o impacto econômico dessa suspensão, mas alertou para possíveis repercussões nas cadeias de exportação.
Os principais destinos da carne de frango catarinense entre janeiro e setembro de 2026 incluem:
- Arábia Saudita
- Emirados Árabes Unidos
- Japão
- Hong Kong
- Rússia
Apesar das restrições comerciais, a Cidasc reforçou que o consumo de carne e ovos provenientes de estabelecimentos inspecionados permanece seguro para a população. Produtos que passaram pelo Serviço Veterinário Oficial exibem selos de inspeção sanitária nas embalagens, garantindo que foram avaliados segundo normas rigorosas de qualidade e segurança.
Os selos mais comuns são:
- Selo de Inspeção Sanitária Federal (SISF);
- Selo de Inspeção Sanitária Estadual (SISE);
- Selo de Controle de Qualidade da Cidasc.
Orientações para produtores e consumidores
Para os produtores, a recomendação principal é manter práticas de biossegurança ainda mais rígidas, especialmente durante períodos de vigilância intensificada. Isso inclui a atualização constante de protocolos de limpeza, a capacitação de funcionários e a implementação de sistemas de rastreamento de lotes de aves.
Os consumidores devem observar os selos de inspeção nas embalagens e preferir produtos de origem certificada. Caso percebam alterações no aspecto ou odor dos alimentos, a orientação é descartar o produto e comunicar as autoridades sanitárias.
Em resumo, a operação de vigilância da Cidasc representa um esforço conjunto para conter a disseminação da doença de Newcastle, proteger a avicultura catarinense e garantir a confiança do mercado interno e externo nos produtos de origem avícola do estado.








