Em 20 de outubro de 2026, a SpaceX divulgou que sua receita no terceiro trimestre ultrapassou a marca de US$ 14,5 bilhões, mais que dobrando em relação ao mesmo período do ano anterior. O anúncio ocorreu enquanto o CEO Elon Musk alimenta rumores sobre uma possível fusão entre a empresa de foguetes e a montadora Tesla, ambas controladas pelo bilionário.
Crescimento recorde de receita
O balanço apresentado pela SpaceX mostrou um salto de 161% na receita, que atingiu US$ 14,58 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 72,8 bilhões. Esse desempenho superou amplamente as projeções dos analistas, que esperavam um crescimento mais modesto.
Além do aumento de faturamento, o lucro líquido da companhia também se reverteu, passando de um prejuízo de US$ 1,1 bilhão em 2025 para um lucro de US$ 4,4 bilhões neste trimestre. Esse resultado demonstra a eficácia das estratégias de diversificação de negócios adotadas nos últimos anos.
Os investimentos realizados pela SpaceX totalizaram US$ 16,4 bilhões, valor que a empresa indica que deverá permanecer estável nos próximos períodos, reforçando seu comprometimento com inovação e expansão de infraestrutura.
Impacto da inteligência artificial
A principal força motriz por trás do crescimento explosivo foi a divisão de inteligência artificial (IA) da SpaceX, que viu sua receita subir impressionantes 830%, alcançando US$ 7,6 bilhões. Essa receita provém majoritariamente do aluguel de capacidade computacional em data centers para clientes como Anthropic, Google e Reflection AI.
Embora a IA tenha gerado receita significativa, a área ainda registra prejuízos elevados, exigindo investimentos contínuos para alcançar lucratividade sustentável. Segundo Daniel Newman, presidente-executivo do Futurum Group, esse fluxo de caixa está permitindo que a SpaceX aumente sua força operacional e alavancagem nos negócios de satélites e foguetes.
- Anthropic – fornecimento de poder de processamento para modelos de linguagem avançados.
- Google – parceria para treinamento de redes neurais em grande escala.
- Reflection AI – uso de clusters de GPU para análises de dados em tempo real.
O sucesso da unidade de IA também reforça a estratégia de longo prazo de Musk, que vê a convergência entre foguetes, satélites e superinteligência como um caminho para a chamada “singularidade”.
Desafios e perspectivas da Starlink e da Starship
A Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, continuou a expandir sua base de assinantes, atingindo 13,6 milhões de usuários no terceiro trimestre. No entanto, a receita média por assinante recuou de US$ 99 para US$ 69, reflexo da introdução de planos mais acessíveis.
Essa redução de ticket médio está ligada à estratégia de expansão geográfica para mercados emergentes, onde o preço médio tende a ser menor. Investidores acompanham de perto se essa pressão de preço comprometerá a rentabilidade da rede.
Paralelamente, o projeto Starship, o novo veículo reutilizável da SpaceX, ainda não entrou em operação comercial, mas já realizou o primeiro voo orbital bem‑sucedido, lançando satélites Starlink. A expectativa é que a Starship permita implantar satélites com maior largura de banda e apoiar a construção de data centers espaciais.
O sucesso da Starship é crucial para a estratégia de longo prazo, pois reduzirá custos de lançamento e aumentará a capacidade de atualização da constelação Starlink, além de abrir novas oportunidades de negócios em exploração espacial e turismo.
Possível fusão com a Tesla
Em entrevista com investidores, Elon Musk declarou que considera a fusão entre SpaceX e Tesla uma “boa ideia”, mas ressaltou que a decisão final cabe aos comitês de ambas as empresas. Musk enfatizou que, como parte com conflito de interesses, ele não pode participar das discussões dos comitês especiais.
Segundo o bilionário, a combinação das duas companhias poderia gerar sinergias significativas, especialmente ao integrar a expertise em IA e a infraestrutura de satélites da SpaceX com a capacidade de produção em massa da Tesla. Ele citou a “singularidade da superinteligência” como um ponto de convergência estratégica.
Analistas ainda ponderam sobre os riscos regulatórios e operacionais de uma fusão tão complexa, mas reconhecem que, se bem executada, poderia criar um conglomerado capaz de dominar tanto o transporte terrestre quanto o espacial, além de liderar a corrida pela IA avançada.








