O Ministério da Agricultura confirmou que apenas o estado de Santa Catarina deixará de exportar carne de frango para a China após a detecção de um foco da doença de Newcastle (DNC). O comunicado foi divulgado na manhã da terça‑feira, 20 de outubro de 2026, e a medida já está em vigor. A decisão segue alerta das autoridades chinesas e visa evitar a propagação da enfermidade.
Impacto nas exportações brasileiras
A restrição afeta diretamente o volume de exportação de carne de frango brasileiro para o maior mercado asiático. Até o momento, o Brasil exporta mais de 1,2 milhão de toneladas de frango por ano para a China, representando cerca de 30% da produção nacional. Com a suspensão, espera‑se uma queda temporária de até 15% nas receitas do setor avícola.
Além da China, outros países monitoram a situação de perto, o que pode gerar novos bloqueios caso a doença se espalhe. O governo federal está avaliando estratégias de contenção para minimizar prejuízos econômicos e proteger a reputação do Brasil como fornecedor seguro.
Reação do México
Um dia antes do alerta chinês, o México anunciou a suspensão de todas as importações de carne de frango e de outros produtos avícolas provenientes do Brasil. A medida, oficializada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural, inclui também aves vivas e ovos férteis.
O governo mexicano justificou a decisão como forma de proteger sua produção avícola, que permanece livre da doença. A suspensão mexicana foi a primeira reação internacional ao foco identificado em Santa Catarina.
Medidas sanitárias no Brasil
Na granja de Nova Itaberaba, onde o foco foi confirmado, cerca de 6 mil perus foram isolados e a propriedade foi interditada pelo Serviço Veterinário Oficial. As autoridades iniciaram um plano de contenção que segue as diretrizes do Plano Nacional de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle.
As ações incluem:
- Quarentena total das aves na granja afetada;
- Desinfecção completa das instalações e áreas circundantes;
- Vigilância intensiva em propriedades vizinhas;
- Teste de amostras em granjas comerciais da região;
- Comunicação constante com órgãos de saúde animal internacionais.
O Ministério da Agricultura também suspendeu a movimentação de aves entre estados e reforçou a inspeção oficial em todas as exportações.
Em nota, o órgão ressaltou que não há risco para a saúde humana e que o consumo de carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos com inspeção oficial continua seguro.
Perspectivas para o setor avícola
Especialistas apontam que a crise pode durar de algumas semanas a alguns meses, dependendo da eficácia das medidas de controle. A recuperação das exportações para a China dependerá da certificação de erradicação da doença e da reabertura das fronteiras comerciais.
Enquanto isso, produtores de outras regiões do país estão intensificando protocolos de biossegurança para evitar novos focos. A adoção de vacinas, a melhoria da higiene nas granjas e o monitoramento constante são estratégias recomendadas.
O mercado interno também pode absorver parte da produção que ficaria destinada à exportação, o que pode gerar aumento de preços nos supermercados. Consumidores devem ficar atentos a possíveis ajustes nos valores dos produtos avícolas.
O governo federal permanece em contato com as autoridades chinesas para atualizar a situação e negociar a retomada das exportações assim que a situação sanitária for considerada controlada.








