Na madrugada de 19 de outubro de 2024, o deputado federal André Janones, da Rede-MG, foi admitido na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, após sofrer um episódio de arritmia cardíaca. A internação ocorreu logo depois de Janones acompanhar o debate presidencial transmitido pela TV Band, que foi marcado por fortes confrontos verbais e clima de tensão entre candidatos e assessores.
O que motivou a internação de André Janones?
Segundo informações preliminares, o parlamentar começou a sentir palpitações intensas e falta de ar ao final da noite de 18 de outubro, sintomas que o levaram a procurar atendimento de emergência nas primeiras horas da manhã seguinte. Os médicos, diante da suspeita de alteração no ritmo cardíaco, decidiram encaminhá-lo imediatamente para a UTI, onde ele poderia ser monitorado 24 horas por dia.
Até o momento, o boletim de saúde oficial ainda não foi divulgado, mas a equipe médica confirmou que o quadro exigiu observação intensiva devido ao risco potencial de complicações. A decisão de mantê-lo na UTI reflete a necessidade de vigilância constante, sobretudo nos primeiros dias após um evento arrítmico grave.
Entendendo a arritmia cardíaca
A arritmia ocorre quando há uma desordem nos impulsos elétricos que coordenam as contrações do coração. Essa desordem pode fazer o órgão bater mais rápido (taquicardia), mais devagar (bradicardia) ou de maneira irregular, gerando sensações desconfortáveis e, em alguns casos, risco de parada cardíaca.
Nem toda arritmia representa uma emergência imediata. A gravidade depende do tipo de alteração, da duração do episódio e das condições clínicas pré‑existentes do paciente. Por isso, a avaliação médica detalhada é essencial para definir a necessidade de intervenções mais invasivas.
Os tipos mais comuns de arritmia incluem:
- Taquicardia supraventricular: ritmo acelerado que parte das câmaras superiores do coração.
- Fibrilação atrial: batimentos irregulares e rápidos nos átrios, aumentam o risco de AVC.
- Bradicardia sinusal: ritmo cardíaco anormalmente lento, que pode causar tontura e fadiga.
- Taquicardia ventricular: ritmo rápido nas câmaras inferiores, considerado potencialmente fatal.
Causas e gatilhos mais frequentes
Vários fatores podem desencadear ou agravar arritmias. Entre as causas internas estão doenças cardíacas estruturais, como cardiomiopatia, e alterações eletrolíticas, como níveis baixos de potássio ou magnésio. Externamente, o estresse emocional, o consumo excessivo de álcool e a privação de sono são reconhecidos como gatilhos importantes.
Estudos apontam que situações de tensão aumentam a liberação de adrenalina, que eleva a frequência cardíaca e pode precipitar episódios arrítmicos em indivíduos predispostos. Além disso, noites mal dormidas têm sido associadas a um risco maior de fibrilação atrial, conforme pesquisa japonesa com quase 7 mil participantes acompanhados por mais de 14 anos.
Outros fatores de risco relevantes incluem:
- Hipertensão arterial não controlada;
- Diabetes mellitus;
- Obesidade e sedentarismo;
- Uso de estimulantes como cafeína em excesso ou drogas ilícitas;
- Histórico familiar de arritmias ou doenças cardíacas.
Diagnóstico, tratamento e prevenção
O diagnóstico começa com a anamnese detalhada, na qual o médico investiga sintomas, histórico clínico e medicações em uso. Em seguida, exames complementares são solicitados, sendo o eletrocardiograma (ECG) a ferramenta mais básica para detectar alterações de ritmo.
Para casos de suspeita intermitente, o monitoramento ambulatorial de 24 a 48 horas (Holter) permite registrar a atividade elétrica ao longo de dias. Ecocardiogramas, exames de sangue e, em situações específicas, testes de esforço ou estudo eletrofisiológico são utilizados para aprofundar a investigação.
O tratamento varia conforme o tipo e a causa da arritmia. Em situações leves, mudanças no estilo de vida – como redução do consumo de álcool, prática regular de exercícios moderados e controle do estresse – podem ser suficientes. Quando necessário, medicamentos antiarrítmicos, betabloqueadores ou anticoagulantes (no caso da fibrilação atrial) são prescritos.
Procedimentos invasivos, como a ablação por cateter, são indicados para arritmias que não respondem a fármacos. Em casos de bradicardia grave ou bloqueios cardíacos, a implantação de dispositivos como marcapasso ou desfibrilador automático pode ser a solução definitiva.
A internação em UTI, como a de Janones, permite monitoramento contínuo de parâmetros vitais, administração de medicamentos de forma segura e intervenção rápida caso a arritmia evolua para um quadro mais crítico. A equipe médica utiliza monitores avançados que registram o ritmo em tempo real, facilitando a tomada de decisões clínicas.
Para a população em geral, a prevenção passa por hábitos saudáveis: alimentação balanceada rica em frutas, legumes e fibras; prática regular de atividade física; controle rigoroso da pressão arterial e dos níveis de glicemia; e, sobretudo, estratégias eficazes de manejo do estresse, como técnicas de respiração, meditação ou terapia cognitivo‑comportamental.








