A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta sexta-feira, 18 de outubro de 2026, a apreensão e a proibição total da comercialização, distribuição e uso do lote 025155 da toxina botulínica Dysport. A medida foi tomada após a empresa detentora do registro, Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda., identificar unidades falsificadas em circulação no mercado brasileiro.
Identificação do lote falsificado
O lote 025155 apresentou diversas inconsistências que permitiram à Anvisa reconhecê-lo como falsificado. Entre os indícios mais claros estavam a data de validade alterada, que mostrava 06/2028 em vez de 06/2027, e o espaçamento incorreto no número do lote, que dificultava a leitura correta.
Além disso, o frasco‑ampola possuía um formato diferente do padrão aprovado, e o código de barras correspondia a outro lote, indicando tentativa deliberada de enganar os sistemas de rastreamento. Esses detalhes foram verificados por meio de inspeções técnicas e comparações com amostras originais fornecidas pela fabricante.
A empresa Beaufour Ipsen notificou imediatamente a Anvisa assim que detectou as irregularidades, colaborando com a investigação e fornecendo documentos que comprovaram a falsificação.
Riscos e orientações para profissionais de saúde
Os profissionais de saúde, clínicas e hospitais que já tenham adquirido o lote 025155 devem suspender imediatamente a aplicação do produto. O uso de toxina botulínica falsificada pode causar reações adversas graves, como fraqueza muscular inesperada, dificuldade respiratória e reações alérgicas intensas.
Para minimizar os riscos, a Anvisa recomenda que os estabelecimentos sigam as seguintes orientações:
- Verificar a data de validade e o número do lote em todas as unidades recebidas.
- Conferir o formato do frasco‑ampola e o código de barras antes de armazenar ou utilizar o produto.
- Registrar qualquer divergência em um relatório interno e comunicar imediatamente a vigilância sanitária local.
- Destruir as unidades suspeitas de forma segura, seguindo as normas de descarte de resíduos biológicos.
Os pacientes que já tenham sido tratados com o lote suspeito devem ser monitorados de perto e, caso apresentem sintomas incomuns, procurar atendimento médico imediato. A comunicação transparente entre pacientes, profissionais e autoridades é essencial para detectar efeitos adversos rapidamente.
Impacto no mercado e medidas de prevenção
Esta apreensão tem repercussão significativa no mercado de produtos estéticos e terapêuticos que utilizam toxina botulínica. A Dysport é um dos principais concorrentes da Botox no Brasil, e a descoberta de um lote falsificado pode gerar desconfiança entre consumidores e profissionais.
Para restaurar a confiança, a Anvisa está intensificando as fiscalizações em toda a cadeia de suprimentos, desde a importação até a distribuição em pontos de venda. Inspeções surpresa, auditorias de conformidade e o uso de tecnologias avançadas de rastreamento são algumas das estratégias adotadas.
Além das ações de fiscalização, a agência está promovendo campanhas de conscientização voltadas para profissionais de saúde, destacando a importância da verificação de autenticidade dos produtos antes da aplicação. A educação continuada e a troca de informações entre fabricantes, distribuidores e usuários finais são pilares fundamentais para evitar novas ocorrências.
Em paralelo, a Beaufour Ipsen reforçou seus protocolos internos de controle de qualidade, implementando sistemas de marcação holográfica e códigos QR que permitem a verificação em tempo real por meio de smartphones. Essa tecnologia auxilia na identificação rápida de lotes autênticos e reduz a margem para falsificações.
O caso também evidencia a necessidade de políticas públicas mais robustas contra a falsificação de medicamentos. O governo federal tem sinalizado a intenção de atualizar a legislação, prevendo penas mais severas para quem produz ou distribui produtos falsificados, bem como incentivos para a adoção de tecnologias de rastreamento em toda a cadeia farmacêutica.
Enquanto isso, os consumidores são orientados a adquirir a Dysport apenas em estabelecimentos credenciados e a exigir a apresentação da nota fiscal e do certificado de registro da Anvisa. A verificação da procedência do produto pode ser feita diretamente no site da agência, inserindo o número do lote e o código de barras.
Em resumo, a ação rápida da Anvisa e a colaboração da Beaufour Ipsen demonstram um compromisso conjunto em proteger a saúde pública. A prevenção de falsificações exige vigilância constante, tecnologia avançada e a participação ativa de todos os atores envolvidos no processo.
Fique atento às atualizações oficiais e siga as recomendações das autoridades sanitárias para garantir a segurança dos procedimentos estéticos e terapêuticos.








