Uma nova pesquisa realizada pelo Ipespe em parceria com a Abrapel revelou, neste sábado, 17 de outubro, que a maioria dos eleitores brasileiros está disposta a comparecer às urnas no segundo turno das eleições. O levantamento entrevistou 1.500 eleitores em todo o país e analisou tanto a intenção de voto quanto a proximidade dos eleitores com seus locais de votação. Os resultados apontam nuances importantes entre quem mora perto e quem mora longe da seção eleitoral.
Intenção de comparecimento ao voto
Os entrevistados receberam uma escala de zero a dez para avaliar a probabilidade de comparecer às urnas no dia 25 de outubro. A nota máxima representa certeza absoluta de ir às urnas, enquanto notas menores indicam dúvidas ou falta de motivação.
De forma surpreendente, 89% dos participantes atribuíram a nota dez, demonstrando um nível de engajamento histórico nas pesquisas eleitorais brasileiras. A média geral da pontuação ficou em 9,5, reforçando a ideia de que a maioria dos eleitores se sente confiante em exercer seu direito de voto.
Quando a amostra foi segmentada pelos candidatos preferidos, surgiram pequenas variações. Entre os eleitores que se declaram apoiadores de Flávio Bolsonaro, 92% deram nota máxima, elevando a média desse subgrupo para 9,7. Já entre os simpatizantes de Lula, 88% marcaram dez, resultando em uma média de 9,5.
Ao considerar apenas o grupo que concedeu a nota dez – ou seja, os 89% que afirmam ter certeza de votar – a distribuição de intenções de voto foi de 50% para Flávio Bolsonaro e 46% para Lula. Os eleitores indecisos, que escolheram voto em branco ou nulo, ou que não souberam responder, representaram 2% cada.
Excluindo os votos em branco, nulos e indecisos, o cálculo de votos válidos dentro desse grupo resultou em 52,2% para Flávio Bolsonaro e 47,8% para Lula. Na rodada anterior da mesma pesquisa, os números eram 53,1% a favor de Flávio e 46,9% a favor de Lula, indicando uma leve retração do candidato do centro‑direita.
Impacto da distância até a seção
Um dos recortes mais reveladores da pesquisa diz respeito à distância entre a residência do eleitor e o local de votação. O levantamento apontou que 80% dos entrevistados afirmam morar perto da seção eleitoral, enquanto 20% dizem morar longe ou não sabem responder sobre a distância.
Essa divisão tem implicações diretas nas intenções de voto. Entre os eleitores que vivem perto da seção, Flávio Bolsonaro recebeu 51% das intenções e Lula 45%. Os demais 4% se dividiram entre voto branco ou nulo (2%) e indecisos (2%).
- Flávio Bolsonaro: 51%
- Lula: 45%
- Branco/Nulo: 2%
- Indecisos: 2%
Já no grupo que mora longe da seção, ou que não soube responder, o cenário se inverte parcialmente: Lula obteve 49% das intenções e Flávio Bolsonaro 39%. Nessa mesma amostra, o voto branco ou nulo chegou a 5%, e 8% dos entrevistados declararam não saber ou não responderam sobre a escolha.
- Lula: 49%
- Flávio Bolsonaro: 39%
- Branco/Nulo: 5%
- Indecisos: 8%
Esses números revelam que a distância pode influenciar a distribuição de apoio, sobretudo ao aumentar a parcela de eleitores que optam por não escolher nenhum dos dois candidatos principais. Contudo, a pesquisa não cruzou diretamente a nota de comparecimento com a distância, o que impede conclusões definitivas sobre causalidade.
Mesmo assim, a diferença nos percentuais de intenção demonstra que a proximidade física à seção pode favorecer o candidato que tem maior presença de campanha local, enquanto a distância tende a ampliar a indecisão ou a inclinação ao voto em branco.
Distribuição de intenções entre candidatos
Quando se analisa o conjunto total da amostra, sem segmentar por distância ou nota de comparecimento, Flávio Bolsonaro aparece com 48% das intenções de voto e Lula com 46%. Os votos em branco ou nulo somam 3%, e os indecisos também correspondem a 3% da amostra.
Nos votos válidos – excluindo brancos, nulos e indecisos – o Ipespe calcula que Flávio Bolsonaro detém 51,2% das intenções, enquanto Lula conquista 48,8%. Essa margem estreita indica que a disputa está muito equilibrada e que pequenos movimentos de eleitores podem mudar o placar final.
Comparando com a rodada anterior da mesma pesquisa, observa‑se uma leve perda para Flávio (de 53,1% para 51,2%) e um ganho para Lula (de 46,9% para 48,8%). Essa tendência pode refletir o efeito de debates recentes, mobilizações de base e a percepção de risco de abstinência entre eleitores mais distantes das seções.
Especialistas apontam que a proximidade entre a data da eleição e o período de campanha ainda permite ajustes estratégicos, como a intensificação de visitas a bairros mais afastados e a ampliação de mensagens digitais que alcancem eleitores em áreas rurais.
Além disso, a alta taxa de comprometimento (89% com nota 10) sugere que a abstinência pode ser menor que nas eleições anteriores, reduzindo o risco de surpresas inesperadas nos resultados finais.
Metodologia e margem de erro
A segunda rodada do tracking Ipespe/Abrapel foi realizada entre os dias 13 e 15 de outubro, por meio de entrevistas telefônicas. O instituto entrevistou 1.500 eleitores em todo o território nacional, garantindo representatividade geográfica e demográfica.
A margem de erro declarada é de 2,6 pontos percentuais para resultados próximos de 50%, o que é padrão para pesquisas desse porte. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR‑00223/2026.
É importante destacar que o relatório divulgado não apresenta um cruzamento direto entre a nota de comparecimento e a distância da seção. Essa ausência impede afirmar que morar perto ou longe determina maior ou menor presença nas urnas, embora os indicadores sugeram correlações interessantes.
Em síntese, a pesquisa indica um eleitorado altamente motivado a comparecer às urnas, mas com diferenças de preferência que variam conforme a proximidade ao local de votação. Esses dados são valiosos para os candidatos, partidos e analistas que buscam ajustar suas estratégias nas semanas que antecedem o segundo turno.








