A pesquisa Ipespe/Abrapel divulgada neste sábado, 17 de outubro, revelou que a esperança é o sentimento predominante entre os eleitores na reta final da eleição presidencial no Brasil. O levantamento entrevistou 1.500 pessoas entre 13 e 15 de outubro, por telefone, e trouxe números que ajudam a entender o clima emocional da disputa entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados mostram ainda que o medo, embora em segundo lugar, tem ganhado força nos últimos dias.
Panorama geral dos sentimentos
De modo geral, 47% dos entrevistados apontaram a esperança como a emoção mais presente ao pensar na eleição, enquanto 15% citaram o medo. Esses números representam um leve aumento em relação à rodada anterior, quando a esperança estava em 45% e o medo em 14%.
Outras emoções apareceram em menor escala: desânimo ou cansaço foram citados por 7% dos respondentes, raiva ou indignação por 6%, alegria e entusiasmo por 5% cada, e orgulho e tristeza por 4% cada. Ainda, 7% dos participantes não souberam responder ou deixaram a pergunta em branco.
Detalhamento por grupos de eleitores
Quando a amostra foi segmentada pelos candidatos, a esperança manteve a liderança tanto entre os eleitores de Flávio Bolsonaro quanto entre os de Lula, porém com magnitudes distintas.
Entre os apoiadores de Flávio, 59% disseram sentir esperança, enquanto apenas 7% apontaram medo, desânimo ou cansaço. Raiva ou indignação e entusiasmo ficaram em 6% cada, alegria em 3% e orgulho e tristeza em 2% cada. Um percentual de 6% não soube responder.
Já entre os eleitores de Lula, a esperança ficou em 37%, mas o medo subiu para 23%, superando a proporção observada entre os apoiadores de Flávio. Alegria foi mencionada por 8%, orgulho e raiva ou indignação por 6% cada, desânimo ou cansaço e entusiasmo por 5% cada, e tristeza por 4%. Sete por cento dos eleitores de Lula não souberam responder.
Eleitores indecisos e voto em branco
O grupo que declarou voto branco ou nulo apresentou um perfil mais diversificado. A esperança ainda foi a emoção mais citada (27%), seguida de desânjo ou cansaço (25%) e medo (20%). Outros sentimentos tiveram menor incidência: tristeza (7%), alegria (5%) e 11% dos entrevistados não souberam responder.
Esses números são relevantes porque demonstram que, mesmo entre os eleitores que ainda não decidiram, a esperança permanece como a força motriz, embora o medo já esteja próximo em termos de peso emocional.
Implicações para a corrida eleitoral
Além dos sentimentos, a pesquisa trouxe as intenções de voto no cenário estimulado: Flávio Bolsonaro aparece com 48% das intenções, enquanto Lula tem 46%. Quando excluídos os votos em branco e nulos, a margem se estreita ainda mais, ficando em 51,2% para Flávio e 48,8% para Lula.
Embora os sentimentos não se traduzam diretamente em votos, eles são indicadores valiosos para as campanhas. A esperança, que predomina, pode ser explorada como um elemento de mobilização, enquanto o medo pode ser usado para gerar urgência ou alerta sobre possíveis riscos associados ao candidato adversário.
Os analistas apontam que o aumento do medo entre os eleitores de Lula pode sinalizar uma reação a narrativas de insegurança ou a questões econômicas que ganharam destaque nas últimas semanas. Por outro lado, a manutenção de alta esperança entre os eleitores de Flávio sugere que a mensagem de renovação e continuidade ainda ressoa forte.
Em síntese, a pesquisa Ipespe/Abrapel oferece um panorama complexo: a esperança lidera, mas o medo está em ascensão, especialmente entre os eleitores de Lula. Esse dueto emocional pode influenciar as estratégias de campanha nas próximas semanas, que serão decisivas para a definição do vencedor na segunda volta.








