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Prefeitura de SP cria protocolo de assistência médica em corridas com atendimento em até 3 minutos

Em 12 de dezembro, a Prefeitura de São Paulo entrou em vigor com o Protocolo Municipal de Assistência à Saúde em Corridas de Rua, estabelecendo normas rígidas para o atendimento médico de atletas nas provas realizadas na capital. O documento surge 79 dias após a morte de um corredor que evidenciou falhas no socorro imediato. A medida visa reduzir drasticamente o tempo de resposta, garantindo que o primeiro atendimento ocorra em até três minutos, mesmo em condições climáticas adversas.

Entendendo o novo protocolo

O protocolo define critérios claros para a organização de eventos de corrida, levando em conta não apenas o número de inscritos, mas também a distância percorrida, as condições climáticas e o histórico de ocorrências. Cada prova deve contar com um plano de ação detalhado, que inclua a localização de desfibriladores externos automáticos (DEA) ao longo do percurso. Além disso, a presença de uma equipe médica móvel no último quarto da corrida é obrigatória para provas de 10 km ou mais.

O documento também estabelece que nenhum trecho do trajeto fique sem cobertura assistencial. A distância máxima entre os recursos médicos varia conforme o nível de risco da competição, garantindo que a assistência chegue rapidamente ao atleta em situação de emergência.

Classificação de risco e requisitos

Para padronizar a segurança, o protocolo introduz uma classificação municipal de risco com quatro níveis: baixo, médio, alto e risco especial. Cada nível determina a estrutura mínima exigida, baseada em oito fatores avaliados por pontuação. A soma desses pontos define o nível, que pode ser revisto caso ocorram mudanças significativas nas condições do evento.

  • Baixo risco: eventos com poucos participantes e clima ameno.
  • Médio risco: corridas com maior número de atletas ou condições climáticas moderadas.
  • Alto risco: provas extensas, alta temperatura ou acesso difícil para ambulâncias.
  • Risco especial: ultramaratonas, maratonas com mais de 15 mil corredores, temperatura prevista ≥ 36 °C, percurso sem acesso terrestre adequado ou público esperado acima de 50 mil pessoas.

Algumas situações elevam automaticamente a classificação para risco especial, independentemente da pontuação obtida nos fatores. Isso inclui eventos com previsão de calor extremo ou locais de difícil acesso para veículos de emergência.

Estrutura de atendimento e recursos

O protocolo determina intervalos máximos para o primeiro atendimento, que varia conforme o nível de risco:

  • Baixo risco: até 3 minutos.
  • Médio risco: até 2 minutos e 30 segundos.
  • Alto risco: até 2 minutos.
  • Risco especial: até 1 minuto e 30 segundos.

Além do tempo, a distância entre postos médicos também é regulamentada: 2 km para baixo risco, 1,5 km para médio risco, 1 km para alto risco e 800 m para risco especial. Essa proximidade assegura que o suporte básico de vida seja iniciado imediatamente.

Os postos médicos devem estar equipados com oxigênio, desfibrilador, monitor multiparamétrico, aspirador, medicamentos de urgência como adrenalina, e materiais para imobilização e acesso venoso. Cada equipe deve incluir, no mínimo, um médico, dois técnicos de enfermagem e três socorristas, com aumentos proporcionais ao número de participantes.

  • A cada 2 000 atletas adicionais: +1 médico, +2 técnicos de enfermagem, +3 socorristas.
  • A cada 2 500 atletas adicionais: +1 ambulância tipo B.

Para provas de 10 km ou mais, uma equipe móvel com DEA deve estar posicionada no último quarto do percurso, pronta para intervir rapidamente em casos de parada cardíaca. Todas as corridas ainda contam com um posto médico principal na área de chegada, responsável pela estabilização e observação dos atletas.

Impacto esperado e próximos passos

Especialistas acreditam que a padronização trazida pelo protocolo pode reduzir significativamente o número de fatalidades e complicações graves em eventos de corrida. O médico Miguel Carvalho Santacreu, que criticou a demora no socorro durante a tragédia que motivou a mudança, destacou que a presença imediata de DEA e equipe treinada pode salvar vidas.

Além da segurança, o documento também incentiva a conscientização dos atletas sobre a importância da hidratação e do monitoramento de sinais vitais em dias de calor intenso. Organizações esportivas foram orientadas a divulgar informações sobre os pontos de hidratação e os protocolos de emergência antes do início das provas.

O município pretende monitorar a eficácia do protocolo nos primeiros seis meses, coletando dados sobre tempos de resposta, número de atendimentos e resultados clínicos. Caso os indicadores mostrem necessidade de ajustes, a legislação poderá ser revisada para aprimorar ainda mais a proteção dos corredores.

Com a implementação do protocolo, São Paulo se posiciona como referência nacional em segurança para eventos esportivos de massa. A expectativa é que outras cidades adotem medidas semelhantes, elevando o padrão de assistência médica em corridas de rua em todo o país.

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